Pesquisadores e autores que estudam o sucesso apontam as mais diversas características como sendo responsáveis pelo êxito na vida, como determinação, persistência, objetivos definidos, foco, auto-estima, pró-atividade, enfim, a lista é longa. Concordo com essas abordagens, no entanto, minhas pesquisas me levaram a acreditar que há um ponto de convergência entre praticamente todas as pessoas bem sucedidas nos mais diversos campos da vida: a postura íntima de excelência pessoal.

Ninguém é perfeito e muitas pessoas de sucesso não possuem todas as qualidades atribuídas ao seu êxito. Apesar de todos os esforços, não há ninguém que não esteja à mercê de recaídas pessoais. Quem é que consegue ser determinado o tempo todo? Persistente o tempo todo? Focado o tempo todo? Além disso, é muito difícil encontrar em uma só pessoa todas as características apontadas como responsáveis por seu sucesso, mas ao mesmo tempo, não é possível construir uma vida de êxitos com base em uma característica isolada.

Devo mencionar que quando me refiro a “sucesso” não estou falando apenas de sucesso profissional e muito menos de fama. Sucesso é ter êxito naquilo que cada um se propõe a fazer, seja o que for. Podemos falar em sucesso nos relacionamentos afetivos, ou seja, ser capaz de manter um relacionamento no longo prazo. Podemos falar em sucesso familiar, ou seja, manter a união e estabilidade da família. Podemos falar em sucesso na superação de dificuldades pessoais, como superar o medo de falar em público ou a insegurança social. E é claro que sucesso financeiro e profissional acabam compondo um quadro de uma vida completa e satisfatória, já que a falta de dinheiro e a frustração profissional afetam todos os demais setores da vida de uma pessoa.

A teoria que apresento neste site demonstra um tipo de personalidade que prioriza a excelência em tudo o que faz, em todas as áreas da vida. A pessoa que é verdadeiramente excelente não tem sucesso aparente em apenas uma área da vida, enquanto todas as outras se deterioram. A pessoa que age de acordo com os princípios da excelência busca o equilíbrio e a prosperidade em tudo na vida, em todas as áreas.

A postura de excelência pessoal é como se fosse um pano de fundo que mantém todas as outras características e atitudes da pessoa num nível otimizado de qualidade e é isso que no final das contas a salva de sua própria imperfeição e eventuais deslizes.

Em resumo, agir com excelência pessoal é ter a integridade íntima de sempre dar tudo de si em qualquer situação. Essa postura é como um banho de água fria, por exemplo, no potencial corrosivo do auto-engano, ou seja, a tendência da pessoa dar desculpas esfarrapadas para justificar seus erros e acreditar nessas mentiras, se auto-enganando e, conseqüentemente, dilacerando sua auto-estima.

A pessoa intimamente íntegra, que age com excelência, sabe que não é perfeita, mas não sofre com isso, não se sente ansiosa ou vergonhosa por não poder acertar o tempo todo. Esse desencano com a perfeição tira um peso enorme de suas costas. A pessoa se sente mais autorizada pela vida para fazer o que precisa ser feito sem entrar em neuras por medo de ser rejeitada, medo de decepcionar os outros e sem a ansiedade da expectativa emocional ligada aos resultados. Popularmente, essa pessoa é vista como aquela que não se importa com o que os outros pensam ou falam dela, é a pessoa que faz o que tem que ser feito de acordo com sua bússola interna, não de acordo com as expectativas alheias.

É importante frisar também que a excelência pessoal corta os efeitos das próprias expectativas com relação ao futuro. Quando a pessoa faz planos e tem esperanças para o futuro esperando que os resultados lhe tragam satisfação emocional – ou, popularmente, “felicidade” –, ela está criando uma armadilha para si mesma, alimentando uma situação em que a ansiedade e o medo são praticamente inevitáveis, já que sua felicidade supostamente está em jogo nos resultados daquela situação. A pessoa excelente não precisa buscar felicidade no futuro, ela já é feliz no presente.