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Supere o medo do fracasso: Sair da sua zona de conforto e encarar seus erros pode levar a inovações e relacionamentos melhores.

“Aquele que não comete erros, não faz nada”, diz um provérbio inglês. A não ser que aprendamos a superar o fracasso (seja ele por conta de um infortúnio inevitável, por um lapso moral ou por um risco mal calculado), nós permanecemos escondidos em nossa zona de conforto. A pressão para sermos perfeitos nos faz pisar em ovos com os membros da família ou pôr em piloto automático no trabalho, sentindo-nos seguros, mas estagnados – e não muito vivos.

De vacinas ao velcro, muitas invenções nasceram de acidentes, fracassos aparentes. Mas quando Fiona Lee, psicóloga e professora de Administração da Universidade de Michigan, explorou quais condições ajudam as pessoas a experimentar ideias novas, ela descobriu um fenômeno interessante: “Gerentes falam muito a respeito da inovação e de se estar afiado, mas, em um nível individual, muitas pessoas não estão dispostas a tentar coisas novas”.

O que nos está segurando? O medo do fracasso.

“O mundo dos negócios tem muito pouca tolerância para o fracasso”, diz Fiona. A compensação é geralmente baseada em tarefas bem feitas, não em erros espetaculares (e caros) que poderiam eventualmente resultar em um progresso tremendo.

Os chefes pregam a inovação e, ao mesmo tempo, ficam em cima dos funcionários, prontos para chamar-lhes a atenção. O estudo de Fiona concluiu que empregados que repetidamente tentavam coisas novas e falhavam eram mais inovadores e tinham mais sucesso no longo prazo. Mas as empresas com estilo mais confuso de gerenciamento têm empregados tão assustados e rígidos que acabam inovando menos do que inovariam se seus chefes nunca tivessem mencionado a palavra “inovação”.

Mesmo que as condições do ambientes permitam uma alta tolerância ao erro, algumas pessoas levarão esses revezes ao coração e não à cabeça. Esse tipo de pessoas deixa a decepção tomar conta de si como um veneno.

O psicólogo Jonathan Brown, da Universidade de Washington, descobriu que aqueles que têm baixa autoestima supervalorizam seus erros e concluem que são menos inteligentes e menos competentes que os outros. Paradoxalmente, a melhor maneira de melhorar a autoestima é agir logo depois de um tombo, construir uma reserva de eficácia pessoal.

Mancadas também são um componente necessário dos relacionamentos. O importante é a maneira como elas são gerenciadas. O estudioso de casamentos John Gottman é famoso por prever divórcios ao observar a interação dos casais. Ele descobriu que não é a quantia de discussões que prediz uma separação, mas como o casal consegue reparar os laços após os momentos de desacordo.
Todo mundo faz besteira. É a habilidade de pedir desculpas e de consertar os relacionamentos que conta.

Cair no mito do casamento perfeito pode encorajar os casais a evitar o conflito. Mas isso os deixa devastados quando os problemas inevitavelmente afloram. “Veja a loucura que gastamos em cerimônias de casamento para tentar fazer as coisas perfeitas e impecáveis para começar a relação”, diz o psiquiatra de Atlanta Frank Pittman.

Pittman diz que, ao invés de trabalhar para atingir a perfeição romântica, as pessoas precisam aprender a sobreviver à realidade juntas. “Um casal casado que nunca brigou perdeu a chance de se examinar, de reconhecer suas próprias besteiras, de expor suas falhas e perceber que podem se amar mesmo assim”.

Mesmo erros dramáticos como a infidelidade podem tornar uma união mais forte. Ao mesmo tempo em que Pittman não recomenda que a pessoas tenham amantes simplesmente para apimentar as coisas, ele insiste que uma vez que o adúltero se confessou e o romance acabou, uma grande oportunidade de cada parceiro conhecer a verdadeira pessoa por trás da máscara se apresenta.

As crianças também precisam de um pouco de corda que assegurem seus erros. O adolescente cuja mãe não deixa dormir demais e encarar as consequências de chegar atrasado na escola perde uma lição de comportamento responsável. E sua mãe nega a ela mesma as alegrias da confusão. “Eu ocasionalmente vejo pessoas cujos filhos nunca se meteram em confusão – e elas perdem a experiência de criar uma criança”, diz Pittman.

Talvez nós não devêssemos meramente aceitar os erros em qualquer área da vida, mas ativamente sair do caminho do fracasso. Então, se conseguirmos, podemos contar isso como um sucesso.


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