O sinônimo mais próximo de pragmatismo é objetividade.

A pessoa pragmática não perde tempo, ela só faz aquilo que é necessário para atingir seus objetivos e não se dispersa com coisas inúteis, outros projetos, perda de tempo, dúvidas sobre o caminho, hesitação.

O pragmático é uma pessoa prática, simples em seus propósitos e planos. Essa praticidade e simplicidade fazem com que o caminho apareça claro e límpido à sua frente, tudo o que ele precisa fazer é caminhar com determinação sem se distrair.

O pragmatismo é a capacidade de manter sua mente no aqui e agora e, com muita objetividade, racionalidade e discernimento, optar pelas tarefas corretas que se feitas no tempo certo levam à concretização do objetivo com maior excelência.

De uma forma bem clara, pragmatismo significa fazer o que tem que ser feito e ponto final, sem dispersar-se com “outras coisas”, por mais importantes que sejam, mas que não estejam ligadas ao seu objetivo.

Numa analogia com o mundo animal, o pragmatismo é a postura do leão perseguindo sua caça. O foco está todo concentrado em seu objetivo e o leão não se dispersa fazendo “outras coisas” que não estejam ligadas a obtenção de sua caça como tomar água, parar para socializar com outros leões ou descansar.

É claro que compreendemos que o leão que se dispersa perde a caça e é por esse motivo que ele é pragmático! No entanto, em nossa vida cotidiana precisamos nos dar conta de que oportunidades são como a caça do leão. Ao nos dispersarmos com “outras coisas” não relacionadas ao nosso objetivo, corremos o risco de perdemos a oportunidade permanentemente.

A pessoa dispersiva pode até ter objetivos definidos e vontade de concretizá-los, mas ela se espalha tanto que não sobra energia para fazer o que tem que ser feito para que o objetivo tome vida. O que lhe falta é justamente objetividade em suas ações e atitudes, falta foco, praticidade. A pessoa faz um monte de coisas o tempo todo, está sempre ocupada, mas no final das contas, todo esse trabalho não rende nada, o objetivo ainda continua lá como uma idéia no horizonte.

O que leva ao pragmatismo é a perspicácia somada aos objetivos definidos. A pessoa sabe exatamente o que ela deve fazer e se mantém fiel ao caminho traçado, custe o que custar, não se deixando distrair ou desviar.

Uma das maiores ameaças ao pragmatismo é a emotividade excessiva. A pessoa muito emotiva, que leva tudo para o lado pessoal, se frustra com facilidade, fica decepcionada quando alguém não faz o que ela esperava, quando as coisas não acontecem do jeito que ela queria.

Toda essa choradeira, todo esse drama desvia a atenção da pessoa do caminho principal rumo aos seus objetivos, ela sai na tangente, se preocupando com picuinhas, desavenças pessoais. Essa pessoa coloca muito tempo em pensamentos dedicados a ruminar sobre as coisas que não dão certo em sua vida, as pessoas que não gostam dela, as coisas que essas pessoas fazem pra ela e, no meio tempo, ela perde oportunidades de seguir em frente com seus objetivos. A “luta” contra o mal em sua vida acaba recebendo todo o foco, ao invés dos seus objetivos.

A inteligência emocional acaba tendo um papel fundamental nesse caso, equilibrando as emoções e deixando o espaço mental da pessoa livre para que ela possa se focar com clareza em seus objetivos. Parece até um paradoxo dizer que a inteligência emocional ajuda a pisar nas emoções para que a pessoa possa seguir em frente, mas essa é a realidade.

Numa sociedade tão patológica em que encontramos profissionais dizendo baboseiras como a possibilidade da raiva ser positiva ou que devemos sempre extravasar nossas emoções, é difícil argumentar e fazer compreender que a inteligência emocional muitas vezes requer segurar ou até mesmo reprimir as emoções.

Por quê? Porque você pode saber que a raiva que está sentindo é pura imaturidade e cabe a você somente lidar proativamente com esse traço aprendendo a não mais sentir essa raiva. Extravasar a raiva e explodir revela ainda mais imaturidade e orgulho e não é a forma mais proativa de lidar com essa emoção.

A pessoa que acredita que sempre extravasar as emoções é o caminho fica tão distraída com suas batalhas pessoais, com se fazer entender, com provar o seu ponto, fazer justiça, não deixar ninguém pisar nela, calar a boca do outro, etc. que ela perde o foco, a objetividade e acaba se dispersando de seus objetivos pragmáticos.

Assim como a raiva, outras emoções são extremamente dispersantes, principalmente a frustração e o medo. A pessoa frustrada se coloca no papel de vítima e começa a fazer drama sobre a situação. O medo paralisa e desvia. A pessoa covarde acaba fugindo dos pontos cruciais no caminho para seus objetivos, pois não se sente capaz de enfrentá-los. Nesses casos, mais uma vez, pisar na emoção e seguir em frente parece ser o melhor caminho. Em muitos casos, após passar por uma experiência dessas uma, duas, três vezes, a pessoa passa a ter controle sobre a emoção, pois ela aprendeu que não precisa ter medo dela. O pragmatismo então se fortalece e ajuda a pessoa a concentrar-se com mais energia em seus objetivos.