Dando continuidade ao artigo anterior (Motivação, trabalho e lazer), vamos nos aprofundar agora na noção de lazer e em sua ligação com motivação e trabalho.

A noção de lazer em nossa sociedade é altamente deturpada e estimulada por figuras de destaque que pouco se importam com sentido e significado em suas vidas. É muito comum o caso da pessoa que trabalha até o esgotamento e nas horas de folga foge para alguma atividade passatempo que lhe permita descansar e se recuperar física e emocionalmente.

Ninguém vê problema com isso socialmente porque poucos se importam em fazer a vida valer a pena. Num mundo em que “viver intensamente” e fazer a vida valer a pena é pular de pára-quedas, fazer festa todo dia, beber até cair e desperdiçar dinheiro em artigos luxuosos, não podemos esperar muito dos conceitos que a nossa própria sociedade tem para nós!

Precisamos, em primeiro lugar, ter discernimento para refletir sobre todos os conceitos que “todo mundo” aceita com tanta facilidade e tem como “verdade”. Falamos um pouco sobre isso no artigo anterior. Evitar clichês e raciocinar com clareza é essencial para abrirmos as cortinas da vida e encontrarmos aquelas coisas que realmente nos motivam.

A pessoa motivada intrinsecamente, ou seja, aquela que se motiva com o que faz, cuja motivação vem de dentro, não precisa de atividades de lazer externas e secundárias para “descansar”. O conceito de descanso, de passatempo, está diretamente ligado ao perfil de sacrifício que o trabalho convencional implica. A pessoa que só trabalha para sobreviver e, mesmo gostando um pouco do que faz, ainda sente que a motivação verdadeira passa longe, precisa mesmo tirar um tempo regularmente para repor as energias. A pessoa, contudo, que faz o que realmente gosta tem energia de sobra para não precisar desperdiçar tempo com atividades de lazer inúteis. Seu lazer é o próprio trabalho. Para essa pessoa, motivação, trabalho e lazer são coisas que andam juntas e reforçam umas as outras, intensificando a produtividade pessoal.

O próprio conceito de passatempo, intrínseco à interpretação de lazer em nossa sociedade, carrega uma conotação de desperdício consigo. Por que alguém desejaria “passar o tempo”? Essa pergunta para quem vive com significado e sentido é tola. Passar o tempo é coisa de quem não tem sentido em sua vida. Tempo é vida e, se pensarmos bem, temos muito pouco tempo útil em vida. Se esse pouco tempo útil for desperdiçado fazendo algo que não se quer fazer e passando o resto das horas descansando, o que é que sobra?



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