O artigo publicado semana passada levantou uma série de questões sobre como usamos nosso tempo em comparação com as oportunidades e o tempo de vida que temos.

Usei exemplos radicais, o que levou alguns dos leitores a interpretarem os argumentos apresentados no artigo de uma forma diferente da intenção que me levou a escrevê-lo em primeiro lugar.

Vamos lá, então! Comecei aquele artigo falando da falta de tempo corriqueira, no dia a dia, e dos motivos pelos quais fazemos as escolhas erradas quando decidimos onde e como aplicar nosso tempo. Essas escolhas que fazemos por necessidade de conforto e segurança acabam comprometendo os resultados positivos que desejamos para vida em geral.

Acabei entrando numa questão mais generalizada naquele artigo, abordando decisões cruciais que definem nossa vida como um todo, o que acabou levando muitos leitores a se concentrarem somente em questões fora de seu campo de controle – como a impossibilidade de largar um trabalho insatisfatório.

Vamos nos concentrar agora nos detalhes, nas coisas pequenas que, se combinadas, fazem uma grande diferença nos resultados que obtemos na vida.

A falta de tempo da qual muitos reclamam não é necessariamente culpa do trabalho insatisfatório que ocupa boa parte do dia ou dos compromissos indesejáveis porém inadiáveis a que muitos devem manter responsabilidade.

A administração do tempo no dia a dia é uma questão de priorização básica.

Se você não perde uma oportunidade de dormir um pouquinho mais quando pode; assiste a seriados, novelas e programas inúteis de TV; adora ler e encaminhar e-mails com piadas, mensagens “bonitinhas”, alertas de crianças desaparecidas (que são todos falsos!), textos “interessantes” que supostamente mostram a sujeira na política, os perigos contra a ecologia ou as mazelas em nossa sociedade; passa horas navegando pela Internet sem muito rumo ou em sites de relacionamento como Orkut, MySpace e Facebook; adora papos de corredor no escritório; gasta dez vezes mais tempo do que o necessário em suas conversas telefônicas… Você não tem direito de reclamar da falta de tempo!

O tempo está lá, mas devido à má priorização ele é colocado em coisas que não importam realmente e não fazem diferença alguma em sua vida. Como todas essas coisas são irrelevantes e desimportantes, você não mantém uma memória clara do que fez, ficando com a impressão de que o tempo passou e você nem viu!

Quando você analisa como aplicar melhor seu tempo e como ser mais livre e tornar sua vida mais significativa, você acaba se concentrando nas coisas grandes que ocupam uma significativa quantidade de tempo em seu dia-a-dia e acha que só poderá ter mais tempo quando eliminá-las, mas isso não é verdade. Basta dar uma olhada nas pequenas coisas que você faz e que parecem tão sem importância, irrelevantes o suficiente para que você nem se lembre delas quando pensa em como administra seu tempo.

Para aprofundar-se nesse assunto, leia o livro Manual de administração do tempo.



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