Nada no mundo pode substituir a persistência. O talento não pode; não há nada mais comum que homens talentosos e sem sucesso. A genialidade não pode; gênios não recompensados viram provérbios. A educação não pode; há muitas pessoas educadas sem rumo. A persistência e a determinação sozinhas são onipotentes. O slogan “Siga em frente” resolveu e sempre resolverá os problemas da raça humana. – Calvin Coolidge

A persistência é o quinto e último pilar da autodisciplina.

O que é persistência?

Persistência é a capacidade de continuar agindo sem se importar com os seus sentimentos. Você segue em frente mesmo que tenha vontade de desistir.

Quando você trabalha por qualquer grande objetivo, sua motivação sofrerá altos e baixos, como ondas quebrando na praia. Às vezes, você vai se sentir motivado; às vezes, não. Mas não é a sua motivação que vai produzir resultados – são as suas ações. A persistência permite que você continue agindo mesmo quando você não se sente motivado e, portanto, permite que você continue acumulando resultados.

A persistência, por fim, vai providenciar a você sua própria motivação. Se você simplesmente continuar agindo, você vai eventualmente atingir resultados e resultados podem ser muito motivadores. Por exemplo, você pode ficar muito mais entusiasmado com relação a dietas e exercícios físicos depois de ter perdido os primeiros 5 kg e sentir que suas roupas estão mais largas.

Quando desistir

Você deve sempre persistir e nunca desistir? Certamente que não. Às vezes, desistir é claramente a melhor opção.

Você já ouviu falar de uma empresa chamada Traf-O-Dat? E Microsoft? Ambas as empresas foram iniciadas por Bill Gates e Paul Allen. Traf-O-Dat foi a primeira empresa que eles começaram, em 1972. Gates e Allen a mantiveram por vários anos antes de jogarem a toalha. Daí eles desistiram. Naturalmente, eles se deram um pouco melhor com a Microsoft.

Então quando você sabe quando continuar e quando desistir?

Seu plano ainda funciona? Se não, atualize-o. Seu objetivo ainda é o mesmo? Se não, atualize-o ou abandone-o. Não há mérito algum em agarrar-se a um objetivo que não o inspira mais. Persistência não é sinônimo de teimosia.

Essa foi uma lição particularmente difícil para eu aprender. Eu sempre acreditei que nunca se deveria desistir, que quando você tem um objetivo, você deve se ater a ele até o fim. O capitão afunda com o navio, afinal de contas. Se eu falhasse em concretizar um projeto que havia começado, eu me sentia muito culpado.

Eventualmente, eu descobri que isso não faz sentido.

Se você está realmente crescendo como ser humano, então você sempre será uma pessoa diferente do que era no ano anterior. E se você busca desenvolvimento pessoal conscientemente, as mudanças frequentemente serão dramáticas e rápidas. Você não pode garantir que os objetivos que tem hoje serão os mesmos daqui a um ano.

Meu primeiro trabalho foi o Dexterity Software. Eu o comecei em 1994, logo depois de acabar a faculdade. Mas depois de trabalhar nele por mais de uma década, eu estava pronto para algo novo. Eu ainda trabalho com o Dexterity, mas ele não tem minha atenção em tempo integral mais. Levo apenas uma ou duas horas por semana para mantê-lo, parcialmente porque eu o fiz para que fosse o mais autônomo possível e me render um retorno passivo. Foi bem sucedido até o ponto em que eu queria que ele fosse. Poderia ter crescido muito mais, mas eu sabia que não queria passar o resto da minha vida fazendo jogos de computador. Criar minha própria empresa de jogos era meu sonho quando eu tinha 22 anos e depois de fazer uma dúzia de jogos, eu sinto que atingi esse objetivo. O Steve de 22 anos está bem satisfeito. Mas hoje eu tenho sonhos diferentes.

Para abrir espaço para novos objetivos, nós precisamos deletar ou completar os antigos. E às vezes os novos objetivos são tão convincentes e inspiradores que não há tempo para completar os antigos – eles precisam ser abandonados pela metade. Eu sempre achei desconfortável fazer isso, mas eu sei que é necessário. A parte difícil é decidir desistir conscientemente de um projeto antigo, sabendo que ele nunca será finalizado. Eu tenho um arquivo repleto de ideias e protótipos de jogos novos que nunca verão a luz do dia. Decidir conscientemente que esses projetos tinham que ser abandonados foi muito difícil para mim. Eu levei um tempão para conseguir lidar com isso. Mas fazê-lo era necessário para meu próprio crescimento.

Eu ainda tinha que resolver o problema de planejar objetivos que poderiam se tornar obsoletos em um ano por conta do meu crescimento pessoal. Como eu resolvi esse problema? Eu trapaceei. Eu descobri que a única maneira de eu ter objetivos de longo prazo que permanecessem seria se meus objetivos estivessem alinhados com meu próprio processo de crescimento. A busca por crescimento pessoal tem sido uma constante para mim, mesmo que esteja paradoxalmente em fluxo ao mesmo tempo. Então ao invés de tentar estabelecer objetivos fixos, como fiz com meu negócio de jogos, eu comecei a estabelecer objetivos mais dinâmicos que estivessem alinhados com meu crescimento pessoal. Meu novo negócio (meu website e trabalho como palestrante e consultor de desenvolvimento pessoal) me permite buscar meu objetivo em tempo integral e compartilhar o que aprendo com os outros. Então o próprio crescimento é o objetivo, tanto para mim quanto para os outros. Isso cria uma relação simbiótica em que ajudar os outros acrescenta o meu próprio crescimento, o que, por sua vez, gera ideias para ajudar os outros.

A busca direta e consciente por crescimento pessoal é o único tipo de missão que funciona para mim. Se eu fizesse de minha missão investir na bolsa de valores, por exemplo, eu provavelmente ficaria entediado em poucos anos. Como quero continuar crescendo indefinidamente, eu tenho que manter um certo nível de desafio e continuar aumentando-o continuamente. Não posso deixar as coisas ficarem muito maçantes, ou corro o risco de cair na condescendência.

O valor da persistência não vem do apego teimoso ao passado. Ele vem de uma visão do futuro que é tão convincente que você faria quase tudo que pudesse para torná-la real. A visão que tenho do meu futuro agora é muito melhor do que a que eu tinha com o Dexterity. Poder ajudar alguém a crescer e resolver seus problemas mais difíceis é muito mais inspirador para mim do que entreter pessoas. Esses valores começaram a tomar conta de mim enquanto eu fazia o Dexterity porque eu favoreci jogos de raciocínio lógico que desafiavam as pessoas a pensar, frequentemente deixando de lançar jogos que eu sabia que fariam dinheiro, mas que não seriam de muita valia para as pessoas.

A persistência de ação vem com a persistência de visão. Quando você tem tanta clareza daquilo que quer que essa visão não muda muito, você será mais consistente – e persistente – nas suas ações. E essa consistência de ações vai produzir consistência de resultados.

Você consegue identificar alguma fase em sua vida em que você demonstrou um padrão de persistência de longo prazo? Acho que se você consegue identificar uma fase assim, ela pode providenciar alguma dica para a sua missão – algo pelo que você pode trabalhar em que a paixão e a disciplina funcionam em sinergia.

Os cinco pilares da autodisciplina – partes anteriores:

– Parte 1 – Introdução

– Parte 2 – Aceitação

– Parte 3 – Força de Vontade

– Parte 4 – Esforço

– Parte 5 – Diligência