Sílvia Perez é uma americana filha de mexicanos que sempre lutou duro para conseguir as coisas na vida. Sílvia construiu um pequeno império de roupas com diversas lojas na Califórnia, sempre foi uma boa mãe, boa amiga, boa cidadã e se achava sortuda até o dia em que uma cliente escorregou em uma de suas lojas e quebrou a perna. A cliente processou Sílvia, alegando que o chão estava molhado, e conseguiu tirar absolutamente tudo que ela conquistou na vida.

Se Sílvia soubesse como proteger seus bens de processos civis como esse, ela ainda teria tudo e teria pago somente uma pequena indenização para a cliente insatisfeita.

Histórias como a de Sílvia são comuns aqui nos EUA, um país onde se processa por qualquer motivo e geralmente se tira tudo o que a pessoa processada tem de valor material. Mesmo sendo comum, uma parcela assustadoramente grande de pessoas com bens – empresários, herdeiros, etc. – não toma medida alguma para se proteger. A maioria não faz a menor ideia de como fazê-lo. Não é por falta de profissionais à disposição para informar e ajudar, como advogados e contadores, ou de livros que explicam detalhadamente os riscos e como se proteger, ou de cursos e seminários que
fazem o mesmo. Ou seja: não é por falta de informação, é por falta de ir atrás dela.

Histórias de pessoas que perderam tudo para o fisco americano também são comuns. Muitas pessoas cometem erros bobos ao declararem o imposto de renda e depois alegam que não sabiam. Bom, a Receita Federal americana não considera ignorância uma desculpa válida, então se você “não sabe”, melhor você não cometer um erro por aqui, pois você será punido como se tivesse feito tudo de má fé. Também não é o caso de as informações sobre como se manter na linha com os impostos serem raras ou de difícil acesso – pelo contrário, estão por toda a parte.

Então, o que leva alguém a correr o risco de perder a própria casa e os demais bens pessoais por simples ignorância de como declarar e pagar os próprios impostos ou como proteger os próprios bens de pessoas aproveitadoras? A mesma razão pela qual as pessoas abrem negócios sem saber o que estão fazendo, escrevem livros sem saber coisa alguma sobre o mercado editorial ou tentam emagrecer sem seguir qualquer plano estruturado. Então, quando digo que as informações estão na cara de todos, disponíveis e abundantes, não se sinta frustrado porque as coisas parecem ser tão simples. Talvez sua mentalidade ainda seja a da pessoa que se envolve em um novo objetivo sem saber nada sobre ele, ou supondo que sabe coisas que, na verdade, não sabe.

O que se pode descobrir em livros?

Basicamente tudo o que você consegue imaginar! Quer saber como sobreviver na selva? Há diversos livros sobre o assunto. Quer saber como fazer dinheiro na bolsa de valores? Quer saber como fazer lavagem de dinheiro (sim, até isso tem em livros!)? Quer saber como proteger seus bens pessoais de processos legais? Quer saber como ser considerado um expert em seu ramo? Quer saber como escrever e publicar um livro? Quer saber como…

Até um tempo atrás, por exemplo, eu não fazia ideia de que era possível obter informações sobre como conseguir uma nova identidade, sumir do mapa, se tornar invisível e começar uma nova vida. Descobri, para minha total surpresa, que informações sobre o assunto são abundantes e estão plenamente disponíveis. Há literalmente centenas de livros e sites na internet dedicados a ensinar como ser um fugitivo (seja da lei ou de um ex-marido!) ou como mudar de identidade e desaparecer.

Não que eu ache que meus leitores estejam interessados em tal assunto, mas achei interessante citar que até a mais absurda e obscura das informações pode ser facilmente encontrada se:

1. Você souber que elas existem – o fugitivo em potencial que jamais pensaria que encontraria um livro sobre o assunto, também jamais iria procurar!

2. Você se engajar em buscar essas informações – mesmo informações que estão plenamente disponíveis podem não ser facilmente encontradas. É preciso saber como “puxar fios” para encontrar informações.

Eu sei que você deve estar se sentindo de certa forma frustrado nesse ponto! Você deve estar achando que estou omitindo algo ou que ainda há mais algum segredo, pois as coisas não podem ser assim tão simples! Talvez se eu estivesse escrevendo isso em 1950, minha resposta seria diferente, mas no ponto em que estamos, com a quantidade de informação disponível e aberta a todos, seja em livros, cursos, internet, profissionais a serem consultados, enfim, é possível saber como fazer absolutamente tudo, até mesmo o absurdo de como aprender a sobreviver caso o sistema bancário global colapse ou como escapar de um prédio em chamas! Há pessoas que se ocuparam em estudar as coisas mais detalhadas, absurdas e curiosas e colocar essas informações à disposição de todos – às vezes, elas mesmas estão à disposição para serem consultadas.

Além disso, a maior parte dos problemas que as pessoas têm não está ligada a objetivos obscuros ou absurdos, mas a objetivos comuns cujas informações podem ser encontradas em grande quantidade e variedade em qualquer lugar, como independência financeira, relacionamentos pessoais, comunicabilidade, resolução de problemas familiares, enfim, nada que seja misterioso ou indefinível. Porém, como é de se esperar, as pessoas vivem com seus problemas sem ao menos procurar informações sobre como resolvê-los.

Quantas pessoas que revelam medo de falar em público e real necessidade de desenvolver tal habilidade para subir na carreira de fato procuram um curso de oratória ou leem livros sobre o assunto? É, você acertou, uma parcela ínfima! Quantas pessoas com dificuldades de controlar o próprio dinheiro procuram informações sobre organização financeira pessoal? Exatamente, muito poucas! Quantas pessoas que já passaram por diversos relacionamentos pessoais que não deram certo se dão ao trabalho de pesquisar os motivos de seus fracassos? Sim, até mesmo nesses casos é possível descobrir através de informações onde se está errando. O fato é que as pessoas não buscam informações, a maioria desconhece que esse conhecimento está sequer disponível e, na eventualidade de o obter, não agem em cima disso.

Alguns podem estar questionando nesse ponto sobre o fato de que informação é, sim, fácil de obter, o problema é agir sobre dela. De que adianta saber como investir na bolsa de valores se você jamais colocou seu dinheiro lá, não é verdade? Ação contínua, que é a soma de disciplina, persistência e organização, é a outra parte do quebra-cabeça, porém não se engane! Se você não tem a primeira parte desse quebra-cabeça bem estruturada, ou seja, se você não tem informações suficientes, a segunda parte não conseguirá se sustentar. Dentro desse exemplo ainda da bolsa de
valores, muita gente obtém informações incompletas ou presume que já sabe o suficiente e parte para a ação, acabando por perder até as calças na bolsa.

Essa situação é ainda mais comum com quem decide abrir seu próprio negócio. Parte-se para ação sem ter informações suficientes. Quando partimos para a ação, precisamos ter certeza de que o quadro que temos do terreno em que estamos pisando corresponde à realidade. Agir com base em mitos, “achismo”, conselhos de pessoas despreparadas e informações incompletas é a principal causa do fracasso dos que chegam a agir. Então, ação em si, apesar de essencial, não resolve seu problema se você não tem as informações necessárias.

Não subestime o poder das informações só porque elas são facilmente encontradas! Apesar de toda essa facilidade, a maioria das pessoas não se dá o trabalho de obtê-las ou não as valoriza devidamente. É muito comum o caso da pessoa que lê um ou dois livros e acha que isso é suficiente e que já sabe tudo o que precisa saber. De fato, apenas ler, ou seja, a simples obtenção de informações “cruas” é somente uma parte de um processo de pesquisa e investigação. Conhecer um assunto com profundidade requer organização e estruturação das informações que vão sendo
obtidas e, dependendo do assunto, testes práticos que ampliam a compreensão do tema. Estudar oratória sem nunca se expor e testar os conhecimentos na prática jamais acabará com o medo de falar em público, por exemplo. A prática, no entanto, deve estar aliada à informação e ao processo investigativo. Prática sem teoria leva, muitas vezes, à perda de tempo e a erros persistentes.

A falta de uma educação escolar melhor e mais prática torna a maioria das pessoas incapaz de encontrar a mais simples informação. Quando alunos entram na faculdade pela primeira vez, essa dificuldade é sentida fortemente. A maioria dos alunos não sabe conduzir uma simples pesquisa e encontrar as informações necessárias para satisfazer as necessidades de um mero trabalho escolar. Como essas mesmas pessoas serão capazes de coletar e organizar informações para planejar a conquista de seus objetivos? Elas não serão! A maioria dos alunos de graduação entra e sai da faculdade sem saber fazer pesquisa apropriadamente. Eles “levam com a barriga”, fazendo o mínimo necessário, copiando trechos inteiros de livros ou de textos retirados da internet, porém não desenvolvem a habilidade de investigar e descobrir algo através da pesquisa. No mercado de trabalho, esses ex-alunos se encontram muitas vezes perdidos, confusos, sonhando com liberdade financeira, um negócio próprio ou uma carreira brilhante sem ter a menor ideia de como conquistar o que querem, sem perceber que desperdiçaram os últimos quatro ou cinco anos de suas vidas justamente quando estavam em um ambiente em que poderiam ter desenvolvido a capacidade de descobrir “como” conseguir as coisas através de investigação e pesquisa.