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Esse artigo é continuação do artigo: O que é proatividade?

Essa dúvida é gerada pela cultura da culpa na qual vivemos. A cultura da culpa dita que se algo não é culpa nossa, não temos responsabilidade de consertarmos o problema ou agirmos para a superação da questão.

Para uma pessoa proativa, essa pergunta nem sequer chega a fazer sentido. Praticamente tudo o que ocorre em nossas vidas está fora do nosso controle, ou seja, “não é culpa nossa”. No entanto, essa falta de controle não afeta as escolhas que você faz, principalmente com relação aos seus próprios sentimentos e emoções.

Uma das maiores armadilhas da cultura da culpa é levar as pessoas a acreditar que são as coisas, os acontecimentos, as outras pessoas que são responsáveis por seu estado de espírito. “Foi o trânsito que me deixou irritado hoje”, “Não consigo me concentrar porque meu marido me deixou louca com suas reclamações hoje de manhã”, “Estou muito frustrado porque a internet está lenta e eu não consigo fazer meu trabalho direito”, “Esse governo corrupto me dá um desânimo enorme” e assim por diante. As pessoas se deixam afetar emocionalmente pelos acontecimentos e pelas atitudes dos outros e acham que é totalmente aceitável justificar-se dizendo que suas emoções negativas são culpa dos outros ou das circunstâncias que estão fora do seu controle.

A pessoa proativa tem, de certa forma, sangue frio, ela não se deixa afetar emocionalmente pelas picuinhas tolas do dia-a-dia, muito menos permite que emoções negativas como frustração e raiva se formem como conseqüência das circunstâncias. Ela passa por cima de tudo isso e mantém sua mente focada em seus objetivos. O artigo anterior que definiu proatividade explicou que esse termo significa liberdade de escolha entre o estímulo e a resposta. Quem escolhe como vai se sentir diante dos acontecimentos somos nós mesmos e não há desculpas contra esse argumento. Entretanto, as pessoas comumente optam por deixar emoções negativas aflorarem mediante o mais insignificante estímulo. A impressora não imprime? A pessoa se enche de raiva, quer jogar o aparelho pela janela, diz que nunca mais vai comprar mais nada daquela marca e por aí vai. O colega de trabalho está de mau humor e diz alguma coisa meio atravessada? A pessoa já leva para o lado pessoal, achando que o colega não gosta dela e passa o dia inteiro pensando mal da pessoa e comentando com os outros o quão rude o colega foi com ela. O trânsito está congestionado e a pessoa chega atrasada a uma reunião? Ela passa o resto do dia de mau humor e frustrada.

O pior de toda essa história é que muita gente acha que tem toda a razão de se sentir assim, que suas reações emocionais são conseqüências obrigatórias em resposta aos estímulos. “Mas o fulano me disse isso, isso e aquilo, como é que você quer que eu me sinta?”, “Eu estou tentando imprimir esse documento faz duas horas e essa impressora não funciona, qualquer um ficaria irado na minha situação!”.

Essa sensação de obviedade para as respostas a cada estímulo é muito perigosa e pode comprometer seus esforços rumo a um desempenho excelente e uma produtividade mais eficaz. Para treinar a proatividade, você deve primeiro treinar o controle emocional em resposta aos estímulos comuns do dia-a-dia e internalizar a noção de que ficar bravo, frustrado, decepcionado ou desanimado não é uma resposta óbvia a certos estímulos. Só depois podemos entrar em detalhes mais complexos da proatividade como liderança pessoal, superação de traumas, dificuldades íntimas e obstáculos.

Leia o próximo artigo: Proatividade X Ataques Emocionais



Palavras-chave: pró-atividade, pró-ativo, proativa, proativo

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