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Pensamento positivo é um dos grandes mitos que envolvem o sucesso e a autoajuda. O que é positivo, o que é negativo, é tudo muito relativo, o que importa é o que você pensa e quais os sentimentos relacionados, se é positivo ou negativo dentro do seu ponto de vista particular pouco importa…

Dentre os diversos temas que são mal compreendidos na área da auto-ajuda, acredito que o “pensamento positivo” seja o que mais ganha interpretações equivocadas.

A mentalidade da sociedade ocidental é fortemente influenciada pelos milênios de religiosidade que fortaleceram um paradigma maniqueísta em que há o bem e o mal somente. Ou você está certo ou está errado, ou você é bom ou é ruim, ou você tem pensamentos negativos ou positivos.

O mundo, no entanto, não é preto e branco. Enxergar as nuances de cinza, porém, requer uma sabedoria e uma maturidade que não nos é ensinada na escola, nem desenvolvida em nosso processo de crescimento – em que se formos bonzinhos, somos recompensados; se fizermos algo que contrarie as “regras”, somos punidos.

Aprendemos a interpretar o mundo, as pessoas e a vida em termos de certo ou errado, bem ou mal, bom ou ruim e tudo isso de acordo com o nosso próprio ponto de vista. O que é certo e o que é errado? Depende. Depende do que EU penso sobre o assunto, não é assim?!

Um dos grandes obstáculos que temos encontrado ao falar sobre a lei da atração e de como seus pensamentos influenciam seus resultados na vida está justamente na má interpretação que as pessoas fazem do que é exatamente “pensar positivamente”.

É comum, por exemplo, ouvir pessoas questionando por que nada dá certo em suas vidas, por que elas não conseguem o que querem se são tão positivas. “Eu não penso mal de ninguém, sempre vejo a vida como um copo metade cheio, sou otimista e, mesmo assim, as coisas não acontecem pra mim, qual o problema?” – essa é uma pergunta freqüente!

E a resposta está no próprio paradigma que a pessoa está usando para interpretar os fatos. A lei da atração diz que você atrai o que está em seu foco de atenção, aquilo que você pensa com mais freqüência, com EMOÇÕES positivas sobre o que você quer. E isso dá pano pra manga, pois vejo que a maioria das pessoas não sabe diferenciar exatamente o que pensam do que sentem, suas intenções racionais de suas intenções motivacionais.

Há alguns anos, uma jovem executiva nos procurou para aconselhamento de carreira. Ela tinha altas metas profissionais e queria crescer rápido. Ela dizia que sua prioridade máxima era sua carreira e que a construção de uma família ficaria para depois.

Com o tempo, porém, fomos percebendo que apesar de suas intenções RACIONAIS sobre sua carreira, ela passava todo o seu tempo mental livre sonhando acordada com uma família. Ela dizia que essa era uma forma de esvaziar sua mente dos problemas no escritório e devanear sobre algo diferente – o que, no fundo, era uma desculpa que mascarava suas intenções motivacionais. No entanto, quando ela finalmente “atraiu” a família que tanto sonhava, a frustração e depressão tomaram conta de sua vida. Apesar de desejar ardentemente construir uma família, ela não queria uma naquele momento de sua vida. Não que carreira e família não sejam compatíveis, mas não era isso que ela desejava conscientemente. Seu cérebro e seu coração entraram em guerra e até o momento ela ainda luta contra a frustração de ter começado uma família no momento errado de sua vida.

Veja que seu pensamento constante em construir uma família não era positivo nem negativo, apenas era contrário ao que ela estava tentando construir e até hoje lhe causa frustração. Se ela estava certa ou errada, definitivamente não é o caso! O FATO é que seus pensamentos e sentimentos freqüentes atraíram algo que ela não desejava naquele momento de sua vida e ela ainda não conseguiu lidar com isso.

Vemos casos como esse a todo momento. A pessoa deseja algo conscientemente, define metas, faz planos, mas seu padrão de pensamento está em outro lugar. Positivo e negativo é muito relativo. Não pensar mal de ninguém e ser otimista não o levará a lugar algum, o que construirá seu futuro são seus pensamentos constantes somados com o padrão de sentimentos que você coloca em cima deles.

Para ir um pouquinho mais a fundo nesse assunto, procure pensar em quais os sentimentos que dominam o seu dia-a-dia. Medo? Frustração? Irritação? Ansiedade? Motivação? Entusiasmo? Sobre o que você costuma devanear quando não tem que pensar em nada? Quais os sentimentos que vêm à tona? Como você reage quando se depara com um problema inesperado? Fica bravo e irritado? Frustrado? Corre para pedir ajuda? Sente-se confuso? Ou olha o problema com sangue frio e começa a mapear mentalmente as possíveis soluções e testa uma a uma sem se alterar emocionalmente?

É engraçado que muita gente que se considera “superpositiva” é vítima constante de sua própria atitude – que, em seu próprio ponto de vista, seria considerada negativa –, mas essas pessoas parecem se esquecer disso quando pensam sobre si mesmas. Em dinâmicas de grupo, observamos esse fato com bastante clareza. É comum candidatos a vagas de emprego que se auto-intitulam pró-ativos, positivos e otimistas (e eles realmente acreditam que o são, sem intenção de enganar o entrevistador!), mas basta colocá-los em situações de problemas reais para que a realidade venha à tona.

Temos a tendência de “esquecer” nossas reações ao pensamos sobre a nossa vida e personalidade. Se você se considera uma pessoa positiva e otimista e acha “estranho” que sua vida não reflita isso, faça esse exercício: procure lembrar com clareza como você reage quando enfrenta problemas, adversidades e competições e procure observar o seu padrão de pensamento e sentimentos durante o dia. Isso revelará muito mais sobre o destino que você está construindo do que você pode imaginar!

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