Nem todos os nossos sonhos são realizáveis. Às vezes, as pessoas em volta não acreditam em nossas idéias porque estamos realmente alucinando, sonhando com algo que jamais se tornará realidade.

Com 20 e poucos anos, eu sonhava em dar uma de Amyr Klink e sair velejando pelos mares afora. Eu cheguei até a montar um planejamento bem complexo de todas as etapas da minha preparação. O único “problema” é que eu não queria abrir mão de todo o “resto” em minha vida. Eu queria construir uma família, queria me tornar uma grande consultora em desenvolvimento pessoal, fazer um mestrado e um doutorado, escrever livros, investir no mercado digital – que estava apenas começando na época –, ou seja, eu queria coisas demais, eu tinha sonhos demais e muitos incompatíveis entre si.

Fiquei triste quando eu percebi que não podia me tornar a “versão feminina” de Amyr Klink, pois tinha optado por outro caminho na vida. Durante certo tempo eu ainda alimentei a ilusão de que “quando as coisas na minha vida se acalmassem” eu iria me dedicar à navegação. Eu estava sendo teimosa, me baseando somente no fato de que eu sabia que poderia conquistar esse sonho se me voltasse para ele.

O problema é que eu não contava que teria que abrir mão de outras coisas que são de fato mais importantes para mim.

Durante certo tempo, eu quis ser diretora de cinema. Essa foi a razão, aliás, que me levou a me mudar de vez para os EUA. Mais uma vez, porém, eu fiz outras escolhas baseadas em meus valores pessoais e minhas reais prioridades de vida e, meio decepcionada, tive que baixar a cabeça e admitir que se eu quisesse continuar fazendo tudo o que eu estava fazendo, não ia dar pra ser diretora de cinema nessa vida!

É importante, entretanto, não confundir o fracasso de uma ideia ou de um sonho com o fracasso pessoal. Objetivos nem sempre se tornam realidade, mas quando isso afeta sua autoestima, você começa a se sentir como um fracassado e a espiral começa a rolar para baixo, reduzindo cada vez mais a sua habilidade de colocar ideias em prática.

Nas palavras de Ricardo Bellino:

“Muitas pessoas que não obtêm sucesso com uma idéia passam a se achar fracassadas e, de tanto acreditarem nisso, acabam realmente se transformando em perdedoras. A idéia pode dar errado, mas se você está ousando, se você está recomeçando e buscando novas soluções, novos caminhos, novas oportunidades e revendo seus conceitos, suas atitudes, suas abordagens, se você está fazendo tudo isso, quem deu errado foi a idéia, não você.”

Muitas vezes, não chega nem a ser o caso da ideia em si ter fracassado, mas uma simples questão de PRIORIDADES!

Temos apenas 24 horas por dia, 365 dias por ano e algumas poucas décadas de vida ativa para construirmos e buscarmos nossos sonhos. Não há tempo suficiente para ficarmos “pirampulando” de sonho em sonho, querendo fazer tudo que temos vontade.

Se eu tivesse dado corda para certos sonhos que tive, como os que mencionei aqui (navegação e cinema), talvez você não estivesse lendo este texto agora. Talvez eu tivesse me tornado uma pessoa frustrada tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo e não conseguindo ser excelente em nada de fato.

Eu priorizei estudar e escrever sobre o comportamento humano e é por isso que eu estou escrevendo para você agora e posso fazer isso como profissão. Eu levei mais de dez anos para construir uma situação em que pudesse viver disso sem ter que fazer qualquer coisa temporária para pagar as contas.

Se o tempo que eu dediquei para construir as bases da minha carreira tivessem sido dispersados entre outros objetivos, eu poderia não ter conseguido chegar até aqui.

Essa é realmente a condição em que se encontram muitas pessoas batalhadoras que têm sonhos e querem conquistá-los. Dispersão e dificuldade em priorizar acabam fazendo com que a pessoa não consiga ter continuidade, ou seja, a pessoa anda, anda, anda, mas não chega a lugar algum.

Só há tempo suficiente para que possamos nos dedicar a algumas poucas coisas de cada vez… Escolha suas batalhas com muito critério e coloque seu corpo e alma nelas. Como discutimos bastante aqui nesse, o resto é uma questão de aplicar técnicas de planejamento, organização pessoal e o efeito composto toma conta de tornar seus sonhos realidade no médio/longo prazo.



Palavras-chave: Abrir mão de um sonho, Desistir, Metas, Objetivos