Por que você merece um tempo… de você mesmo?

Você se vê às voltas com uma voz crítica dentro de sua cabeça que o segue o dia todo? Ela pode surgir lá no começo do dia quando você sai da cama: “atrasado de novo!” ou quando você olha no espelho: “você parece exausto!” ou talvez você a ouça no trabalho: “você nunca dá conta de suas responsabilidades!”. Quando você conhece pessoas novas, ela diz: “Veja só! Nem tem o que dizer! Como você é chato!”

Se esse papo soa familiar, saiba que você não está sozinho – nem de longe. Praticamente todos nós ouvem “essas vozes” de vez em quando. A pergunta é: o que você faz a respeito?

Autocriticismo não vai motivá-lo

Algumas pessoas acreditam que precisam criticar a si mesmas para se sentirem motivadas e serem produtivas. “Eu perco toda a minha motivação se eu não me criticar por cometer erros bobos”, uma mulher me contou depois de me relatar que ela estava com muito trabalho atrasado por sentir-se deprimida demais para fazê-lo. Mas autocriticismo é um sintoma chave de depressão e ansiedade – e faz com que você tenha dificuldade para tentar novos comportamentos por medo de se arrepender. O autocriticismo pode desmotivá-lo e desmoralizá-lo, drenando a criatividade e energia que você precisa para dar conta do recado. Pense na teoria da motivação dessa mulher: implica que as pessoas mais altamente motivadas seriam aquelas que são as mais autocríticas e depressivas. Isso faz sentido? Ou será que recompensar e encorajar a si mesmo não seria uma estratégia mais lógica?

Não leve seu autocriticismo tão a sério

Não é só porque você está pensando em alguma coisa que aquilo é importante, relevante ou algo que você deveria dar qualquer atenção. Eu gosto de pensar sobre esses pensamentos negativos como ligações de telemarketing que você não está a fim de receber ou um trem que está chegando, mas não está indo para onde você deseja ir. Simplesmente ter um pensamento negativo não significa que ele é relevante para as metas que você valoriza. Se você permanecer focado em suas metas – e levar adiante os desafios e às vezes difíceis mudanças e comportamentos necessários para concretizà-las – você pode permitir com que a voz autocrítica se dilua no pano de fundo de sua atenção enquanto você continua se movendo para frente. Aí você pode imaginar ouvir o autocriticismo como conversa de uma outra pessoa que você não está a fim de ouvir.

Substitua autocriticismo com autocorreção

Uma alternativa à voz autocrítica é a voz autocorretora. Imagine o seguinte: Enquanto você está aprendendo a jogar tênis, você joga a bola algumas vezes na rede. Seu instrutor lhe diz então para pegar a raquete e bater na cabeça 10 vezes (quem sabe assim você finalmente aprende a não jogar a bola na rede!). Mas nao é assim que funciona, não é mesmo? A intenção do instrutor, por mais duro que ele possa ser, nunca é a de puni-lo, mas sim a de ensiná-lo. Uma situação mais realista seria que ao rebater a bola na rede, o instrutor venha até você e lhe mostre exatamente o que você está fazendo errado, lhe mostrando como você pode fazer certo da próxima vez, rebatendo a bolinha por cima da rede. Da mesma forma, você pode corrigir sem criticar a si mesmo. Você pode substitur o “mas sou um idiota mesmo! Sempre faço errado” por “não funcionou dessa vez, vou tentar dessa outra forma agora”. Quando você substitui autocriticismo com autocorreção, você pode usar seus erros para aprender a acertar ao invés de usá-los como provas de que você é mesmo um zero à esquerda (ideia que provavelmente existe somente em sua cabeça).

Seja específico

Autocriticismo geralmente é vago. Raramente ao se autocriticar você será específico, pensando em formas concretas de melhorar da próxima vez, tudo o que você faz é xingar a si mesmo e reforçar noções negativas que você tenha sobre a própria vida e capacidade. Ao errar o rebate da bolinha no tênis, você não diz: “da próxima vez, vou experimentar rebater mais pra cima”, ao invés disso você diz: “nunca vou aprender a jogar tênis!”. Evite esse tipo de generalização e evite acima de tudo as “profecias autorrealizáveis” ou seja, as frasezinhas que são supostamente autocomprobatórias de que você “é mesmo” de um determinado jeito ou “não consegue” fazer isso ou aquilo. “isso sempre acontece comigo” e “isso nunca dá certo pra mim” são as mais comuns. Evite-as, já que isso é autocriticismo deslavado e só se torna verdade quando você força a realidade em cima de suas crenças.

Evite o padrão duplo

E para finalizar, seja generoso e legal consigo mesmo como você seria com um amigo. Uma coisa que descobri trabalhando como psicólogo foi que as pessoas mais boazinhas com os outros geralmente são as mais autocríticas, até mesmo cruéis em suas opiniões sobre si mesmas. Isso é um padrão duplo (dois pesos, duas medidas) que só faz com que a pessoa se sinta pior ainda. Esse padrão duplo faz com que a pessoa ache que está tudo bem que os outros tenham certos comportamentos ou cometam certos erros, mas ela não se permite fazer o mesmo sem sofrer intenso autocriticismo.

Tente essa tática para saber se você está vivendo sob um padrão duplo: escreva todo o autocriticismo que você dirige a si mesmo e então imagine-se dizendo todas essas coisas aos seus melhores amigos e familiares. Você provavelmente achará que é cruel demais e até injusto dizer essas coisas para outra pessoa. Em contraste, procure dizer a si mesmo as coisas encorajadoras que você diria aos seus amigos e familiares nas mesmas situações.

E sempre se lembre: você não construirá uma vida de sucessos se autocriticando, você chegará lá fazendo o que precisa ser feito e para agir consistentemente, você precisa parar de importunar a si mesmo com comentários cruéis e improdutivos.



Palavras-chave: Ansiedade, Autoconversa, Autocriticismo, Depressão