Antes de ser líder dos outros, o indivíduo precisa liderar a si mesmo. Esse conceito vem sendo amplamente discutido nos meios de auto-ajuda, tendo sido muito reforçado nas duas últimas décadas por autores como Stephen Covey.

Ser líder de si mesmo é ser o capitão do seu próprio barco, conduzir-se com integridade e determinação para a conquista dos objetivos definidos na vida. A liderança pessoal é um dos princípios da excelência pessoal, pois só a pessoa soberana de si própria pode realmente dar o melhor de si com força e integridade.

Como seria a condição contrária? A pessoa que não tem liderança pessoal precisa ser liderada pelos outros. Sua vida é o que os outros definem, o que os outros escolhem. A pessoa é o resultado das vontades daqueles à sua volta, das circunstâncias de sua vida. Sua opinião sobre si própria é um conjunto do que os outros acham dela e das experiências que ela teve no passado, que funcionam como “provas” de suas características, dificuldades e capacidades. Ela se sente incapaz de decidir ou analisar coisas na vida sem consultar figuras de autoridade, sejam pessoas em sua vida ou profissionais especializados. Ela sente que precisa que os outros lhe dêem dicas, conselhos, esclarecimentos, é insegura demais para tomar as rédeas da própria vida e fazer o que bem entende.

Essa postura é muito comum e por mais que demonstre fraqueza de caráter, é importante admitir o problema se for o seu caso. Para muitas pessoas, a falta de liderança pessoal é apenas uma conseqüência da própria criação e ambiente social, ou seja, muita gente com plena capacidade de tomar as rédeas da própria vida não o faz porque nem sabe que pode! A liderança pessoal exige um alto nível de interdependência, mas muita gente sequer aprendeu a ser independente ainda. Apesar de todos os estímulos à independência em nossa sociedade, muitas pessoas se sentem inseguras demais para tomar decisões sem envolver mais alguém, seja para dar um simples conselho ou participar da experiência. Tem gente que não consegue nem sequer comprar roupas sem levar alguém junto para dar uma opinião. Esse tipo de insegurança pode parecer inofensiva em situações como essa, mas numa perspectiva mais ampla afeta toda a vida da pessoa e a torna incapaz de tocar a própria vida sem considerar a opinião dos outros.

Mas por que a falta de liderança pessoal é tão prejudicial? Você pode ter essa dúvida principalmente se considera que a opinião daqueles com quem se importa é relevante e você gosta de considerá-las sempre que pode. Considerar a opinião dos outros é uma coisa, depender delas é outra! Levar em conta que você não está sozinho no mundo é apenas um traço normal da pessoa interdependente, o problema está na insegurança para tomar decisões que dizem respeito à sua vida somente ou titubear em decisões grupais, abrindo mão do seu direito de opinar, dando seu poder àqueles que possuem maior liderança sobre você.

A indecisão e a pusilanimidade da pessoa insegura anulam qualquer esforço em direção à excelência, pois ela hesita antes de dar o melhor de si, se é que consegue atingir um nível de desempenho excelente. A excelência depende da autoconfiança e da segurança de que a pessoa está fazendo o que considera mais adequado e eficaz naquele momento. A pessoa insegura não tem essa certeza e precisa da aprovação, validação e direcionamento dos outros para que se sinta capaz de fazer o seu melhor.

Acima de tudo, a liderança pessoal providencia visão de conjunto, ou seja, aquela capacidade singular de perceber situações de forma contextual, o “ver a floresta” ao invés de cada árvore individualmente. A pessoa com essa característica se guia através de uma bússola interna que lhe fornece um direcionamento na mais confusa e tumultuada condição. A visão de conjunto é essencial para agir com eficácia, ou seja, fazer as coisas certas, ao invés de apenas se importar com a eficiência ou fazer certo as coisas. Sem visão de conjunto, corremos o risco de nos pegarmos nos dedicando muito à realização do objetivo errado, ou seja, eficiência sem eficácia. Não existe excelência quando o desempenho perfeito é colocado onde ele não é necessário. A excelência, em primeiro lugar, pede contexto – fazer a coisa certa, na hora certa, bem feita.

Da liderança pessoal, nasce a liderança interpessoal, ou seja, a capacidade de liderar os outros. A maioria das pessoas que hoje está em posições de autoridade nas organizações são apenas chefes, não líderes. O chefe é inseguro, não é líder de si mesmo. Por isso, ao tentar liderar seus subordinados, tende a usar de autoritarismo, arrogância e prepotência. Essa atitude advém do medo inconsciente de ser desmascarado, medo de que “descubram” que ele não tem qualificações emocionais para estar naquela posição. O chefe, então, se apega a outros tipos de qualificação para justificar sua posição como escolaridade – “Eu tenho MBA, você não tem!” –, tempo de serviço – “Eu estou aqui nessa empresa há muito mais tempo do que você!” – ou até mesmo posicionamento no melhor estilo autocrata – “Eu sou o chefe (o porquê não importa), você TEM que me obedecer e fazer tudo o que eu mando e ponto final”. O chefe até que gostaria de ser um líder, ele inveja aqueles que inspiram e lideram com o coração, mas ele simplesmente não consegue ser assim e para camuflar o fato de que ele não é um líder de verdade, ele usa e abusa do seu poder.

A pessoa excelente não aceita esse tipo de posição se não estiver internamente qualificada para liderar os outros. Quando colocada numa posição de liderança ela procura extrair o melhor de sua equipe, assim como faz consigo mesma, respeitando cada um com suas diferenças, dificuldades e potencialidades. O líder de verdade não precisa ser autoritário nem instituir medo em seus subordinados numa tentativa patética de obter respeito, ele é respeitado naturalmente por ser uma pessoa transparente, comprometida e verdadeira. Essa postura nasce invariavelmente da liderança pessoal.



Palavras-chave: Líder de si mesmo, Liderança, liderar a si mesmo