Mais um ano está chegando ao fim! Muita gente tem aquela sensação de frustração “mas já se foi o ano!” como se não tivessem visto o tempo passar. Quando nos entregamos à rotina é isso o que acontece. Vamos levando, fazendo o mesmo de sempre, mas por incrível que pareça, nesse “mesmo” não se incluem aquelas coisinhas que realmente queremos fazer! No final das contas, estamos sempre ocupados, fazendo um monte de coisas, mas poucas ou nenhuma dessas atividades envolvem nossos sonhos.

A vida vai passando e vamos ficando cada vez mais incrédulos – onde foi parar toda aquela motivação, todo aquele entusiasmo que tínhamos lá no início, quando começamos a nossa jornada? Quanto mais os anos consomem as nossas esperanças, mais desmotivados vamos ficando – quem sabe é assim mesmo, quem sabe eu não nasci para fazer nada extraordinário…

Se você costuma ler meus artigos, eu tenho a impressão de que a sua esperança ainda não morreu ou que você esteja caminhando, mesmo que aos trancos e barrancos, mas conquistando uma coisinha aqui outra ali.

Existem alguns truques para evitar essa situação de “empate técnico” e começar a provocar uma virada na sua vida. São estes truques que eu vou compartilhar aqui com você hoje:

1. Visão de longo prazo – planejamento de cinco anos

Há um ótimo artigo de Steve Pavlina que publicamos há um tempo sobre Planejamento de cinco anos (link abre em outra janela). Marque este artigo para ler depois ou imprima para tê-lo com você.

O raciocínio é o seguinte: sua vida não vai acabar no final deste próximo ano. Definir metas somente para o ano é um pouco ingênuo e denota falta de visão. A grande maioria dos sonhos que temos não são realizáveis em apenas um ano. A perspectiva de longo prazo nos ajuda a enxergar nossa vida “esparramada” ao longo de um período muito maior, mas não tão longo. Algumas pessoas conseguem com êxito planejar 10 anos a frente, mas a maioria não. Cinco anos é uma janela de tempo que conseguimos coerentemente vislumbrar sem forçar a barra sonhando com coisas mirabolantes que apareceriam se déssemos corda para a imaginação com um período um pouco maior.

Então sente com papel e caneta, planilha ou arquivo no computador, e (sem sair fora da casinha!) anote o que desejaria alcançar nos próximos cinco anos: sonhos, obstáculos que você gostaria de vencer, marcos a serem atingidos, conquistas.

O que é “fora da casinha”? É definir metas mirabolantes, muito longe da sua realidade, que evidentemente, você não vai alcançar. Definição de metas não é técnica de acesso ao gênio da lâmpada! Não é uma oportunidade para fazer “pedidos” de coisas que você gostaria de ter, ser ou fazer na vida, mas que estão tão longe do seu aqui e agora que você nem saberia por onde começar.

Evite também a armadilha de definir coisas que você “deveria” querer, ou seja, aquelas coisas que num mundo perfeito, você deveria fazer (ou que os outros acham que você deveria fazer). Não tem a mínima vontade de parar de fumar? Então não defina em suas metas que vai parar, se você não vai fazer o menor esforço para que isso aconteça.

Defina metas claras e objetivas, evitando clichês e generalizações. Não defina algo como: ‘eu quero dar uma virada na minha vida e ser um sucesso!’ Ou ‘Eu quero ser feliz.’ Tá, ok, mas o que isso significa? Traduza suas intenções em atividades práticas.

2. Planejamento do ano seguinte

O próximo passo é pegar esse planejamento de cinco anos e ver o que você pode fazer no próximo ano. O ideal é planejar já os cinco anos, vendo o que você precisa fazer a cada ano, mas se você tiver dificuldade para fazer isso, veja quais são as atividades que você precisa fazer para dar um start nessas metas.

No final do próximo ano, com as metas já iniciadas e bem encaminhadas, você terá melhores condições de visualizar o caminho que deverá seguir nos próximos quatro anos. Uma vez que você comece, fica cada vez mais fácil.

Ao definir as metas nessa fase, pense em detalhes sobre como você irá colocá-las em prática. Se você não consegue entender como, nem imaginar como se faz o que você quer fazer, há grandes chances de que você acabe não fazendo nada.

Nessa era de informação abundante, descobrir como se faz as coisas é elementar, na maioria das vezes, algumas horas ou em casos mais complexos, alguns dias de buscas na internet e leitura de livros já supre a necessidade de conhecimento. Não há desculpas para não saber como fazer alguma coisa (ou como a conquista de alguma meta específica “funciona”). Se o que você quer fazer é algo que exige profundo conhecimento em uma área em que você não possui nenhuma base, considere que essa pode ser uma meta “fora da casinha”!

No livro Planejamento Estratégico Pessoal eu ensino uma técnica muito poderosa para provocar o efeito de “virada” que é a técnica de mais um ano de vida. É uma técnica em que você imagina que só tenha mais um ano de vida e que precisa então correr para fazer tudo o que quer fazer dentro desse período. É claro que sabemos que vamos (provavelmente) sobreviver ao ano! Por isso, inserimos metas concatenadas com os objetivos de longo prazo, mas ao aplicar esta técnica, supondo que poderíamos realmente morrer no final do ano, se levarmos realmente a sério o processo, podemos mudar a nossa vida da água pro vinho.

Essa técnica afeta muito mais do que as metas propriamente ditas. Quando pensamos na efemeridade da vida, começamos a dar mais valor para os nossos relacionamentos, pensamos nos perdões que precisamos conceder, nas reconciliações que precisam acontecer, na valorização de cada pessoa que passa por nosso caminho e nos laços que criamos com elas.

Além disso, pensamos em nosso legado. O que vamos deixar para os que ficam, como seremos lembrados.

Um dos maiores benefícios de aplicar esta técnica é terminar o ano pronto para morrer a qualquer momento, mas ainda assim, firme e forte em nossas metas.

3. Adaptação do planejamento à sua rotina

Esse passo é importantíssimo para evitar a postergação. Se você não vislumbrar e planejar antecipadamente como irá dar conta de suas metas em meio a sua vida diária, você acabará sempre deixando para depois e não fazendo muito em direção aos seus sonhos.

Nessa fase do seu planejamento, você pode aproveitar para refletir sobre como vem usando seu tempo e que progresso você tem feito na vida com base nesse uso.

Você desperdiça muito tempo na mídia social (Facebook, Twitter, Instagram, etc.)? Você assiste muita TV? Você costuma ler e encaminhar email ou posts “bonitinhos” para todos os seus amigos? Você costuma jogar no celular ou no computador? Esses são os ladrões descarados de tempo, atividades completamente irrelevantes, inúteis que não acrescentam nada à sua vida.

Algumas pessoas perdem tempo com atividades que parecem “úteis”, mas não são! Essas atividades podem ser leitura de blogs e livros não relacionados a suas metas, como sites de notícias (você realmente precisa saber de tudo o que está acontecendo no mundo? Que diferença faz hoje para você todas as notícias que você leu um ano atrás?). Livros de ficção são ótimos para passar o tempo nas férias ou ler antes de dormir, mas fora essas ocasiões, a “culta” leitura está lhe roubando um precioso tempo.

Você deve separar um período para descansar e recarregar as baterias sim, praticar atividades físicas e curtir a família, mas se isso ocupar todo o seu tempo livre, como você irá se dedicar às suas metas?

É preciso entender também que muitas das atividades que oficialmente ocupam nosso tempo, podem sim fazer parte de nossas metas como trabalho e estudo. O tempo que você irá dedicar aos seus objetivos então não engloba somente o tempo livre, mas também as atividades que cumprimos por obrigação, mas nos ajudam a crescer.

4. Horários: o segredo da disciplina

A procrastinação ocorre justamente quando não temos horário. Nossas metas ficam soltas, à deriva, esperando um tempinho de sobra para nos dedicarmos a elas. Sempre achamos algo para fazer com nosso tempo, outras coisas, não aquelas relacionadas às metas. A principal razão, contudo, é a mais simples e boba de todas, é o fato de que as metas não possuem uma alocação individualizada de tempo e sendo assim, elas vão sendo puxadas para o fundo da nossa mente. Passamos a acreditar que nunca dá tempo, que somos muito ocupados, que nossa vida é muito atribulada, quando isso não é bem a verdade! A realidade é que nós proativamente afastamos as metas de nossas vidas ao não reservar um lugarzinho para elas em nosso cotidiano.

Para inserir suas metas em seu dia-a-dia, você precisa se disciplinar e isso é chato para algumas pessoas. Disciplina é uma coisinha antipática que nos lembra da época de escola ou parece “cobrança de trabalho”.

Definir horários para nos dedicarmos às nossas metas – e fazer um esforço, sobrenatural que seja, para cumprir esses horários – é a melhor forma de nos disciplinarmos e criarmos novos hábitos. Nós naturalmente somos muito relutantes para obedecer a horários quando não existe cobrança externa. Colocamos no papel que todo dia das 20 às 22 horas vamos nos dedicar a uma de nossas metas, mas ninguém vai cobrar, ninguém vai fiscalizar, ninguém vai reclamar que estamos assistindo TV, jogando no celular ou navegando na internet ao invés de fazer o que nos propomos. Essa falta de cobrança nos leva a não levar a sério nossas próprias metas, mas é aí que reside a maior diferença entre pessoas bem sucedidas e as que patinam no molhado. O foco, que é um dos maiores segredos do sucesso, depende do nosso comprometimento com o que nos propomos a fazer, mesmo que ninguém cobre, que ninguém saiba o que estamos fazendo. Se não nos levamos a sério, como podemos esperar resultados?

Um dos maiores problemas com as resoluções de ano novo é que as pessoas não mudam os hábitos que as fazem não fazer o que elas querem fazer.

Horários, aos poucos, nos disciplinam de forma permanente. A ciência diz que leva em torno de 21 dias para formarmos novos hábitos. Essas primeiras três semanas são sofridas, nos rebelamos contra nós mesmos e temos o impulso de simplesmente mandarmos tudo para o escambau. É como começar a correr. Os primeiros minutos dos primeiros dias são de morrer, mas ao passar pelo gargalo e deixar com que o corpo aprenda esse novo hábito, a corrida fica gostosa e deixa de ser um sacrifício.

Um truque mental interessante é selecionar algumas personalidades em sua área, as quais você consiga obter informações acerca de sua rotina, e a cada “tentativa” de deslize sua você pensa: será que o(a) fulano(a) estaria fazendo isso? O que o(a) fulano(a) faria nessa situação? Essa estratégia de associação vai mais além da simples obtenção de insights sobre o que exatamente você deveria fazer em cada situação, mas também o faz se dar conta do seu próprio subnível. Na hora que você pensa na realidade do outro, pessoa super produtiva que está muito além de você profissionalmente, você se sente mal, se sente como um perdedor que está vacilando na vida. Esse processo, se funcionar para você, pode ter um poder motivador fortíssimo. Na hora que você se dá conta do quanto está atrasado, você se esforça mais e para de besteira, para de perder tempo com coisas inúteis e improdutivas. Esse processo deve ser repetido quantas vezes forem necessárias, pois esse impulso motivacional tem vida curta.

5. Cerque-se de mecanismos de auxílio a produtividade

Cada pessoa encontra um grupo de mecanismos que funciona melhor para si mesma. A famosa técnica da foto de uma pessoa magra na porta da geladeira funciona para muita gente que está tentando perder peso. É o mesmo processo da motivação por associação que vimos no item anterior.

Para mim, eu mantenho um daqueles quadros brancos pendurado no meu escritório em casa e escrevo, desde os horários da semana, coisas que eu não posso esquecer, até frases motivacionais e palavras-chave que eu “sugiro para mim mesma” refletir naquela semana.

Para algumas pessoas, funciona manter fotos de familiares por perto – toda vez que a pessoa olha para seus familiares, ela se lembra porque está fazendo o que faz e se motiva mais um pouquinho a continuar na atividade.

O ideal é testar vários artifícios de suporte e ver o que tem um efeito motivador em você e o que acaba virando cenário. A motivação é uma chama explosiva que acende, explode e apaga. Você precisa constantemente dar a faísca inicial para acender esse fogo.

Bom, essas cinco dicas, se levadas a sério, possuem um poder enorme. Mudar a própria vida e dar a volta por cima não é algo do outro mundo, as pessoas fazem isso o tempo todo, nas condições mais precárias. Você certamente possui melhores condições do que muita gente que conquistou muito na vida. A diferença toda está na definição de um rumo claro (nada de ficar tentando várias coisas, jogando macarrão na parede pra ver o que gruda!), manter-se focado fazendo as poucas coisas que você se determinou a conquistar e ter disciplina para de fato fazer o que tem que ser feito no dia-a-dia.

Se há cinco anos você tivesse lido e levado a sério um artigo como este, o que você já teria conquistado hoje? Quantas coisas você já poderia ter feito se tivesse dedicado algumas horinhas diárias (ou semanais) a algo que já há tempo vem pensando em fazer? Pense nisso! Seus próximos anos podem ser muito diferentes se você se levar mais a sério!



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