Como funciona o sistema educacional de ensino superior nos EUA

Diego Meille

O Sistema Educacional nos EUA

O sistema educacional de ensino superior funciona de forma bem diferente do que no Brasil. Vamos começar analisando a estrutura dos cursos de nível superior.

Logo após sair do 2º grau, o aluno nos EUA precisa “aplicar” para entrada em curso superior. No último ano do colegial, os alunos prestam um teste chamado de SAT, que basicamente é um teste de QI somado com um exame de aprendizado das matérias aprendidas até então na vida estudantil. É um teste bem parecido com o vestibular, com a diferença de que o SAT é o mesmo para todos os alunos, candidatos a qualquer universidade nos EUA, enquanto no Brasil, cada instituição tem seu próprio teste vestibular.

O resultado no SAT não é garantia de entrada numa universidade boa (ou em qualquer uma), mas um resultado estelar é absolutamente necessário para entrada em uma das universidades de elite como Harvard, Yale, Stanford, MIT e Columbia.

O SAT, contudo, é apenas parte do necessário para “ser aceito” em uma faculdade nos EUA – não é igual ao esquema do vestibular, “passou, entrou”. É importante compreender esse “ser aceito”. Nos EUA, a entrada na universidade não é nem um pouco democrática, como é o vestibular no Brasil (passou, entrou). As universidades Norte Americanas aplicam critérios extremamente subjetivos, escolhem os alunos a dedo e não precisam seguir regras ou dar satisfação para ninguém no que diz respeito à forma como selecionam seus alunos.

Outra parte do quebra-cabeças para entrar na universidade (estamos ainda falamos apenas dos alunos de ensino médio indo para seu primeiro curso universitário) é o histórico escolar. Quanto mais renomada a faculdade, mais difícil é entrar e por isso o histórico escolar conta e muito, principalmente as notas do ensino médio. Algumas universidades como Harvard e Yale também entrevistam o candidato individualmente. Para essas universidades de ponta, conta também atividades extracurriculares, dedicação às artes e caridade, intercâmbio no exterior, esportes e perfil de liderança. Sim… tudo isso é esperado de uma “criança” de 17 anos? Pois é! Mas é assim mesmo!

Um outro fator que infelizmente influencia a decisão de aceitar um candidato nos EUA é o “preenchimento” de cotas politicamente corretas que fazem a universidade ficar “bem na foto” com doadores, o governo e o resto do mundo. Algumas universidades possuem tudo quanto é tipo de cota – cota para asiático, cota para negros, cota para mulheres, cota para alunos estrangeiros, cota para latinos, etc. Brasileiros podem se beneficiar dessas cotas, lançando mão tanto da cota para estrangeiros quanto para latinos e mulheres ainda têm a sua própria, preenchendo 3 cotas ao mesmo tempo. Não consideramos isso positivo, pois as cotas na realidade evidenciam as diferenças ao invés de unificarem os povos e minorias e acabam mantendo pessoas brilhantes fora das universidades pelo simples motivo de que elas não preenchem cota alguma, como é o caso de muitos homens brancos americanos, que por não preencherem nenhuma cota, acabam sendo rejeitados por muitas universidades.

Como o processo seletivo é subjetivo, um comitê de seleção avalia candidato por candidato e escolhe a dedo os alunos que poderão cursar aquela faculdade específica, é muito difícil dizer exatamente como entrar em uma faculdade específica. Para alunos com histórico escolar de primeira no Brasil, em especial, alunos que fizeram intercâmbio cultural em qualquer lugar do mundo no colegial, a entrada em uma boa universidade Norte Americana não é “impossível”, mas também não é fácil. Para Brasileiros, é mais fácil fazer pós (incluindo mestrado e doutorado) do que conseguir entrar em um curso de bacharel, que nos EUA se chama “undergraduate course”, o tal “college”. “Graduate course” são os cursos que para nós no Brasil são “pós”, então cuidado com a nomenclatura! Mas também cuidado com as diferenciações de formação. Medicina e direito, por exemplo, são graduate e não podem ser feitos no college, ou seja, um aluno recém-saído do ensino médio não pode entrar em medicina ou direito, ele precisa fazer uma faculdade (college) antes.

A faculdade propriamente dita (o curso em que os alunos entram após o colegial) é um curso bem genérico e pode nem sequer ter uma definição nos primeiros anos. Isso é, de certa forma, difícil para os Brasileiros compreenderem, pois no Brasil se presta vestibular para cursos universitários BEM específicos e definidos. Não é assim que funciona nos EUA! Nos EUA, os alunos não entram em “medicina” ou em “direito”. Os alunos simplesmente entram no College, igual pra todo mundo, depois eles vão escolhendo suas matérias e aos poucos moldando uma concentração específica. A única exceção fica por conta da “escola de engenharia”, que é college e é focada em uma área específica (elétrica, química, biomédica, mecânica, civil, desde o começo), assim como no Brasil.

O propósito do curso universitário dos EUA é providenciar uma experiência de vida para o jovem. A entrada da universidade coincide com a maioridade (18 anos) e é um rito de passagem para o jovem Norte Americano. A maioria das universidades exige que o aluno more no dormitório da universidade, pelo menos pelo primeiro ano. Além do mais, a grande maioria dos estudantes Norte Americanos faz aplicação para universidades em todo o país e muitos acabam sendo aceitos em instituições bem longe de casa. Ir para uma faculdade “no outro lado do país” é um sonho de muitos jovens Norte Americanos. Ficar bem longe da família e ser livre pela primeira vez na vida faz parte da experiência de ir para a faculdade.

A experiência universitária também tem o objetivo de promover o crescimento intelectual do aluno, dando-lhe uma boa base de conhecimentos universais e iniciação científica. O curso universitário nos EUA dura geralmente 4 anos, mas pode demorar mais se o aluno demorar para fazer suas matérias. Por lá, os cursos universitários são compostos por matérias soltas que o aluno escolhe e faz, juntando no final das contas, as matérias devem formar uma “concentração”, por exemplo, em história, inglês, matemática, biologia, psicologia, etc. É possível também escolher uma concentração menor e se formar com duas concentrações.

Só é possível fazer esse curso de 4 anos, chamado de “college”, se você é bem jovem, isso na maioria das faculdades. Existem é claro, universidades de menor qualidade que aceitam qualquer um que pague. Nas universidades renomadas como Harvard e Yale, contudo, aluno mais velho do que 23, 24 anos nao entra mais no College (com raras exceções). Americano tem muito de não querer misturar pessoas de idades diferentes, principalmente quando envolve “crianças” como alunos de 18 anos – isso do ponto de vista dos Americanos! Para nós brasileiros, isso é um absurdo, mas os pais zelosos dos alunos de 18 anos que estão saindo de casa e indo morar sozinhos para frequentar a faculdade não querem suas “crianças” compartilhando sala de aula com “adultos” de 30 e poucos!

Esse curso universitário de 4 anos, contudo, não vale muita coisa. A maioria das profissões, como psicologia, medicina, direito, administração, farmácia, odontologia, medicina veterinária, entre outras, exige “pós graduação”, que nos EUA é chamada apenas de “graduação”, após este curso de 4 anos. Não é possível, contudo, evitar esse curso de 4 anos só porque ele “não vale nada”. Ele é pré-requisito para entrada em todas as outras “escolas”, como são chamados os cursos de nível superior.

Para ser médico, por exemplo, é preciso ter um curso de 4 anos, com ênfase em qualquer coisa, mas de preferência em algo, mesmo que superficialmente, relacionado à medicina, como biologia, neurociência ou bioquímica, e então “aplicar” para a faculdade de medicina propriamente dita, o que leva mais 4 anos. Brasileiros que já possuem curso superior podem “aplicar” para entrada em qualquer “escola” superior nos EUA, como medicina, farmácia, direito, administração, odontologia, etc. Em alguns casos, como psicologia, por exemplo, só possível praticar a profissão ao obter um doutorado. Não existe “escola de psicologia”, a formação do psicólogo envolve um bacharel de 4 anos (em qualquer coisa) e, em seguida, o programa de PhD em psicologia (o que também envolve a obtenção do mestrado “no meio do caminho”).

Antes de prosseguirmos vamos dar uma paradinha para esclarecer a nomenclatura que temos utilizado aqui que pode confundir os Brasileiros:

– Escola (school): Os cursos universitários nos EUA são chamados de “escola”. Ir para a escola significa tanto ir para a escola primária, quanto ensino médio ou faculdade e mesmo cursos de pós-graduação são chamados simplesmente de “escola”.

– Subgraduação (undergrad / undergraduate course / college): O curso universitário tal qual nós conhecemos. Chamamos aqui de “sub” graduação, porque os Americanos chamam de “graduação” somente os cursos de pós, enquanto nos no Brasil, chamamos de graduação, os cursos universitários convencionais (bacharelado).

– Graduação (grad school, graduate course): como explicamos no item anterior, “graduação” para os Americanos é só PÓS! Mas o que confunde os Brasileiros é que medicina, direito, farmácia, odonto, psicologia e muitos outros cursos são todos “graduate courses”, ou seja, pós-graduação no nosso entendimento. É preciso fazer um curso universitário de 4 anos primeiro (undergraduate) para ser capaz de entrar em qualquer uma dessas faculdades, o que é difícil para os Brasileiros entenderem, pois no Brasil o aluno recém-saído do ensino médio faz vestibular e entra direto em um desses cursos. Nos EUA não dá pra fazer isso.

– Aplicação / Aplicar (apply / application): esse é um termo que usamos bastante aqui pois é assim que os Americanos falam “aplicar para a escola de medicina”, por exemplo. Os alunos preenchem e enviam aplicações (como aplicações de emprego) para cada escola que desejam entrar. A escola, por sua vez, analisa cada candidato e em algumas escolas, até mesmo entrevista individualmente cada um e então escolhe quais alunos são mais adequados para “atender” àquela escola.

– Atender (attend): mais um termo que nós usamos errado em Português para que a explicação fique “parecida” como a forma como os Americanos falam! Os Americanos “atendem” a uma escola, no sentido de que frequentam a escola.

Após explicarmos os termos que usamos (mesmo que em português errado!) podemos prosseguir, agora com os cursos de “pós-graduação”, que, mais uma vez, para os Americanos são simplesmente “graduação”, comumente chamada de “grad school”.

A entrada na grad school é mais complexa e difícil, mas de certa forma, mais fácil para Brasileiros. Entrar no College (o curso universitário inicial) é muito difícil para Brasileiros por diversos motivos – idade, insuficiência financeira, falta de preparação, falta de domínio completo da língua inglesa, dificuldade para fazer o SAT, frequentar as entrevistas realizadas pela faculdade e mesmo conhecimento de como todo esse processo seletivo funciona numa época em que o jovem é controlado pelos pais e não tem muita noção da vida.

Depois de já fazer uma faculdade no Brasil, o Brasileiro já tem mais noção da vida, pode já estar dominando a língua inglesa, já ter viajado para o exterior e até já ter economizado dinheiro para estudar nos EUA. É mais fácil também para o jovem já formado no Brasil, se desligar da família para ir morar sozinho em outro país. Mas a maior vantagem é que os cursos que os Brasileiros almejam fazer no exterior (medicina, direito, odonto, psicologia, administração, farmácia, etc.) são todos cursos de pós-graduação, então faz sentido ir estudar nos EUA somente após já se ter um diploma de curso superior.

Quanto mais conceituada for a universidade que você quer entrar, melhor devem ser as suas notas durante todo o curso superior. Seu diploma e histórico (transcripts) devem ser traduzidos por uma entidade indicada pela universidade. Não vá já levar seu material para ser traduzido no Brazil por um tradutor juramentado, pois nem sempre as escolas aceitam a tradução dessa forma. Harvard, por exemplo, aceita diploma e histórico traduzidos por apenas uma empresa de confiança deles, que é indicada no próprio site da universidade.

Pesquise então as universidades que você tem interesse em entrar e veja qual empresa de tradução elas exigem que você use. Se você vai aplicar para mais de uma escola, talvez seja necessário traduzir seu diploma e histórico diversas vezes com diversas empresas, para atender às demandas de cada escola. Isso pode sair bem caro e leva bastante tempo, portanto, comece o quanto antes possível a pesquisar as exigências das escolas que você quer entrar – isso você faz no respectivo site de cada uma delas.

PROFICIÊNCIA EM INGLÊS

Todas as universidades vão exigir TOEFL de alunos estrangeiros. Esse é o teste de proficiência na língua inglesa. Algumas universidades como Harvard aceitam também IELTS e Cambridge. Mas coordene esses testes com suas aplicações, pois os resultados expiram! A maioria das universidades não aceitam resultados de testes que tenham sido prestados há mais de 2 anos, além disso, você precisa coordenar com a instituição que está aplicando o teste que eles enviem um envelope selado dos seus resultados direto para as universidades que você deseja aplicar. Cada curso em cada universidade tem um código que você precisa fornecer para a instituição que está aplicando o teste para você. Esse código você descobre no material de requerimentos para aplicação disponível nos respectivos sites de cada universidade.

Os cursos de “pós-graduação” relativos às nossas faculdades aqui no Brasil como medicina e direito levam menos tempo para completar do que no Brasil, já que todas as matérias genéricas de conhecimentos gerais e iniciação científica já foram completadas no curso superior inicial do aluno. Medicina então leva 4 anos, direito leva 3. Esses cursos, contudo, são em período integral. Praticamente todos os cursos universitários nos EUA são em período integral. Algumas exceções se aplicam a certas faculdades que se focam em pessoas mais velhas e que, portanto, já tem emprego e família e não podem se dar ao luxo de estudar o dia inteiro. A Harvard Extension School é uma delas, oferendo aulas à noite. Muitas das outras instituições que oferecem cursos noturnos, contudo, são de baixa qualidade, é preciso fazer muita pesquisa! De qualquer forma, Brasileiro não pode trabalhar nos EUA se não for residente legal ou cidadão Americano, então não faz sentido para Brasileiro procurar curso em escola noturna! Essas escolas noturnas não emitem visto de estudante.

MESTRADO

O mestrado é um curso bem popular pois é a “profissionalização” de diversas profissões e principalmente, é útil para quem precisa de mais educação para subir no mundo corporativo (empresas), ao passo que o doutorado (passo seguinte ao mestrado), é necessário apenas para algumas profissões, como psicologia e farmácia, e no mais, é necessário para quem pretende dar aulas em universidades.

Quem faz o chamado “mestrado terminal”, ou seja, o mestrado sem estar dentro do programa de doutorado, é geralmente quem precisa de maior formação para enriquecer o currículo, mas não precisa ser doutor para exercer sua profissão, como é exigido nos EUA para psicólogos e farmacêuticos, por exemplo. A maioria dos Brasileiros cai nessa categoria, já que de volta ao Brasil, um mestrado nos EUA em seu currículo vale ouro.

DOUTORADO

O doutorado nos EUA é muito mais comum do que no Brasil e é necessário para exercer certas profissões como psicologia. Não é possível clinicar, nem lidar direto com pessoas para um psicólogo sem doutorado – é o doutorado que “forma” o psicólogo, lembre-se que antes disso há apenas aquele curso de 4 anos que “não vale nada”!. Um bacharel em psicologia não faz um psicólogo como ocorre no Brasil.

O doutorado também é exigido para dar aula em qualquer instituição de nível superior e em alguns casos, até mesmo de ensino médio.

Cada grupo de cursos específicos tem seu próprio teste padrão para entrada na “grad school”.

– Medicina tem o MCAT

– Administração tem o GMAT

– Direito tem o LSAT

– Farmácia tem o PCAT

– Psicologia tem o GRE

Esses cursos são padronizados e controlados pela instituição que regula a profissão. Por exemplo, se fosse no Brasil, o MCAT seria administrado pelo Conselho Federal de Medicina. Todos os alunos que querem entrar em uma dessas escolas precisa prestar o exame relacionado à sua área. A nota desse exame, junto com o histórico escolar do curso superior, currículo de atividades extracurriculares, e entrevista individual é que somam os requerimentos para entrada nesses cursos.

Assim como ocorre na entrada do College (o primeiro curso superior a que o jovem tem acesso), as universidades Norte Americanas tem muito preconceito com relação à idade. É muito difícil, por exemplo, para uma pessoa com mais de 35 anos ser aceita na faculdade de medicina nos EUA. Por quê? A educação superior é vista como um investimento da universidade naquele aluno, quanto mais velho for o aluno, menos tempo ele terá para retribuir para a sociedade com o que ele aprendeu. Não estamos defendendo esse ponto de vista, apenas estamos explicando que é assim que as escolas nos EUA pensam!

Programas de doutorado também exercem preconceito com relação à idade, pelo mesmo motivo. O preconceito é maior nas universidades mais conceituadas, mas é sempre possível encontrar instituições menos conceituadas ou programas de extensão nas próprias universidades de ponta, como é o caso da Harvard Extension School, que não exercem nenhum tipo de preconceito. Mas por que não existe esse preconceito nessas outras faculdades? Pelo simples motivo de que elas não são muito concorridas. Quanto mais concorrida a instituição, mais cuidado ela deve ter para selecionar somente o “crème de lá crop”, ou seja, os melhor alunos, sob todos os pontos de vista. Alunos mais jovens possuem menos compromissos na vida (não são casados, não têm filhos, não trabalham), podendo se dedicar mais aos estudos e depois de formados terão mais tempo para aplicar seus conhecimentos e retribuir para com a sociedade. Em outros casos, como a Harvard Extension School, ou outras escolas de extensão, não são oferecidos cursos de doutorado e esse tipo de formação é necessária para a formação de diversos profissionais. O curso de mestrado na Harvard Extension School não compete como o programa de doutorado da GSAS (em Harvard). Na maioria dos casos, um mestrado terminal, como se diz, um mestrado sem doutorado, é inútil para os Americanos. Quem está interessado em fazer o mestrado na Harvard Extension é gente que só quer pendurar um diploma de Harvard na parede (ou voltar para seu próprio país e pegar um ótimo emprego!). Em outras instituições que oferecem doutorado, a simples falta de competição é que reduz o nível de preconceito.

Lembre-se que um programa de doutorado não é apenas um “curso” que o aluno vai fazer, pelo contrário, doutorado é treinamento em pesquisa. O aluno não paga, ele recebe dinheiro para poder estudar, justamente porque ele não pode trabalhar durante o intensivo curso que dura 5 anos ou mais. As universidades procuram então alunos que possuam rico potencial para se tornarem pesquisadores, cientistas e professores universitários, então é óbvio que as mais conceituadas instituições serão extremamente exigentes em todos os sentidos.

Para Brasileiros, qualquer curso no exterior já tem o poder de enriquecer o currículo fenomenalmente. Não é preciso então se acotovelar com os gênios que querem entrar nas prestigiadas escolas das universidades de ponta. É possível ir para Harvard, Yale, Columbia, Brown, Stanford, MIT, entre outras “super escolas”, sem suar a camisa, ou melhor, sem ser gênio!

Para isso, é preciso compreender as diferenças entre as diversas escolas (ou divisões) que compõem cada universidade.

O College é a escola que os alunos vão partindo do ensino médio. É só para alunos bem jovens e dura 4 anos, nos quais os estudantes aprendem matérias de conhecimento universal, aprendem a escrever direito, e a interpretar textos complexos e a fazer pesquisa.

Brasileiros raramente conseguem entrar em um College propriamente dito. Veja que os chamados “community colleges” não são a mesma coisa. Community college é um tipo de faculdade comunitária, aberta para qualquer membro da comunidade. Essas escolas, contudo, não oferecem cursos universitários completos e o peso de um “meio” diploma delas vale muito pouco.

Todas as grandes e conceituadas instituições possuem seu próprio college.

Depois do college, os alunos vão para a grad school se profissionalizarem. A maioria das grandes instituições de ensino como Harvard, possuem diversas “grad schools”, cada uma para um curso (ou grupo de cursos) diferente. Por exemplo, medicina em Harvard é feita na Harvard Medical School, direito é na Harvard Law School, administração é na Harvard Business School. Doutorado em Harvard na área de humanas e ciências é administrado pela GSAS (Graduate School of Arts and Science), onde é possível fazer tanto mestrado quanto doutorado em áreas como psicologia, história, sociologia, etc.

Todas as grandes escolas também possuem a divisão de “extensão”, e é aí que mora as maiores possibilidades para nós Brasileiros. Para saber mais sobre as escolas de extensão, clique aqui.

Além da divisão de extensão, que é bem acessível para nós Brasileiros, muitas escolas de ponta também oferecem o que eles chamam de “ensino continuado” (continuing education), que são divisões que oferecem o que nós conhecemos no Brasil como cursos de pós-graduação. Esses cursos também são bem acessíveis para Brasileiros, são mais baratos (comparando com os programas tradicionais de mestrado e doutorado) e emitem um certificado de pós igual ao que obtemos no Brasil para os mesmos cursos. Mais informações sobre esses programas também no link acima para as escolas de extensão.

Nem todos os cursos nos EUA oferecem o documento necessário para obtenção do visto de estudante. Em alguns casos, como alguns cursos rápidos, não é necessário obter esse visto. Cursos nas escolas de verão, por exemplo, podem ser feitas com um visto de turista mesmo. É preciso pesquisar no site da instituição que você deseja frequentar se é dado o documento para tirar o visto de estudante. Sem ele você só pode ficar nos EUA por 6 meses. Existe a possibilidade de extender seu visto de turista 2 vezes, aumentando esse tempo para 1 ano e meio, mas é muito arriscado fazer isso. Por quê? Nós discutimos isso em outro artigo aqui.

Se a escola que você quer frequentar não oferece documento para o visto de turista (como as escolas noturnas), o ideal é se matricular em outra escola de período integral que permita com que você pegue o visto de estudante e então cursar algumas matérias nesse escola durante o dia e depois à noite, cursar as matérias que você deseja fazer na escola de sua escolha. É assim que deve ser feito para quem quer ir para a Harvard Extension School, por exemplo, cujos cursos são só à noite.

Outro aspecto importante sobre o sistema de educação superior nos EUA é que ele baseado fortemente em interpretação e produção de textos (a famigerada redação!). No Brasil muito pouca ênfase é dada para ambas, os Brasileiros saem da escola e mesmo da faculdade sem saber interpretar criticamente textos e muito menos produzir material escrito com qualidade. A produção de artigos (essays e papers) é essencial para obter boas notas em praticamente todos os cursos superiores nos EUA. É preciso ter uma boa base de iniciação científica e saber como escrever bem de acordo com padrões acadêmicos. No Brasil, isso só é ensinado em cursos de mestrado, o que é uma pena, pois alunos brasileiros vão aos EUA estudar e têm um piripaque quando o professor pede para escreverem um mero artigo. Eu ensino como escrever um paper (artigo), aqui.

O ano letivo nos EUA começa em Setembro e termina em Maio. As férias de verão vão do final de Maio até o começo de Setembro na maioria das escolas e universidades. As férias de inverno começam lá pelo dia 20, 21 de Dezembro, dependendo da escola e terminam no final de Janeiro. No mês de Janeiro, muitas escolas fazem “intensivões” condensando o conteúdo de um semestre inteiro em 1 mês para alunos que querem acelerar a formação. No verão (de Junho ao final de Agosto), muitas escolas abrem suas escolas de verão como Harvard tem sua “Harvard Summer School”. É possível fazer cursos rápidos de várias matérias, só por diversão, para acelerar a formação ou para estudar inglês. Cursos de verão geralmente são livres e qualquer um pode fazer.

Algumas escolas dividem o ano letivo em 4 trimestres: De Setembro a Dezembro é o trimestre de Outono (Fall quarter). De Janeiro a Março é o trimestre de inverno (Winter quarter), de Abril a Junho é o trimestre de primavera (Spring quarter) e do final de Junho ao começo de Setembro é o trimestre do verão (Summer quarter).

Outras escolas dividem o calendário acadêmico em 2 semestres: geralmente os alunos têm aulas regulares somente no semestre da Primavera (do final de Janeiro a meados de Maio) e o Outono (do começo de Setembro a meados para o final de Dezembro). Janeiro é reservado para os cursos intensivos e os meses do verão Norte Americano são reservados para cursos de verão, aulas livres e também para alunos que querem aproveitar e fazer mais algumas matérias para acelerar sua formação. É possível estudar todos os meses do ano, mas não é necessário.

É o aluno que monta sua própria grade curricular e escolhe as matérias que quer fazer e quando.

É preciso tomar cuidado para não se entusiasmar demais com essa liberdade e ficar fazendo um monte de matérias interessantes (porém irrelevantes para sua área) e depois acabar atrasando a obtenção do diploma. Cada instituição tem seus requerimentos para obtenção do diploma, dentre matérias obrigatórias e matérias opcionais. Geralmente a linguagem utilizada é em termos de “créditos”. Ao pesquisar nos sites de universidades nos EUA, você pode se deparar com essa linguagem, o curso X exige 40 créditos para obtenção do diploma, dentre esses 40 créditos, 10 devem ser na área de concentração do aluno, 8 devem ser relacionados à produção de textos, e assim por diante. A escola determina de forma bem solta o que é preciso para obter o diploma, não há um tempo fixo, como no Brasil temos as faculdades de 4 anos, 5 anos e 6 anos como medicina. Existe uma média para formação, similar ao que temos no Brasil, mas o aluno é responsável por organizar sua grade curricular de forma com que ele consiga se formar dentro do período esperado – a maioria, contudo, não consegue!

Isso se deve, em parte, a própria desorganização dos alunos, que tendo liberdade demais, acabam fazendo matérias que não podem ser contadas para o diploma ou levam tudo bem devagar, por exemplo fazendo apenas 2 matérias por semestre. Outro motivo é a quantidade de matérias que constituem pré-requisito para fazer certas matérias. Por exemplo, para cursar física nuclear (uma matéria) é preciso já ter cursado 3 níveis de física, 2 níveis de cálculo e 5 níveis de matemática, todos esses “níveis” são uma matéria em si (Cálculo I, Cálculo II, Cálculo III, e assim por diante). Se o aluno não se organizar e não se controlar para não ficar cursando matérias inúteis, ele não dá conta de preencher todos os pré-requisitos a tempo e acaba levando anos a mais para completar os créditos necessários e se tornar elegível para emissão do diploma que ele deseja.

Esse processo funciona com todos os tipos de curso universitários, de bacharelado a doutorado, com poucas exceções como medicina que é bem “quadradinha” dentro de seus requerimentos.

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83 comentários em “Como funciona o sistema educacional de ensino superior nos EUA”

  1. Oi entao eu tenho 13 anos e desejo cursar medicina e tenho algumas duvidas
    1- como vc ja disse para cursar medicina nos precisamos ter ensino superior em algumas matérias , entao sobre o college , há bolsas ? Porque pelo o que eu pesquisei os preços sao bastante salgados
    2- eu posso cursar como por exemplo engenharia bioquímica numa faculdade e depois tentar aplicar para medicina ?
    3- sobre os exames como SAT e toffel como eu tenho acesso a eles ? Eu os faço pela internet ou algo assim ?

    Responder
    • Olá Gabrielly,

      Não há bolsas para estrangeiros. Se você precisa de bolsa para estudar medicina, é mais recomendado que faça o curso no Brasil e depois faça residência nos EUA.

      Sim, você pode fazer engenharia bioquímica para depois entrar em medicina.

      O SAT e o TOEFL são aplicados no Brasil pelas instituições responsáveis por eles. Procure no Google e você encontrará informações sobre como prestar esses testes. Não, não é pela internet, você tem que ir a um local onde o teste é aplicado em computadores em uma sala fechada e monitorada.

      Sendo estrangeira, a primeira coisa que você tem que se preocupar é como será aceita em instituições nos EUA e como irá pagar pelos cursos sendo que não pode pegar bolsa. Essa deve ser a sua primeira preocupação.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  2. Olá, primeiro de tudo gostaria de parabenizá-lo pelo ótimo texto escrito ! . Muito obrigada pelas informações fornecidas ! .
    Enfim, tenho 19 anos (farei 20 em fevereiro) e estou cursando meu Segundo Ano (Quarto Período) de Direito aqui no Brasil, porém, ano que vem irei morar nos Estados Unidos , como terei 20 anos, será que consigo entrar no College? E será que alguma Law University irá me aceitar (lembrando que terei 22 ao final do College)?.

    Responder
    • Olá Tami,

      Você consegue entrar no college sim, hehe, você ainda é MUITO nova! Quanto à idade na Law School, não há com que se preocupar, as pessoas geralmente fazem college, depois um pouco trabalham e só mais tarde vão para a law school. A média da idade dos alunos na law school é 25 anos, mas é fácil encontrar alunos com mais de 30, então com 22/23 você será a bebezinha da turma!

      Abraços,

      Diego

      Responder
  3. Olá! Tenho 16 anos, espero em 2017 fazer faculdade de Direito em Harvard mas não tenho condições financeiras. Como que serve a mensalidade, tem bolsas ?

    Responder
    • Olá Beatriz,

      Direito nos EUA não é como no Brasil. Você só “qualifica” para entrar em direito em qualquer faculdade Norte Americana depois que tiver já um diploma de bacharel, ou seja, você precisa fazer uma faculdade primeiro, como explico no artigo e direito então é uma pós graduação. Não há bolsas para estrangeiros em nenhuma instituição nos EUA, a não ser em condições especiais como atletas e artistas. Como estrangeira, não só você paga mais do que o dobro do valor, como também precisa pagar o valor todo à vista (não existe “mensalidade” nos EUA). Alguns cursos são pagos anualmente, mas para estrangeiros, geralmente é necessário pagar o curso integral de uma vez só. Eu recomendo que você pesquise mais sobre o assunto se realmente tem intenção de levar isso a sério. É necessário muito planejamento, não só financeiro, como em termos de currículo para aplicar para a faculdade de direito, seja Harvard ou qualquer outra. Sua pergunta indica que você ainda não fez nenhum tipo de pesquisa sobre o assunto, então dê uma lida por aqui. Há um artigo só sobre direito em Harvard e há muita coisa em sites em inglês sobre como entrar na “law school”. O mais importante é entender que agora é muito cedo para você pensar em entrar na law school, já que você precisa já ser formada em alguma coisa antes de aplicar.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  4. oi ,eu li todo o seu texto sobre havard mais nao entendi
    quero fazer medicina em havard mais eu teria q fazer uma faculdade antes de entrar em havard se nao for isso desculpa nao entendi essa da parte do texto
    vc poderia me explicar

    Responder
    • Olá Elias,

      Existem diversas formas de se conseguir bolsas para college (faculdade), como jogar esportes pela escola, ser um aluno excepcional, ter uma condição de vida muito desfavorável, ou um histórico de vida de muito esforço e dificuldade.

      Algumas bolsas estão disponíveis para estrangeiros, mas elas são dadas pelas univerdades em si e estão reservadas para os casos que eu citei.

      O governo Americano não dá bolsa para estrangeiros. Para receber bolsas do governo, assim como no Brasil, você precisa ser cidadão do país (ou pelo menos ter Green Card).

      Se suas condições de mudanças envolvem a obtenção de um Green Card e futuramente, cidadania, aí não vejo problema algum em você conseguir bolsa, mas veja que bolsas não são dadas para qualquer um. Você ainda precisa qualificar, seja via esportes, excelência acadêmica ou condições de vida muito precárias.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  5. Primeiro gostaria de dizer que as matérias deste site são muuuuito bem escritas e esclarecedoras.
    Próximo ano vou começar o 1° ano do EM. Estou pensando em pelo menos TENTAR a HMS, me preparando desde já. Tem algumas coisas que ainda não consegui entender bem, mas uma delas é a de fazer uma faculdade antes de prestar a faculdade de Medicina. Essa faculdade pode ser feita no Brasil? É IMPOSSÍVEL para eu entrar, sendo que nem o EM comecei, ainda tenho 3 anos para ter tudo ‘certo’, sendo que meu inglês é intermediário e jogo vôlei (que pode ser usado como atividade extra curricular)? Pretendo fazer o quanto antes trabalho voluntário (na verdade já penso nisso faz um tempo, bem antes de saber que era um ponto positivo para faculdades fora do Brasil) e notas sei que vou me esforçar. É impossível? Por eu ser estrangeira? Você poderia me dar uma base do que fazer desde agora? Por onde começo a me preparar desde já para o HMS, se possível? Estou meio perdida, haha.

    Acho que ficou confuso, mas espero que compreenda 🙂
    Obrigada!

    Responder
    • Olá Rafaela,

      Esse é um artigo sobre o sistema educacional Norte Americano em geral. Há um artigo em especial sobre a Harvard Medical School. Eu prefiro que as perguntas sejam feitas nos artigos mais correspondentes ao assunto questionado para que futuros leitores se beneficiem da resposta e não se sintam alienados por perguntas não relacionadas ao que eles estão lendo no momento.

      Contudo, o que posso responder para você aqui cabe neste artigo (se futuramente você tiver perguntas específicas sobre a HMS, pergunte direto no outro artigo).

      Você ainda está muito longe de poder entrar em medicina nos EUA, seja Harvard ou qualquer outra escola. Medicina, assim como outros cursos como direito e odontologia, são pós-graduação. A pessoa já precisa ter uma faculdade (seja feita nos EUA, no Brasil ou em qualquer outro lugar) para poder se candidatar a uma vaga. Sendo assim, nada do que você leu nesse artigo se aplica à entrada em medicina. Sua prática de esportes, boas notas e mesmo voluntariado, nada disso importará depois mais tarde se você quiser mesmo tentar entrar na HMS ou em outra escola de medicina.

      O relógio e o currículo começam a contar para medicina apenas no ano em que o candidato entra na faculdade (college). Tudo o que ele fez antes não conta. Esses itens contam para entrada no college, uma faculdade generalizada que os Americanos fazem antes de entrar em cursos profissionalizantes como medicina e direito. É o equivalente a um bacharel no Brasil, ou seja, uma faculdade normal. O voluntariado necessário para medicina é completamente diferente e só conta a partir da faculdade.

      Dito isso, as chances de entrar em medicina seja em Harvard ou em qualquer outra escola nos EUA como estrangeira são próximas de zero. Se você ainda nem começou o ensino médio, o ideal seria se focar em passar em um bom vestibular de medicina no Brasil e se você quiser morar e trabalhar nos EUA depois, é só fazer residência médica. Aí sim, você pode até mesmo fazer residência na HMS.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  6. Olá, Diego Meille!

    Em primeiro lugar, parabéns pela postagem, muito esclarecedora para quem não possuía qualquer noção do sistema escolar norte-americano como eu. Sou estudante de Psicologia aqui no Brasil e terei 23 anos ao término do curso se tudo correr como o esperado.
    Para eu conseguir entrar numa grad school de Psicologia, teria que enviar toda a documentação relativa à minha formação acadêmia traduzida para a instituição, meu resultado no TOEFL e mais meu desempenho num exame específico da profissão?
    O caminho mais simples seria apenas o curso de extensão?
    Você teria alguma recomendação? Tenho interesse de continuar os estudos nos Estados Unidos, não fazia ideia que se tratava de algo tão burocrático ou cheio de empecilhos. Preciso de uma luz.
    Agradeço desde já,

    Marianna.

    Responder
    • Olá Mariana,

      Quando você fala “grad school” de psicologia você está falando de mestrado e doutorado. É isso mesmo o que você quer? Se sim, é essencial já ter currículo de publicação científica em journals internacionais antes de aplicar, pelo menos para as melhores escolas. Trabalho em laboratório com pesquisa científica também é importante.

      Simplesmente ter um curso superior, TOEFL e GRE não é suficiente para a maioria das escolas. Somente as bem pobrezinhas (em termos de qualidade) aceitariam um aluno sem experiência direta em pesquisa científica.

      Mestrados “terminais” costumam ser mais lenientes já que são voltados para o mundo profissional e não acadêmico. Na realidade, no Brasil é igualzinho, isso não é um procedimento específico das escolas nos EUA.

      Se o que você está falando é simplesmente pós-graduação (latu sensu), aí o processo é bem mais fácil, basta provar que você realmente tem curso superior, enviar resultado do TOEFL (ou teste similar) e pagar.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  7. Ooii Diego, tudo bom?

    Tenho 21 anos e sou formada em Design de interiores, queria fazer uma pós no exterior.
    Mas ao mesmo tempo um curso de teatro ou fotografia, por isso acho que precisarei de uma bolsa de estudos, como esse texto é mais complexo e esclarecedor que encontrei, pergunto a você se sabe ou pelo menos poderia me indicar alguém que saiba como posso conseguir bolsa para pós no exterior e se há possibilidade de alojamentos ou não.

    Obrigada desde já, beijão.

    Responder
    • Olá Jaqueline,

      Existem as bolsas dos próprios órgãos governamentais no Brasil de fomento à ciência e educação como CAPES. Eu não sei como isso funciona, mas você pode procurar no Google e dar uma olhada. Bolsas nos EUA em si geralmente não estão disponíveis para estrangeiros, salvo algumas situações específicas para alunos de muito destaque, mas isso geralmente ocorre para a faculdade normal, não para pós. Infelizmente eu não tenho muito conhecimento sobre bolsas que estrangeiros possam ter acesso.

      Abraços,

      Diego

      Responder
    • Olá Mateus,

      O processo é por demais longo e complicado para explicar em uma resposta de comentário. Recomendo que você pesquise, principalmente em sites Norte Americanos, e faça uma lista de tudo o que você precisará e quais são todos os passos. São inúmeros elementos que você terá que preparar e enviar nas datas certas, mas você precisa pesquisar para se inteirar melhor sobre como todo o processo funciona. Além disso, cada universidade possui requisitos datas limite diferentes. Você precisa investigar os requerimentos no site de cada uma.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  8. Diego, boa noite!

    O Mestrado em Harvard, por exemplo, tem quanto tempo de duração? Onde posso me informar mais sobre ele? Procurei no site da HES mas não encontrei muitas opções relacionadas à Direito, apenas Legal Studies, e imagino que não seja só isso.

    Obrigada,
    Luiza.

    Responder
    • Olá Luiza,

      A duração do mestrado depende de qual escola de Harvard e do seu próprio ritmo. Na Harvard Extension School, por exemplo, você pode conseguir fazer um mestrado em 2 anos se você der conta da carga horária e ainda escrever e defender sua dissertação nesse período. Na HES há um tempo máximo de 5 anos para completar o mestrado e a maioria dos alunos usa esses 5 anos. Nas outras escolas, tem algumas que não oferecem mestrado, sendo a defesa da dissertação parte opcional de um programa de doutorado. As que oferecem geralmente o curso leva em média 3 anos, considerando que a maior parte de um mestrado nos EUA, principalmente em Harvard, é trabalho mesmo nos laboratórios, não aula em sala de aula. Mestrado só com aula é só o da HES. O mestrado em Legal Studies é o que a HES tem que mais se aproxima do direito.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  9. Olá, muito obrigada por compartilhar essa informação conosco!
    Eu gostaria de estudar cinema nos EUA, você sabe me informar se eu consigo entrar na faculdade lá com um curso qualquer de bacharelado aqui do Brasil?
    Desde ja muito obrigada!

    Att,

    Responder
    • Olá Bruna,

      Cinema é bem tranquilo e não é graduate school, então você não precisa de um curso superior para entrar, a não ser que queira fazer mestrado ou doutorado na área. Somente cursos chamados “graduate” como medicina e direito requerem curso superior (college). Cinema é college.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  10. Olá
    Sou cidadão americano e moro no Brasil, até agora estou na dúvida onde devo começar a fazer faculdade.

    Para um cidadão americano residente no Brasil, o mais fácil é iniciar uma faculdade lá nos e.u.a ou aqui mesmo e tentar uma pós lá? Na sua opiniao claro, qual é o jeito mais fácil e aconselhável? obrigado, gostei do seus texto!

    Responder
    • Olá Elias,

      Bom, há vários fatores a serem considerados, dependendo da sua situação. Um deles é que no Brasil existe educação gratuita, nos EUA não. Se você tem gabarito para passar em uma universidade federal, eu aconselharia fazer a faculdade no Brasil mesmo. Outro fator: no Brasil, o processo de entrada na univerdade é objetivo, você presta vestibular, passou, entrou, não tem mistério. Nos EUA, você precisa ser “aceito” e para que isso aconteça, você deve preencher uma série de pré-requisitos que os alunos Americanos passam os 4 anos de ensino médio preparando. Simplesmente “ser Americano” não lhe dá nenhuma vantagem, pois você está concorrendo com outros Americanos. Dependo do gabarito das escolas do seu interesse, seria uma viagem absurda se preparar para se candidatar a uma vaga quando é tão fácil fazer uma prova só no Brasil e entrar na faculdade. Por outro lado, caminhos como começar em community college (onde a entrada é livre) e depois passar para uma faculdade de 4 anos de segunda linha pode não ser vantajoso se você tiver condições de passar em uma federal no Brasil. Outro fator é a questão do custo da faculdade e subsistência pessoal. Como Americano, você pode pegar financiamento estudantil, mas isso não cobre todos os custos, nem é tão vantajoso assim. Não sei se você segue esse tipo de coisa, mas o débito de financiamanto estudantil nos EUA é um dos maiores problemas que o país enfrenta. As pessoas se formam e mesmo depois de anos no mercado de trabalho, não estão conseguindo repagar o que emprestaram para estudar. Além disso, você ainda precisa de um extra para sobreviver, precisa de um lugar para morar. Não sei nada sobre o seu caso, talvez você tenha parentes aqui, talvez tenha dinheiro para viver tranquilo e pagar os estudos sem precisar de financiamento… Também outro fator são seus planos futuros. Se você quisesse fazer medicina, por exemplo, você praticamente teria que fazer college nos EUA para ter uma chance mínima. Direito a mesma coisa. Mas se você quer fazer, por exemplo, farmácia, psicologia, ou engenharia, o ideal seria fazer no Brasil.

      Abraços,

      Diego

      Responder
    • Olá Elias,

      Administração é “graduate school”, assim como medicina e direito. Existem majors (college) em business management e outras áreas da administração, mas isso não é muito valorizado, já que a business school é graduate, não undergraduate. Isso pode soar um pouco complicado… O que quero dizer na prática é que se você fizer faculdade no Brasil ou fizer college de administração nos EUA (e parar por aí), seu diploma valerá muito pouco. A formação em business propriamente dita (e valorizada), considerando que você quer morar nos EUA, é fazer um college em qualquer coisa (pode ser faculdade no Brasil, e nesse caso, pode ser administração) para que você possa aplicar para a business school propriamente dita depois. Na maioria dos casos, a formação na business school lhe confere título de MBA.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  11. Olá!
    Tenho 20 anos, estava fazendo faculdade de gastronomia aqui no Brasil mas desisti, gostaria de ir para os E.U.A estudar psicologia e então me especializar em Forensic Psychology. Só para ter certeza, eu teria que aplicar para um “college” como undergraduate num curso de psicologia, depois eu teria que fazer uma graduação, depois mestrado, doutorado e pós doutorado em Forensic Psychology? Estava procurando por faculdades e vi que existem muitas diferenças entre “college” “community college” “tech” etc. Como eu estou entrando numa faculdade agora, eu teria que aplicar para uma “university” ou “college”? Você acha que por eu ter completado 20 anos agora seria difícil para entrar num curso de sub graduação nos E.U.A?

    Responder
    • Olá Natália,

      Você não precisa necessariamente ser psicóloga para trabalhar nessa área. O que você precisa investigar bem – e definir quais são seus objetivos – é qual caminho você vai seguir. Existem desde cursinhos técnicos em forensic psychology, até a formação completa com pós doutorado. Esses cursos técnicos que geralmente você vê pela internet não têm nada a ver com psicologia de fato, não formam um psicólogo, e não dão oportunidade de crescimento na carreira (são cursos para pessoas que querem trabalhar nos laboratórios criminais ou como assistentes em investigações).

      Para ser psicológo em si nos EUA, é preciso fazer college (o que equivale a nossa faculdade normal no Brasil) e depois fazer doutorado (não é necessário fazer mestrado antes). É o doutorado que forma o psicólogo. Com essa formação, você pode trabalhar na área criminal se quiser (não é necessário fazer pós doutorado, só se você quiser). Mas você não precisa necessariamente ser psicóloga para trabalhar nessa área. Há pessoas com graduate school em matemática, biologia, direito, entre outras áreas trabalhando em forensic psychology.

      Todas as formações nos EUA exigem um bacharel primeiro (college) que pode ser em qualquer coisa, não precisa ser em psicologia. O college não vale nada, é apenas uma formação básica. Por esse motivo, não adianta muito você fazer psicologia no Brasil. Se fizer letras ou matemática, dá no mesmo. O que importa é a graduate school (mestrado, doutorado, escolas profissionalizantes como medicina e direito). É a graduate school que te dá sua profissão de fato. Então se você quer ser psicóloga e trabalhar nos EUA, foque-se em construir seu currículo para entrada na graduate school (o que é muito difícil e envolve diversas “peças” em um quebra cabeças bem complicado). O começo de tudo isso é a sub-graduação (college). Você pode fazer esse curso no Brasil mesmo ou pode vir para os EUA. Sua idade é irrelevante para a maioria das univerdades, pois 20 anos ainda é muito jovem. É claro que você seria questionada sobre esse gap. O que você fez desde que terminou o ensino médio? Dependendo da sua resposta, algumas escolas poderiam perder interesse em você, mas não pela idade. Contudo, é preciso manter em mente que nos EUA você precisa ser “aceita” nas escolas, o que significa que sua aplicação é avaliada sob vários aspectos, não só notas no ensino médio. Tomar a decisão de fazer college nessa etapa da sua vida pode acabar te atrasando, pois você precisaria de 1 ou 2 anos só para se preparar para poder aplicar – os alunos que estão competindo com você passaram a vida inteira preparando o currículo para o college. Se você não tem muito para mostrar além de boas notas, você está em uma desvantagem enorme, o que reforça a ideia de que é melhor fazer essa faculdade no Brasil e depois aplicar para graduate school quando terminar. Mantenha em mente que graduate school é “tudo sobre pesquisa”, então você precisa demonstrar gabarito científico. Onde quer que resolva fazer sua faculdade, se envolva com pesquisa científica e dê um jeito de publicar (artigos científicos em revistas científicas renomadas).

      Abraços,

      Diego

      Responder
      • Olá Diego!

        Estou encantada com as informações da sua página e também com a sua paciência em responder às perguntas(muitas vezes repetitivas)! Parabéns pelo conteúdo! Me ajudou a esclarecer muitas dúvidas, não só com o artigo inicial, mas também com as respostas que você foi dando para as pessoas.

        Resolvi perguntar algo a partir desse diálogo aqui pois parte das minhas dúvidas foram respondidas. E queria mais “trocar” mais algumas ideias…

        Eu sou psicóloga formada aqui no Brasil e entendi que para eu exercer a minha profissão nos EUA eu preciso do Doutorado. mas para entrar no Doutorado, eu preciso ter alguma publicação científica, nem que seja como quarto ou quinto autor… Até tenho uma bem irrelevante. não é internacional. vou procurar os documentos. Fora isso, não tenho mais nenhum envolvimento com pesquisa. Eu tenho bastante experiência clinica aqui no Brasil, mas entendi que isso não vale nada. Pois nem teria como provar… A não ser que eu mencione isso na carta de intenção da universidade que eu for me candidatar.

        Como não tenho mestrado também, não tenho essa prática de pesquisa. Você acha que eu poderia me oferecer para ser voluntária em pesquisas da área do doutorado que tenho interesse nos EUA, para ai em seguida me candidatar para a vaga em questão e ter mais probabilidade de ser aprovada? Ou já me candidato direto com a cara e a coragem para o Doutorado? A minha questão é permanecer nos EUA, não tenho intenção de voltar para o Brasil, por isso o mestrado para mim não faz diferença. a não ser que seja para obter as publicações… como você mencionou no seu outro artigo “como fazer psicologia nos EUA”.

        Outra questão que você explicou, é que nós estrangeiros não temos direito a ter bolsas nos EUA. Quando você mencionou no seu artigo que nos programas de Doutorado não se paga para as universidades, pois “eles” entendem que é dedicação exclusiva, e o estudante não teria renda, você se referia ao cidadãos americanos certo?? Você mencionou algumas exceções para os estrangeiros. No entanto em um site de uma das universidades que estou procurando , eles falam sobre “Financial aid” e mencionam que os “scholarships, grants” não precisam ser restituídos à universidade. Então nesse caso, essa informação do “financial aid” deve ser para o cidadão americano apenas. E nesse caso, para eu candidatar para o doutorado para uma dessas universidades, eu teria de acessar à área primeiro de candidatura de estudante estrangeiro e depois para doutorado? nada a ver não é?? Estou misturando as coisas… pois sempre fico na dúvida quando vou pesquisar direto nos sites das universidades. pois os sites têm as abas para “academics” e “international students”… entendeu mais ou menos a minha dúvida?

        Vou continuar lendo o seu conteúdo aqui! Muito útil! vou indicar para outras pessoas!

        Att.
        Bárbara

        Responder
        • Olá Bárbara,

          Programas de doutorado são preenchidos por estudantes de diversas nacionalidades, mas somente as universidades voltadas à pesquisa tratam o curso como um “emprego”, ou seja, ao invés de cobrarem, elas pagam salário aos alunos. Cursos profissionalizantes como os com foco clínico são pagos. Isso é algo que você terá que pesquisar faculdade por faculdade. O nome do salário que a faculdade paga se chama “stipend”. Procure por esse termo quando estiver pesquisando. O propósito desse stipend é que a faculdade está pagando para treinar novos cientistas. Se a faculdade treina novos profissionais que irão trabalhar para si mesmos e não retribuir para a comunidade científica, então não tem porque pagar pela educação da pessoa.

          Financial aid é financiamento estudantil e está disponível somente para Americanos ou portadores de Green Card. A maioria dos scholarships e grants também exigem documentação. Em doutorado, muitos grants são dados ao projeto, não ao aluno (é dinheiro para conduzir as pesquisas, não para o aluno pagar contas).

          Existem algumas poucas cujo objetivo é ajudar estrangeiros. Veja essa página:

          http://www.onsf.uconn.edu/find-scholarships/opportunities-for-non-us-citizens/

          Muitos são bem específicos como para alunos com deficiência, por exemplo, ou exigem comprovação de renda baixa no país de origem. Tem que pesquisar bastante.

          Há doutorados e há DOUTORADOS… Se você se candidatar à Harvard, você não precisa de só uma publicação, mas muitas e vasta experiência em pesquisa científica. Se você se candidatar à University of Phoenix eles não exigem praticamente nada, é só pagar e entrar, mas é uma instituição BEM chulé! Então tem que pesquisar e ver o que cabe dentro das qualificações que você. Experiência clínica conta sim, e bastante. Isso deve constar no seu currículo. Se candidatar a uma vaga em doutorado é muito parecido com se candidatar a um emprego, afinal de contas, é um emprego!

          Para pesquisar em cada site, depende muito de como os sites estão organizados. Algumas universidades colocam todas as informações dentro da pasta do programa específico. O risco de pesquisar na página da entrada de alunos estrangeiros é que você provavelmente estará vendo dados para entrada de alunos para o college, não doutorado. Então, ao procurar, tenha certeza de que as informações são pertinentes aos alunos da graduate school, não undergraduate.

          Mestrados terminais são também opções para elevar sua experiência com pesquisa se você quer entrar em melhores universidades e eles podem ser feitos em 2 anos. Isso também corta o tempo do doutorado (que geralmente inclui o mestrado). Contudo, esses cursos devem ser pagos, não há stipend, e ajuda para estrangeiros é bem escassa.

          Esse processo de entrada no doutorado é igual no Brasil. Então, se você conseguir conversar com alguém aí que tenha passado por esse processo, você pode obter um insight maior para dentro desse “mundo”. Muitos alunos voluntariam por meses (ou anos) nos departamentos dos professores com quem eles querem trabalhar no doutorado (ou pelo menos na mesma área). Mantenha em mente que apesar de desejar fazer psicologia clínica, você precisará ter uma área de pesquisa. Escolha essa área e se predisponha a ajudar nos departamentos da federal, estadual ou PUC na sua região. Assim você ganhará muita experiência com pesquisa, algumas cartas de recomendação (que são importantíssimas), e maior insight sobre como funcionam os programas de doutorado.

          Abraços,

          Diego

          Responder
        • Olá Bárbara,

          Estou um pouco confuso… lembro da sua pergunta, mas vejo aqui que não postei uma resposta. Não me lembro se respondi em outro local. De qualquer forma, vou responder agora. Espero que você ainda esteja precisando dessas respostas!

          Há várias questões pra discutirmos aqui:

          – Se você não tem experiência em pesquisa científica (não só publicações, mas trabalhar ativamente em algum laboratório de um professor de doutorado), você precisará fazer mestrado antes de se candidatar ao doutorado para obter esse tipo de experiência e publicações. A Harvard Extension School oferece um programa excelente de mestrado em psicologia e o processo seletivo é “democrático”, ao contrário de todas as outras escolas.

          – Sua experiência clínica conta sim. Ao se candidatar a um doutorado, você enviará um tipo de currículo para a universidade e a avaliação é muito parecida com um emprego convencional (afinal de contas, doutorado É um emprego!). Experiência profissional é uma das “peças do quebra-cabeças” nessa análise. No caso, alunos Americanos não tem essa experiência clínica direta, mas possuem outros tipos de experiências profissionais na área.

          – Permanecer nos EUA é uma coisa completamente diferente. Se você não tem cidadania Americana, após terminar o curso você precisa voltar para o seu país de origem. A única forma de permanecer é conseguir uma posição de pesquisadora em uma universidade ou emprego propriamente dito (o que não é fácil na atual conjuntura do país). Você não poderia abrir seu próprio consultório, pois não teria autorização para trabalhar no país sem que um empregador aplique para o seu visto de trabalho.

          – Financial aid é só para Americanos e portadores de Green Card. Contudo, não é necessário financial aid para doutorado (apenas para mestrado, que você pode fazer no Brasil, se for o caso). Doutorado não é um curso, é um emprego, e é remunerado, seja você Americana, Japonesa, ou Brasileira! Se você for aceita em um doutorado decente (que não uma “enganação” como University of Phoenix, por exemplo) você não precisará pagar nada e terá uma bolsa chamada de stipend, que é o salário que você recebe para sobreviver, enquanto dedica 100% do seu tempo para a pesquisa que você está desenvolvendo no doutorado (sua tese).

          Essas abas para internacional students, financial aid, etc., nos sites das universidades se aplicam aos cursos de undergraduate (faculdade), e em alguns casos, mestrado. Doutorado é um esquema completamente diferente. Procure sempre as abas de “graduate school” nos sites para evitar se confundir com as informações para alunos de faculdade. Em muitos casos, os sites dos cursos graduate (mestrado e doutorado) são independentes do site da univerdade em si e cada área tem seu site e sua escola independente. Por exemplo, Harvard tem mais de 15 sites diferentes para todas as suas escolas: College, FAS (artes e ciências), GSAS (Graduate School of Arts and Sciences), SEAS (Engenharias), etc.

          Abraços,

          Diego

          Responder
        • Se me permite, gostaria de também dar a minha opinião para te ajudar.

          O que o Diogo disse sobre trabalhar em algum laboratório é a coisa mais importante para entrar em um doutorado. É assim no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Se você quer fazer doutorado no Brasil, você primeiro procura um professor com quem você tem interesse em trabalhar, tem interesse na pesquisa dele, e se oferece para voluntariar no laboratório dele. Faz isso por 6 meses, 1 ano ou mais. Nesse tempo, procura se envolver com os alunos desse professor (alunos de mestrado e doutorado) que estão escrevendo teses e dissertações (eles estarão publicando artigos durante esse período). Se ofereça para ajudar e seu nome constará na lista de autores. Pronto, você tem suas publicações. É impossível entrar em qualquer doutorado que preste, em qualquer lugar do mundo, sem esse tipo de experiência. A dica do autor de fazer mestrado primeiro também pode te beneficiar, pois lhe dará oportunidade de trabalhar com um professor e também dará oportunidade de publicar artigos.

          Também reinforço a ideia de procurar o site certo para o curso que você quer fazer, pois nunca é o site principal da universidade (que geralmente é pro college, não pro doutorado). Cada doutorado pertence a uma escola específica e cada uma tem seu site. Para isso você deve descobrir primeiro o nome da escola que é responsável pelo departamento de psicologia dentro da universidade em que você está interessada (geralmente é a escola de artes e ciências ou ciências sociais).

          Também te dou a minha opinião sobre fazer doutorado com a intenção de ficar nos EUA. Muito difícil… principalmente se sua intenção é clinicar. Como o autor respondeu, você não terá direito, ao se formar, de abrir seu próprio consultório, pois não tem autorização para viver e trabalhar nos EUA. Nessa área, praticamente a única saída para não ter que ir embora depois de terminar o curso é pegar uma posição acadêmica (de professor auxiliar/adjunto, pesquisador) ou emendar com pós-doutorado. De qualquer forma, você jamais poderá clinicar se não obtiver seu Green Card e posterior cidadania, e nesse caso, o caminho mais rápido e direito é se casar com um Americano. Se isso é possível na sua situação, você pode até considerar que após 6 a 9 anos (doutorado + pós-doutorado) você poderá ficar a abrir seu consultório pois estará casada com Americano e terá sua autorização de trabalho.

          Abraços e boa sorte! Desejo que as coisas funcionem do jeito que você quer!

          Carlos Machado

          Responder
  12. Olá, em primeiro lugar, quero parabenizá-lo pela excelente matéria, foi muito útil para tirar algumas das minhas dúvidas sobre o assunto!
    No entanto, tenho dúvidas sobre engenharia, já que você falou mais sobre medicina, direito, psicologia,etc. Estou indecisa entre dois cursos ( Eng. Química e Eng. Aeronáutica), prestei vestibular para Eng. Química e estou estudando para Aeronáutica, após concluir uma dessas “graduações” pretendo estudar nos EUA. No meu caso, terei que aplicar para “college” ou diretamente “grad school” ? Obrigada!

    Responder
    • Olá Joyce,

      Engenharia não é grad school, é college. Graduate school na área de engenharia é só mestrado e doutorado. Depois de obter seus diplomas o que você quer fazer nos EUA? Outra faculdade, mestrado, doutorado, pós?

      Abraços,

      Diego

      Responder
      • Ah, esqueci de mencionar minha pretensão, haha
        Pois bem, como já terei diplomas de graduação (undergrad ), seria possível fazer outra faculdade relacionada a área ? Ou mestrado e posteriormente doutorado seriam a melhor opção? Se eu optasse por fazer mestrado, seria “obrigatório” doutorado assim como em psicologia e outros cursos?

        Responder
        • Olá Joyce,

          Com um diploma de undergrad (que é o college propriamente dito), você pode fazer o curso que quiser. Com relação ao mestrado e doutorado, as melhores faculdades geralmente não oferecem mestrado. Os alunos entram direto do college no doutorado e o título de mestre pode ser tirado opcionamente em algum ponto do doutorado. Cursos de mestrado terminais, como são chamados, são ocasionalmente oferecidos, principalmente para fins profissionais e não acadêmicos. A questão do doutorado em psicologia é que é apenas o doutorado que forma o psicólogo, mas em engenharia isso não acontece. Engenheiro é quem tem college de engenharia, então com esse diploma, você pode fazer o curso que quiser de acordo com as suas necessidades profissionais e acadêmicas.

          Abraços,

          Diego

          Responder
  13. Olá. Parabéns pela página. Tenho um filho de 15 anos, cursando o primeiro ano do ensino médio. Este ano estará formando-se no curso de inglês e fará a prova Toefl. Assim que terminar seu ensino médio, pretendo inscrevê-lo em um dos cursos de inglês oferecidos por faculdades americanas. Minha pergunta é sobre os melhores períodos e requisitos para ingresso em um destes cursos de verão.

    Responder
    • Olá Hélio,

      Infelizmente eu não tenho esse tipo de informação. Eu apenas sei como funciona o sistema educacional nos EUA, o que me levou a escrever esse artigo aqui em meu blog. Mas é só isso… O que eu recomendo é entrar diretamente nos sites das faculdades e se informar, pois todas as instituições que oferecem esse tipo de curso explicam tudo, em detalhes, em seus respectivos websites.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  14. Olá! Eu tenho duas dúvidas. Tenho 15 anos e estou entrando no primeiro ano do ensino médio, sempre tive a vontade de fazer um programa de intercâmbio e estou juntando, junto com os meus pais, dinheiro para realizá-lo no terceiro ano, ou seja, fazer o 12th grade da high school nos EUA. Minha primeira dúvida é, durante o intercâmbio eu posso aplicar pra faculdades nos EUA? E minha segunda dúvida é, pretendo aplicar pra Harvard Medical School, eu poderia fazer o College da Harvard e, após acaba-lo, aplicar pro HSM?

    Responder
    • Olá Bárbara,

      A medical school exige que o aluno seja Americano ou tenha Green Card. É o seu caso? Se não, sua situação cai em muitos casos que já foram avaliados aqui no site. É melhor fazer medicina no Brasil e depois aplicar para residência nos EUA se o que você quer é morar aqui. O Harvard College não oferece nenhuma vantagem para entrada na Harvard Medical School (as duas escolas não possuem qualquer relação). Você pode aplicar para o college de onde estiver, no Brasil, ou fazendo intercâmbio, conquanto preste o SAT (equivalente ao ENEM) e preencha outros pré-requisitos como atividades extra-curriculares.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  15. Olá Diego. Obrigada pelos esclarecimentos. Como um dos colegas que já te escreveu, também sou norte americana. Vivi no USA por quinze anos. Fiz o ensino médio e uma faculdade de direito no Brasil. Tenho vontade de exercer a atividade jurídica nos Estados Unidos, especialmente na área de direito internacional, com enfoque em direito de imigração.

    Estou com algumas dúvidas:

    1) Eu entendi que um boa parte das profissões no USA exigem, para além do college (undergrad), também o grad school, como é o caso do Direito. Somente para fins de esclarecimentos, gostaria que me corrigisse se estiver errada. O aluno, portanto, no USA, tem a opção de percorrer as seguintes “instâncias” acadêmicas: elementary school – middle school – high school – college – grad school – mestrado em programa de doutorado – doutorado e assim sucessivamente. Correto?

    2) É também possível dizer que o aluno que conclui o grad school pode também fazer o “mestrado terminal”, que é um mestrado excluído do programa de doutorado, correto?

    3) Hipoteticamente, portanto, eu, formada em Direito no Brasil, teria (quem me dera RS) quatro possíveis opções: i) ingressar no grad school; ii) entrar num mestrado não inserido no programa de doutorado (como a Harvard Extension Shcool); iii) entrar num mestrado inserido no programa de doutorado (como a GSAS de Harvard); iv) ingressar em alguma escola de extensão, como a pós-graduação strito sensu e as escolas de verão. É correto eu dizer isso também?

    Diego, MUITO OBRIGADA!!!!!

    Responder
    • Olá Amanda,

      Mestrado e doutorado também são grad school e estão acessíveis já após o college. Nos EUA raramente o aluno faz mestrado antes do doutorado. O mestrado é mais para profissionais e o doutorado para ser professor e pesquisador. O aluno não precisa concluir a grad school para entrar em um mestrado, ele só precisa do college pra isso.

      Como bacharel em direito no Brasil, você pode fazer qualquer coisa. Pode entrar em mestrado, doutorado, law school, ou pós-graduações e extension schools.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  16. Olá Diego, muito obrigada pela rapidez na resposta. Estou desde muito cedo fazendo pesquisas para começar a selecionar algumas universidades.

    Após um pouco mais de tempo de leitura dos seus textos e de suas respostas, conclui que grad school abrange os cursos profissionalizantes, como Direito e Medicina, mestrado e doutorado. Muito obrigada.

    Estou com algumas outras dúvidas rs Quanto mais a gente pesquisa, novas dúvidas acabam surgindo. Eu não consegui compreender muito bem a diferente entre a Harvard Extension School e a GSAS. Ambas oferecem undegrad e grad school?

    A Harvard Extension School não é o mesmo de extension schools, né?

    Responder
    • Oá Amanda,

      A Harvard Extension oferece undergrad e graduate, mas é a “escolinha noturna de Harvard”, o patinho feio. Não tem o glamour da GSAS, nem é tão respeitada. Os Americanos simplesmente não entendem o processo democrático de seleção da HES e acham que é uma escolinha de meia tigela, uma “falsa Harvard”. Ser aceito na GSAS é um “big deal” como os Americanos falam, ser aceito na HES não é nada demais. E sim, a Harvard Extension é uma extension school, uma escola de “continuing education”. Há muito preconceito em todos os EUA em relação a escola que aceitam “adultos” (alunos com mais de 23, 24 anos) nos cursos de undergrad ou que oferecem cursos à noite.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  17. Olá Diego,
    Tudo bem?

    Eu sou psicóloga. Me formei no Brasil em Dezembro de 2014.

    Vou morar nos EUA com o meu marido, especificamente na cidade de Hornell e gostaria de continuar atuando como psicóloga clínica.

    Vamos com o visto de trabalho devido a transferência da empresa Brasileira para a empresa Americana.

    Eu vi que como já tenho a graduação brasileira eu não preciso fazer o “College” mas, para atuar como psicóloga clínica ou hospitalar eu preciso cursar um Doutorado.

    Você poderia me ajudar indicando alguma escola que ofereça o Doutorado em Psicologia?

    Desde já agradeço!

    Seu site está excelente. Parabéns!!

    Responder
    • Olá Natália,

      Eu não conheço todas as escolas que oferecem doutorado em psicologia nos EUA! Isso é algo que você tem que procurar em relação ao estado em que você vai morar. Contudo, mantenha em mente que é dificílimo conseguir ser aceita nesses programas. Talvez você precise de anos de educação ainda só para se qualificar para a graduate school, não é algo que é automático porque você já tem um diploma em psicologia. De fato, para as faculdades aqui, isso é totalmente irrelevante. Ter participado de pesquisas científicas e publicado (como segunda, terceira, quarta, etc. autora) em journals é muito mais importante do que seu diploma em psicologia.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  18. Olá Diego, tudo bem?

    Consegui compreender. Estou em contato com um programa chamado EDUCATIONUSA. Estou conseguindo obter bastante informações com você e com os funcionários do programa que comentei. Enfim, obtive a informação de que, por ser formada no BRASIL, é melhor que eu tente aplicar para o LLM. Não consegui decifrar o que é o LLM dentro da estrutura acadêmica norte americana rs

    1) Você consegue me explicar o que é o LLM e como ele se classifica dentro do ensino norte americano? Percebi que em Harvard existe o LLM.

    2) O LLM de Harvard é bem visto?

    3) É necessário fazer o LSAT para o mestrado e para o LLM?

    Obrigadíssima!

    Responder
  19. Ola , Diego Meille.
    Primeiramente meus parabéns pelo artigo bem explícito.
    Eu tenho 18 anos e nesse ano (2017)farei o ENEM(Exam
    e Nacional do Ensino Médio ), é possível eu lançar notas desse exame e conseguir bolsas em Harvard, Stanford, Yale e Columbia?

    Responder
    • Olá Kássia,

      Eu não quero te dar um banho de água fria, mas vou acabar dando! Eu prefiro ser sincero e realista aqui para ajudar meus leitores a terem reais chances de entrar em uma instituição de ensino nos EUA. Em primeiro lugar, é preciso manter em mente que o processo de seleção Brasileiro, que envolve o ENEM, não tem qualquer relação com o processo de seleção das universidades Americanas. Por esse motivo, sua nota do ENEM é totalmente irrelevante para sua aplicação em qualquer escola nos EUA. Você precisa prestar o SAT, que é o ENEM nos EUA. O SAT pode ser prestado no Brasil, se informe procurando no Google.

      Outro ponto, bolsas são raras. Mesmo os Americanos tem muita dificuldade para conseguir, principalmente nas universidades que você mencionou. Estrangeiros então, só se você for uma aluna extremamente excepcional – e não estou falando apenas de notas na escola! Alunos excepcionais são “estrelas”, jovens que fundaram ONGs, empresas, possuem medalhas olímpicas, ou fizeram algo muito notável. Alunos “normais”, ou seja, alunos que apenas possuem notas excelentes e nada mais não ganham bolsas nessas escolas.

      É importante compreender a complexidade do sistema de seleção nos EUA, pois como no Brasil é tudo uma questão de quem tem a nota do ENEM mais alta (ou vestibular) vejo que os alunos têm muita dificuldade de entender que, nos EUA, notas são apenas uma peça no quebra-cabeças. Há muitos outros itens que são levados em consideração, principalmente nas escolas top. Isso só com relação à admissão, sem falar nas bolsas. Esportes, por exemplo, são muito importantes para as escolas que vocêr mencionou e geralmente quem ganha bolsa, ganha justamente porque joga um determinado esporte e entra no time universitário.

      Recomendo que você estude um pouco mais sobre o processo seletivo das univerdades Norte-Americanas, tire da cabeça a possibilidade de receber bolsa (o que é muito improvável que aconteça) e amplie sua meta para outras univerdades “menos conhecidas”.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  20. Olá, me formo em Teologia (bacharelado normal) no final deste ano e pretendo iniciar Odonto mais adiante.
    Gostaria de saber se posso tentar uma pós em Odonto nos EUA, tendo como formação brasileira a Teologia? Ou é melhor que eu me forme em Odontologia aqui e depois tente fazer uma pós em Odonto lá nos EUA?

    Desde já agradeço

    Responder
    • Olá Ivy,

      Não lembro se já tinha respondido sua pergunta, ela ficou perdida aqui.

      Só é possível fazer pós em odonto se você é dentista! Afinal de contas, de que vale uma pós em odonto para uma pessoa formada em teologia? Não entendi se sua pergunta está relacionada à entrada na dental school propriamente dita ou se você se refere a fazer uma pós graduação no estilo das pós no Brasil (foi isso o que eu entendi). Sobre a entrar na dental school (graduate school), é possível entrar tendo formação (undergraduate, college) em qualquer coisa, contudo, é preciso ter feito as matérias pré-dental, da mesma forma como ocorre na entrada em medicina. É preciso ter uma média (GPA) em ciências. Como teologia não tem nenhuma matéria científica você precisaria fazer todas elas, o que é equivalente quase a outra faculdade inteira.

      Abraços,

      Diego

      Responder
    • Olá Marina,

      Acredito que você tenha feito essa pergunta antes de ler o artigo sobre engenharia, certo? Como explico lá no outro artigo, engenharia é college, não precisa de nada para entrar e dura apenas 4 anos nos EUA. Caso tenha mais alguma dúvida sobre engenharia, pergunta lá no outro artigo para que a discussão fique mais organizada!

      Abraços,

      Diego

      Responder
  21. Olá diego,

    Faço direito em uma faculdade aqui no Brasil, ao termino deste ano irei pra EUA como funcionaria para eu terminar minha faculdade? Simplesmente uma transferência para uma faculdade de minha preferência? Ou aquela que eu seria aceita? Ou eu teria que trancar minha faculdade em direito? Por que não domino muito bem o inglês! Teria que fazer um curso primeiro depois iniciar a faculdade novamente? Parabens pelo texto um pouco desmotivador para os brasileiros mas muito esclarecedor!!

    Responder
    • Olá Amanda,

      É preciso compreender primeiro que existe um grupo de cursos que nos EUA são “graduate school”, ou seja, o equivalente à pós-graduação no Brasil. Esse é o caso de cursos como medicina, odonto, veterinária, farmácia, e no seu caso, direito. Sendo assim, não é possível simplesmente “transferir” a faculdade, pois o curso no Brasil não é equivalente ao curso nos EUA. Além disso, os cursos de direito no Brasil e nos EUA são fundamentalmente diferentes, pois o sistema legal no Brasil segue o direito Romano, enquanto os EUA segue o sistema inglês. Do ponto de vista das escolas nos EUA, o que você está fazendo agora é chamado de “undergraduate”, ou uma “sub-graduação”. Somente após obter um diploma de sub-graduação é que você pode se candidatar a uma vaga em uma faculdade “graduate” como direito. Ou seja, você precisa terminar uma faculdade, seja essa de direito ou qualquer outra para que você obtenha seu bacharel. Com esse diploma em mãos, aí sim você pode aplicar para uma faculdade de direito nos EUA. Como os alunos, nesse caso, já possuem um curso superior, o curso de direito nos EUA tem duração de apenas 3 anos. Contudo, observe que o processo seletivo das escolas de direito é bem extenso e complicado. Não é só fazer um teste como no Brasil (vestibular/ENEM), nem é uma questão de simplesmente fazer a matrícula. Não existe “transferência” na faculdade de direito, o aluno sempre precisa começar do zero.

      Você precisa passar anos preparando sua aplicação com trabalhos voluntários, experiência profissional, notas excelentes no curso superior, e também terá que prestar um teste chamado LSAT (que exige total domínio da língua inglesa, principalmente a capacidade de se expressar muito bem de forma escrita), e também precisará enviar resultados de um dos 3 principais testes de fluência na língua inglesa (TOEFL, IELTS, ou Cambridge).

      Se você não domina o inglês, essa é a primeira meta para você. Não é possível entrar em um curso, nem seguir o material de uma faculdade nos EUA sem ter um bom conhecimento da língua, principalmente a capacidade de produzir artigos (essays, papers), que são a fundação da educação nos EUA.

      Há um artigo aqui no site sobre a faculdade de direito e também outro sobre como escrever um paper ou essay. Eles podem te ajudar bastante.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  22. Olá Diego,

    Então, o que eu gostaria de saber é, eu quero cursar psicologia e queria fazer o curso nos Estados Unidos. O que eu não entendi é, eu tenho como fazer o college lá e depois me especificar em psicologia lá mesmo, ou eu tenho que fazer um curso aqui e só posso fazer a pós-graduação lá?

    Obrigada,
    Lara

    Responder
    • Olá Lara,

      College é equivalente a faculdade no Brasil. No seu caso, a melhor estratégia vai depender de onde você quer trabalhar depois de formada (no Brasil ou nos EUA), lembrando que fazer um curso superior nos EUA não dá direito de permanecer no país trabalhando após o final do curso. O college de psicologia (college com “major” em psicologia, na linguagem usada pelos Americanos) é completamente inútil nos EUA. Uma pessoa com esse diploma não consegue emprego na área, nem pode clinicar. Contudo, como college é equivalente à faculdade no Brasil, se sua intenção é voltar, você pode pedir equivalência de diploma e praticar psicologia no Brasil com esse diploma de college (você economiza 1 ano, pois college é 4 anos, enquanto a faculdade de psicologia no Brasil é 5 anos e, nas melhores faculdades, período integral).

      A verdadeira “faculdade de psicologia” nos EUA é o doutorado (isso não é uma especialização, é “o curso” em si. Nos EUA, muitos cursos não estão disponíveis no nível de college/faculdade. Esse é o caso da psicologia. Não se confunda ao ver psicologia disponível como college. Esse diploma não tem validade do ponto de vista da prática da profissão). É o doutorado que permite a prática da profissão no país, contudo, nessa área específicamente, sem ser Americana ou ter Green Card, esse esforço pode ser em vão já que após terminar o doutorado, o aluno precisa voltar para o seu país de origem. Não é possível abrir um consultório e clinicar sendo estrangeiro (sem Green Card). Uma saída se sua intenção é permanecer nos EUA é continuar na academia, tanto como professora ou pesquisadora, quanto com pós-doutorado.

      Pós-graduações lato sensu (que não emitem diploma, apenas certificado) podem ser feitas livremente, sem qualquer processo de admissão, só fazer a matrícula e pagar. Esses cursos estão disponíveis, assim como no Brasil, após você terminar seu college/faculdade, não importanto se fez o curso no Brasil ou nos EUA. Voltando ao Brasil, essas pós-graduações carregam um bom peso. Nos EUA, elas não são muito valorizadas nessa área da psicologia.

      Há um artigo aqui no site só sobre estudar psicologia nos EUA: http://www.guiadavida.com.br/educacao/estudar-no-exterior/como-fazer-psicologia-nos-estados-unidos.htm

      Abraços,

      Diego

      Responder
      • Nossa! Muito obrigada mesmo!! Não esperava conseguir ajuda assim tão rápido! Vou continuar pensando…
        Mas muito obrigada mesmo!! 🙂

        Abraços,
        Lara

        Responder
  23. Gostaria de saber mais sobre os credits.. pretendo fazer master em Boston e sou recem formada em engenharia civil. Como saber se tenho os credits? É feito através da tradução do histórico ou é uma prova? Desculpa não vi se tem algum post específico para esse assunto.
    Também gosto pagaria de saber se vc tem algum post ou alguém para me indicar que saiba me informar os documentos necessários para trabalhar como engenheira civil na América .. preciso necessariamente validar o meu diploma? Se sim como válido?
    Só para fins de resposta mais adequada não estou sobre o visto e sim do green card.
    Muito bom o artigo ?

    Responder
    • Se você se formou você tem todos os credits para fazer mestrado… Essa coisa de credits é mais importante só se você está transferindo de uma faculdade pra outra (antes de terminar). Não entendi por que você está tão preocupada com isso! Se você fosse fazer mestrado em OUTRA área, aí sim isso seria um problema pois como foi explicado acima, cada matéria tem seus prerequisitos e talvez você não tenha credits para fazer alguma coisa ou outra. Por exemplo, você fez eng civil, mas quer fazer mestrado em mecânica, aí vai ter matérias que você não tem prereq pra cursar. Nesse caso, você teria que fazer na própria faculdade essas matérias a nível de undergraduate para se qualificar para fazer a matéria do mestrado. Se o mestrado que você quer fazer é em civil, não há nada com que se preocupar.

      Agora, talvez sua dúvida seja sobre a aplicação do mestrado… No caso, cada área tem sua prova específica. Administração tem o GMAT, medicina tem o MCAT, direito tem o LSAT. Você tem que ver no site da univerdade em que quer entrar qual o standarized test que é requerido. Isso, contudo, não tem nada a ver com credits…

      Responder
    • Olá Tatiane,

      Credits referem-se à quantidade de “créditos” que é relativo às horas-aulas que cada curso que você completou vale. Quando você visita um site de uma escola nos EUA, você consegue ver quantos credits cada curso conta. Geralmente você precisa de um número X de credits para se formar e pode compor sua grade da forma como quiser até completar ou passar desse número.

      Quando você aplicar para uma graduate school nos EUA, seu histórico traduzido e interpretado será avaliado e cada escola determinará da forma como quiser quantos créditos elas vão te dar para cada aula que você cursou. No caso de fazer graduate school, isso não é super, hiper importante, pois o que será avaliado é que você cursou engenharia civil em uma faculdade equivalente a uma univerdade nos EUA e que seu diploma é “acredited”. Isso seria mais importante se algumas matérias precisam ser consideradas como pré-requisitos para fazer outras mais avançadas. Nesse caso, você precisa provar que tem “credits” suficiente para seguir em frente. Por exemplo, para fazer termodinâmica, o aluno precisa de credits em cálculo I, e física I e II. Mas não acredito que isso seja muito importante no caso de engenharia civil, pois se você se formou, é subtendido que você tem todos os créditos para fazer mestrado, ou seja, você teve todas as matérias científicas básicas e relativas à profissão de engenharia civil. Essa sua preocupação com credits, na realidade, na sua situação, é infundada.

      Para traduzir e interpretar seu histórico e diploma você precisa ter o cuidado de verificar quais as instituições que são aceitas pela graduate school que você escolher. Não traduza em seu país e não use qualquer serviço que encontrar na internet. Por exemplo, Harvard (e praticamente todas as universidades em Massachusetts) só aceita documentos traduzidos por uma empresa chamada CED. Se o aluno apresentar histórico traduzido por outra empresa, isso não é aceito.

      Essa questão de “validação de diploma” não é tão assustadora quanto parece! Não ficou claro se você é Brasileira, Portuguesa, ou de outro país de língua Portuguesa. Mas o que sei do Brasil é que validar um diploma no Brasil é um parto (se você se formou em outro país). Nos EUA não é assim… Basta traduzir seu diploma com um serviço como CED (procure no Google por CED translations). Com esse documento traduzido em mãos você pode procurar emprego normalmente. Não há nenhum processo específico de validação em engenharia (como há em medicina, por exemplo). De fato, engenharia (todas as áreas) é o melhor curso para trabalhar em qualquer lugar do mundo sem qualquer problema ou “etapas” para passar. Se você tem Green Card, melhor ainda, mas nesse caso de engenharia, é bom mencionar para outros leitores, que mesmo com visto, é possível ser contratado nos EUA, pois há uma carência grande de profissionais nessa área.

      Boa sorte!

      Abraços,

      Diego

      Responder
    • Olá Lisiane,

      Fazer doutorado nos EUA não lhe dá o direito de morar e trabalhar no país. Você pode até fazer psicologia (em qualquer país), depois fazer doutorado nos EUA, mas teria que voltar ao seu país de origem (ou ir para outro lugar) após terminar o programa. Não entendi qual o seu objetivo, você quer viver e trabalhar nos EUA? Ou quer apenas fazer doutorado na area para voltar ao Brasil? Também não entendi a pergunta sobre intercâmbio. O que intercâmbio tem a ver com a formação de psicologia? Se você me der mais informações sobre suas metas o que tem em mente para o seu futuro, quem sabe posso te dar uma resposta mais completa.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  24. Olá, adorei o artigo bem esclarecido.
    A minha dúvida é, estou terminanos meu ensino médio daqui 2 anos, pretendo fazer meu 1 ano de faculdade de medicina veterinária e terminar no exterior….Eu consigo? Obs: tenho amigos onde posso me estabelecer (morar).

    Responder
    • Olá Giovanna,

      Não é possível começar medicina veterinária em uma faculdade e terminar em outra. Muitas escolas não permitem isso e as que permitem acabam exigindo que você refaça uma série de matérias. Não vale a pena, você adiciona 1 ou 2 anos ao total do curso. O ideal é você completar a faculdade no Brasil e depois ir para outro país fazer pós, mestrado, ou doutorado.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  25. Olá, Boa tarde! Eu tenho 16 anos, farei 17 em agosto. Gostaria de saber se eu fizer uma pós graduação aqui no Brasil e depois de terminar, poderei ir para os EUA com a pós para entrar no college?

    Responder
    • Olá Victória,

      Pós-graduações são extremamente desvalorizadas nos EUA e não adicionam nada ao seu currículo. Veja que quando falamos que um curso ou outro como medicina e direito são “como pós-graduação”, nós estamos apenas alertando o leitor para o fato de que o curso requer uma formação acadêmica prévia, não que o curso seja de fato “pós-graduação”. College é faculdade. Você entra no college após terminar o ensino médio, então sua pergunta é um pouco confusa. Você quer fazer faculdade, pós, e depois vir para os EUA para fazer outra faculdade? O college é apenas necessário fazer uma única vez, fazer dois colleges só vale a pena quando a pessoa está mudando de carreira como de psicologia para engenharia. Talvez esteja faltando um pouco de compreensão de como o sistema educacional funciona, pois acho que você está fazendo confusão!

      Abraços,

      Diego

      Responder
  26. Primeiramente, parabéns pelo texto! Muito detalhado e explicativo. Tenho 23 anos, acabei de me graduar em Administração em uma universidade federal.
    Meu namorado é cidadão americano e mora em Massachussets. Estou querendo ir para lá no ano que vem e queria trabalhar na minha área. Como sei que é difícil, penso em estudar primeiro, pelo que li o correto seria fazer uma extension school ou graduate. Tenho bastante interesse em data analysis, marketing, business analysis ou algo assim. Porém, o investimento é muito alto, estava pesquisando alguns cursos e vi que você paga o anual logo de cara (torno de 70 mil dólares). Qual a minha melhor opção? Que cursos me habilitariam a trabalhar? Consigo bolsa mesmo não tendo excelência acadêmica (formei com média 6,8)? Como devo me planejar? Desde já agradeço!!!!!!

    Responder
    • Olá Aline,

      Cursos de pós-graduação não dão bolsa nem financiamento (nem para Americanos), esses cursos sempre são pagos. A saída no seu caso seria um programa de PhD (que não é um curso, mas sim um emprego e paga salário), contudo com a sua média de notas, seria impossível ser aceita em um programa de PhD chamado de “funded”, aquele tipo que você recebe bolsa ao invés de ter que pagar. As notas necessárias para entrar nesses programas são perto de GPA 4.0, ou seja, o aluno que nunca tirou um 8.5! Nenhum curso, contudo, te habilita a trabalhar. Qualquer curso que você faça lhe dará visto de estudante para permanecer no país (sem poder trabalhar) durante o período do curso. Após o término, você deve voltar ao seu país. Nessa área de administração, ser contratado por uma empresa que te dê visto de trabalho é muito difícil, já que esse é um diploma comum. Esse tipo de visto geralmente é dado para profissionais da área da saúde (médicos, farmacêuticos, fisioterapeutas) e engenheiros da área tecnológica (computação, química, mecânica).

      Se seu namorado é cidadão, outra alternativa seria vocês se casarem e ele pedir Green Card para você. Nesse caso, você pode aplicar para um mestrado terminal (profissional) e pode receber financiamento estudantil (em raros casos, bolsa) e com notas perfeitas nesse mestrado, você poderia aplicar para um doutorado com bolsa.

      Abraços,

      Diego

      Responder
    • Olá Suellen,

      Física é um college, não é graduate school, ou seja, é uma faculdade normal como no Brasil. Contudo, para trabalhar na área você precisa ter mestrado e, em muitos casos, doutorado.

      Abraços,

      Diego

      Responder

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