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Alguns leitores não me conhecem, então vou me apresentar. Eu me considero um “empreendedor da vida”. Sou de Portland, Oregon, um estado Norte Americano, mas vivo “no mundo”. Há 8 anos eu tomei a decisão de não trabalhar para ninguém e viver a vida construindo experiências, relacionamentos e um mundo melhor. Minha meta era conhecer todos os países do mundo antes dos 35 anos. Eu conquistei esse objetivo em Abril de 2013 na Noruega.

Para tornar esse sonho e meta realidade, eu precisei mudar toda a minha vida, minhas prioridades, meus hábitos, minhas tendências. Foi difícil decidir embarcar nessa aventura e cortar as amarras com a sociedade convencional. Eu precisaria pedir demissão do meu emprego para conquistar a liberdade da qual eu precisava para conquistar meu objetivo, mas também tinha que encontrar outra forma de sobreviver, financiando não só minha vida, mas todas as viagens que desejava fazer. Me tornei blogger e escritor e é essa vida na web que tem me proporcionado oportunidade de tornar minha vida e de minha esposa mais significativa. Meu trabalho é escrever livros e artigos como este, compartilhando o caminho das pedras com outras pessoas que podem também estar interessadas em levar uma vida mais simples, livre e completa.

Quando parti em minha jornada mundial, me deparei com a necessidade de descartar tudo o que não era absolutamente essencial. Eu ficaria muito tempo longe de casa, por isso decidi que não deveria mais “ter uma casa”.

Há uns 20 anos, a teoria da simplicidade, liderada por Duane Elgin, tinha virado moda. Na época eu comprei vários livros, mas enrolado com vida “normal” eu achei um pouco irreal. Fui procurar esses livros já empoeirados em minha garagem e comecei a tirar deles o que poderia aproveitar em meu novo planejamento de vida.

Os conselhos que absorvi desses livros não eram na realidade uma surpresa chocante, coisas que eu não sabia ou que nunca tinha ouvido falar (o que raramente é o caso com esse tipo de livro), mas lê-los me forçou a repensar a minha vida (que é o objetivo, na realidade, de ler um livro de autoajuda).

A ideia principal para viver de forma simples é priorizar o que é realmente mais importante para você e descartar todo o resto.

Encontrando o que realmente importa

De uma certa forma, o conceito é bem simples: definir o que realmente importa em sua vida: o que você quer? O que você valoriza? O que você não pode viver sem? Simplicidade não é voto de pobreza, é priorização e eliminação de supérfluos.

Parece simples (interessante o trocadilho!), mas é muito mais difícil quando nos forçamos a tomar a iniciativa de realmente colocar essa filosofia em prática. Eu não tinha escolha: se queria realmente sair pelo mundo só com uma mala na mão, precisava realmente me livrar de tudo o que não era importante e essencial, ou que não valorizava tanto. O que sobrasse iria para uma garagenzinha alugada em um galpão. Não tinha lugar para guardar tranqueira, tudo deveria ser doado.

Aproveito para abrir um parênteses aqui para enfatizar que não estou defendendo que o leitor deva fazer o mesmo que eu fiz! Simplicidade não é se livrar da sua casa e dar tudo o que você tem! Essa iniciativa foi necessária somente em meu caso, pois minha meta era viajar o mundo, o que levaria anos. Eu não precisaria daquela casa, daqueles móveis, daquelas roupas extras pelos próximos 4 ou 5 anos. Se sua meta não é viajar dessa forma, você evidentemente não precisa se livrar de todas as suas coisas!

Mas voltando ao nosso assunto: o que é mais importante? O que realmente importa para você? É interessante que, se pressionados, conseguimos “vomitar” um monte de palavras que no fundo não significam nada, são apenas clichês batidos de coisas que “achamos” que é certo responder quando alguém pergunta o que pensamos ser mais importante na vida.

Quando a coisa vira realidade e o que decidimos que não valorizamos deixará de ser nosso para sempre, aí sim, nós nos forçamos a pensar no assunto de verdade.

Vejo em minhas palestras que as pessoas não sabem o que é importante para elas: elas lançam tais clichês, mas na realidade elas têm muita dificuldade para abrir mão das coisas (não só materiais, mas tudo o compõe a vida). Muitas pessoas são confusas e incertas sobre o que querem da vida, mas mesmo pessoas mais certas sobre seus objetivos ainda podem confundir o que querem e precisam no momento com o que elas realmente desejam em um nível mais profundo.

Em segundo lugar, precisamos também levar em consideração os objetivos, sentimentos e prioridades daqueles em nossas vidas, cônjuges, familiares, amigos, parentes e até mesmo vizinhos e colegas de trabalho quando nossas decisões os afetam. Algumas decisões, priorizações e objetivos podem impactar a vida de outras pessoas. Precisamos estar preparados para incluí-los também em nossos planos e ao mesmo tempo respeitar suas vontades e decisões caso sejam contrárias às nossas.

E por último, o que é importante para você não é algo fixo e imutável. O que era importante para o meu “eu” de 25 anos já não faz mais sentido para mim hoje. Nossas prioridades mudam com o passar do tempo. Casamento, filhos, carreira afetam o que podemos e o que não podemos priorizar e sonhar. É natural… é a vida. Nós mesmos vamos mudando, vamos deixando de gostar e de priorizar certas coisas e vamos nos apegando a outras. Por isso acho importante não queimar pontes, não tomar decisões sem volta. Digo isso pois muitos livros de autoajuda recomendam que o leitor “queime pontes” para não poder voltar atrás e assim forçar-se a seguir em frente a todo o custo (já que não é mais possível voltar atrás).

Tendo explicado os pontos cardeais do processo, aqui vão algumas dicas para definir o que realmente importa para você e se focar nessas coisas:

– O passo mais crucial é refletir profundamente sobre o que importa mais para você. Você pode se importar com muitas coisas, mas é importante chegar a conclusão do que importa mais. Quais são as prioridades acima das outras prioridades?

Para mim liberdade era uma das prioridades mais fundamentais e isso definiu que eu então deveria pedir demissão e encontrar uma profissão que me desse essa tal liberdade. Vejo que muita gente não tem essa necessidade e se sente muito bem e confortável trabalhando para uma empresa em horário convencional. Acho importante explicar que cada um tem todo o direito de definir suas próprias prioridades, não existe certo e errado no que diz respeito ao que é mais importante para você. Digo isso para que não fique no ar a ideia de que se a pessoa não tomar as decisões que eu tomei, se não pedir demissão e partir para uma vida completamente descomprometida, ela então estará “fazendo as coisas errado”. Não é assim, nem precisa ser. Cada um na sua. Desde que você se sinta bem com aquilo que decidiu priorizar, esse é o objetivo.

– Outro ponto é fazer uma engenharia reversa das melhores épocas da sua vida. Procure identificar porque você hoje acredita que aqueles momentos (ou fases) foram os melhores. Reflita se existe a possibilidade de recriar novamente as mesmas condições. O que exatamente o fez feliz nessas ocasiões?

– Por último, vem o desafio de sair da própria zona de conforto. Muito do que nos faz infeliz é a nossa incapacidade de enfrentar o desconhecido. Conforto não é sinônimo de felicidade, por incrível que pareça. Quanto mais insistimos em afastar toda oportunidade, desafio e experiência que cai fora dessa zona confortável, menos acreditamos em nosso próprio potencial, pois essa atitude nos mostra quão fracos, covardes e medrosos nós realmente somos. Quando nos vemos como pessoas fracas, incapazes de topar oportunidades difíceis ou desafiadoras nossa autoestima reflete essa percepção. Passamos a não gostar de nós mesmos. Gostaríamos de ser corajosos como os heróis nas histórias que ambientam o inconsciente coletivo, mas não acreditamos que temos condições de enfrentar dificuldades.

A recusa em viver de forma simples tem muito a ver com essa dificuldade de sair da zona de conforto. Construímos nosso “cantinho” confortável com várias “coisas” que possuem função psicológica de nos proteger do desconhecido. Essas “coisas” ocupam espaço físico, psicológico e mental e nos mantêm presas a uma condição de nível inferir a nossa própria capacidade.

Otimizando as “coisas”

Você então tomou a decisão de simplificar a sua vida, eliminando o supérfluo e o desnecessário. E agora?

Bom, agora você aproveita sua vida fazendo o que é mais importante para você. Parece simples demais para ser prático, não? A simplicidade, contudo, deve ser prática, se não for, tem ainda mais coisa para ser eliminada! A complexidade vem daquilo que está ocupando espaço demais em nossas vidas.

Planejamento estratégico entra como uma luva aqui. Vivendo com menos, é preciso saber priorizar e saber usar bem o pouco que se tem, mas por outro lado, ganha-se liberdade, tranquilidade e paz.

Muito do que onera a vida do homem moderno são hábitos custosos e onerosos. Pessoas que reclamam da falta de dinheiro pagam diarista para limpar a casa e vão no cinema no final de semana. Pessoas que reclamam da falta de tempo, chegam em casa do trabalho, sentam a bunda na sofá e ficam ali hipnotizados até a hora de ir pra cama. Falta priorização, não? Mais profundamente ainda, falta reflexão, falta pensar com lógica e coerência no que estamos fazendo com a própria vida e com os recursos das quais dispomos.

Como eu disse no início, viver de forma simples não é fazer voto de pobreza e viver na miséria, ser mão de vaca, não gastar com nada e nunca fazer nada extravagante. Viver com simplicidade é viver uma vida bem pensada, refletida, na qual você faz o que realmente vale a pena, o que faz sentido, não por obrigação, mas por opção.



Palavras-chave: A arte da não conformidade, Duane Elgin, felicidade, Simplicidade, Simplicidade Voluntária

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