Eu acabei de ler o livro fascinante de Tim Wilson, Strangers to ourselves: Discovering the adaptative unconscious (Estranhos perante nós mesmos: descobrindo o inconsciente adaptável, numa tradução aproximada – o livro ainda não foi publicado em português). Trata-se de uma sinopse sucinta de uma série de pesquisas científicas que dizem em alto e bom tom: na maior parte do tempo, nós não sabemos por que fazemos o que fazemos. Além disso, não sabemos tanto sobre nosso futuro como acreditamos saber.

Contudo, como o próprio Wilson diz, esses fatos não deveriam nos deprimir, nem fazerem sentir-nos “encurralados”. Pelo contrário: como somos criaturas inteligentes e capazes de julgar a nós mesmos, podemos aprender muito a respeito de nós mesmos e planejar nossos passos de acordo com o que somos. Vamos ver alguns exemplos de como agir de acordo com previsões de seu próprio comportamento:

1. As pessoas não são muito boas em prever como se sentirão no futuro, especialmente perante acontecimentos negativos. Elas tendem a superestimar o sentimento ruim que terão quando se depararem com eventos desagradáveis. Se você perguntar a um trabalhador como ele se sentiria se perdesse o emprego, ou a alguém como ele se sentiria se perdesse alguém que ama, as respostas serão extremas. Eles falarão em meses ou até mesmo anos de devastação e tristeza. E eles estariam errados. Certamente, haveria alguns momentos em que eles não se sentiriam muito bem, até mesmo extremamente tristes. Mas eles superariam. Nós somos criaturas extraordinariamente resilientes, mas tendemos a subestimar o poder dessa força interna.

2. Não é um exemplo do livro de Wilson, mas certamente um dos que mais tocam meu coração: as pessoas não são boas em prever em quanto tempo conseguirão realizar as coisas. Minhas pesquisas e pesquisas de diversas outras pessoas indicam esse quadro repetidamente. Nós tendemos a imaginar nosso futuro cor-de-rosa, um lugar onde nada de ruim acontece. Nós temos esse pensamento sempre.

Pois é. Parece que, de certa forma, estamos mesmo “encurralados” quando o assunto é prever nosso futuro.

Mas…

Podemos, sim, aprender essa tendência e corrigi-la (embora não completamente). Essa é a coisa mais fantástica de ser humano. Nós podemos aprender sobre nós mesmos e crescer.

Aprender que você é mais forte do que parece deve dar a você um empurrão para ser um pouco mais ousado, mais aventureiro. Talvez você vá finalmente puxar papo com aquela pessoa por quem você se sente atraído. Ou quem sabe você vai tirar aquele livro que escreveu e guardou na gaveta e enviar para algumas editoras. Em ambos os casos, a rejeição (se acontecer) vai doer, mas nem tão forte e nem por tanto tempo quanto você imagina.

Além disso, compreender que suas previsões com relação às conquistas de seus objetivos e suas realizações não são tão precisas como você pensa deve ajudá-lo a ser mais cauteloso com suas próprias previsões. Pense nos obstáculos. Nas interferências. Na possível falta de motivação…

Então, sim, há momentos em que somos estranhos perante nós mesmos. Entretanto, pelo fato de sermos humanos, as coisas não são tão frouxas assim. Nós podemos nos “auto-estudar”, aprender sobre nós mesmos, ver nossos padrões de comportamento e corrigir nossas ações de acordo com tudo isso. Você pode nunca se livrar da sensação de que a rejeição é a “pior coisa que já aconteceu na sua vida”, mas você pode começar a se arriscar mais mesmo assim.

O risco maior é ficar parado e não tomar uma decisão porque você não consegue prever como será seu futuro ou como se sentirá com relação às escolhas que fizer. No final das contas, más escolhas trazem sempre um aprendizado, mas nada se ganha ao não escolher nada.