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Dando continuidade às perguntas e respostas que iniciamos na semana passada, trazemos nesta semana mais perguntas respondidas sobre o tema propósito ou missão de vida:

Qual seria a melhor atitude para descobrirmos nosso propósito sem cairmos na armadilha do ego ou da felicidade?

Acredito que o ponto inicial seja a autenticidade. Ao viver de forma mais autêntica, a pessoa evita cair nas armadilhas do auto-engano, mentindo para si mesma para proteger os interesses do ego, geralmente ligados ao conforto e repúdio à dor.

A disciplina seria outro ponto a ser desenvolvido. Ao habituar-se a fazer coisas difíceis, enfrentar o desconhecido e encarar desafios por pura disciplina, a pessoa evita o mecanismo de autoproteção do ego que tenta fazê-la desistir de tudo que envolva o mínimo desconforto.

Quanto à questão da felicidade, trata-se de um assunto puramente intelectual. Uma vez que a pessoa compreenda conscientemente que a felicidade – ou “se sentir bem” – não é o objetivo da vida e que uma vida perfeita não é o fim da linha, ela passa a olhar para os lados e se torna, então, capaz de identificar coisas que antes passavam despercebidas.

Outro ponto que também envolve compreensão puramente intelectual é saber o que é um propósito de vida para que a pessoa pare de fantasiar sobre situações e condições que jamais estariam ligadas ao seu próprio propósito – como discutimos na primeira pergunta semana passada sobre a tendência de achar que o propósito é algo interessante, legal e prazeroso, como uma aventura cinematográfica. Entender o que é viver de acordo com um propósito é fundamental para conseguir identificá-lo sem cair na armadilha de tentar “adivinhar” qual o próprio propósito imaginando qual atividade seria mais interessante, estimulante e prazerosa.

O que fazer para evitar ficar tentando adivinhar qual o próprio propósito, mesmo sabendo intelectualmente que esse não é o caminho ideal?

O propósito é quase como uma extensão de nós próprios, ele se impõe naturalmente quando fazemos duas coisas: agimos de forma autêntica e não tentamos interferir no curso natural da vida por fatores egoístas.

O que você quer dizer com fatores egoístas?

Quando somos dominados pelo ego, vemos as coisas de forma tendenciosa. Se a ação à nossa frente não satisfaz a vontade do nosso ego, arrumamos desculpas, nos esquivamos e a evitamos. Por exemplo, digamos que se reconciliar com um familiar com quem nos desentendemos há muito tempo é algo que está se impondo em nosso caminho. Oportunidades para que uma reconciliação ocorra aparecem com sincronicidade, fatos interligados nos levam a encontrar a pessoa através de coincidências inexplicáveis, etc. Você, no entanto, é dominado pelo ego, ele quer o que quer e você obedece. Seu ego não quer nenhum tipo de desconforto (como passar pela dor emocional de uma reconciliação que levantará muita poeira do passado), além também do próprio orgulho, que é um subproduto do egocentrismo. É mais confortável ficar onde você está, mesmo que silenciosamente isso seja doloroso para ambas as partes. Do seu ponto de vista, porém, é mais doloroso passar pelo processo de reconciliação, então você inventa desculpas para justificar para você mesmo todas as razões pelas quais reconciliar-se com o fulano não é uma boa idéia.

E assim vai, você vai encontrando desculpas “totalmente lógicas” para se esquivar dos desafios que se impõem em seu caminho, mas adivinhe só! Esses desafios são parte de seu propósito e, ao esquivar-se, você está optando por viver uma vida ordinária.

Autenticidade é o que eu chamaria de “liberdade emocional”, ou seja, liberdade – mesmo que relativa ao próprio ego – é o ingrediente ideal de uma personalidade que segue o próprio propósito de vida e se nega a viver de forma ordinária.

Você pode deixar seus comentários e perguntas na seção de comentários abaixo (perguntas não são respondidas individualmente, se sua pergunta for selecionada, ela será respondida aqui nesta seção de perguntas e respostas).

Para obter um manual completo que lhe guiará pelo processo de identificação e vivência de seu propósito de vida, clique aqui.



Palavras-chave: ego, felicidade, missão de vida, Projeto de Vida, sentido da vida

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