A dispersividade é a tendência da pessoa sem foco e sem auto-organização de fazer de tudo um pouco, sem que cada uma dessas atividades tenha qualquer sentido ou propósito maior.

A pessoa “se espalha”, faz de tudo e no final das contas não faz nada de concreto, não produz nada, não tem resultados para mostrar como frutos de todos os seus esforços.

A dispersividade leva a pessoa a correr na rodinha do hamster, a pessoa pensa que está sendo produtiva só porque está sempre super ocupada, mas ela não percebe que está correndo em círculos, seus esforços não estão rendendo resultado algum.

A conquista do sucesso exige esforços focados e uma grande disciplina na execução desses esforços. A pessoa dispersiva, mesmo tendo objetivos definidos, tem muita dificuldade em manter o foco concentrado e não consegue ter disciplina para dar continuidade a esses esforços. Falta-lhe pragmatismo, objetividade.

A pessoa não tem senso de prioridade, não sabe escalar suas atividades em ordem de importância, geralmente apenas reagindo à urgência, fazendo o que aparece e que precisa ser feito sem nenhuma preocupação com a construção de algo mais sólido para o futuro.

Uma das maiores ameaças ao foco e ao pragmatismo que podemos até considerar como uma das raízes da dispersividade é a tendência da nossa sociedade de ceder aos estímulos que agradam os sentidos e priorizar o prazer. Atividades de lazer, passatempos, novelas, música e todo o tipo de atividade de entretenimento têm o objetivo de seduzir os sentidos.

Tudo isso, até certo ponto, é necessário para o nosso equilíbrio físico e emocional. Eu posso me considerar uma pessoa focada nos meus objetivos, mas vou ao cinema, escuto música, assisto seriados de TV, enfim, dou vazão para agradar os meus sentidos, assim como qualquer pessoa “normal”.

O problema que leva à dispersão é colocar esse hedonismo como prioridade e considerar tudo o mais como uma obrigação chata e indesejável, porém necessária para a sobrevivência, geralmente financeira, e fazer o mínimo possível só para “se safar” e receber um salário no final do mês, para que sobre mais tempo para se dedicar a todas as atividades gostosas que agradam os sentidos.

Essa postura mantém a pessoa na mediocridade, pois fazer só o necessário não leva ninguém à excelência e essa obviamente não está nas atividades de entretenimento. A pessoa que tem essa postura geralmente não tem objetivos e metas, justamente por isso é que sua prioridade é o entretenimento, já que nada lhe sobra para dar sentido à sua vida.

A falta de clareza e objetividade nas definições de suas metas ou até a ausência completa de metas faz com que a pessoa se sinta perdida em seu dia-a-dia. Para não se sentir inútil, ela enche sua agenda de coisas para fazer, associa estar ocupada com importância, com produtividade, mas no final das contas tudo o que ela faz é apenas manter a própria vida, compromissos, responsabilidades, atividades de manutenção normais.

Nada é realmente feito para que um objetivo mais complexo seja conquistado, ou seja, não há produtividade real, apenas uma sensação de estar ocupado, que só contribui para que, com o tempo, a pessoa comece a perceber a falta de sentido em sua vida e comece a se sentir deprimida e frustrada.



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