Ansiedade de aproximação, como é “tecnicamente” chamado esse problema, o medo de se aproximar e fazer contato com pessoas novas é uma das maiores dificuldades que as pessoas encontram para crescer na vida.

Ninguém progride sozinho e ninguém é feliz sozinho. Precisamos uns dos outros para conseguirmos oportunidades, socializarmos e construirmos uma vida completa – isso de uma forma generalizada é claro, mas você entende o que quero dizer. Se estivéssemos sozinhos no mundo não haveria razão para fazermos praticamente nada do que fazemos. É a vida em grupo e a possibilidade de ser feliz dentro desse grupo que nos motiva a caminhar para frente, seja o desejo de encontrar uma “alma gêmea” e construir uma família, a fantasia de ser reconhecido profissionalmente ou o simples prazer de compartilhar as coisas boas da vida, tudo envolve nós junto com outras pessoas.

É por isso que a ansiedade de aproximação perturba tanto as pessoas e gera tanta infelicidade. São as pessoas que permitem com que possamos crescer e sermos felizes, mas se temos medo de sermos rejeitados, se temos vergonha de abordar alguém, seja pessoalmente ou profissionalmente, nós nos roubamos o direito de progredir.

A ansiedade de aproximação é resultante de crenças limitantes que mantemos na cabeça, assim como todos os outros tipos de medo. Temos medo de nos aproximar dos outros por vários motivos, porém todos e quaisquer que sejam estão ligados a coisas que acreditamos que justificam o medo, como “eu não sou bom o suficiente”, “ele vai rir da minha cara”, “ele vai dizer não”, “eu não vou saber o que dizer”, “eu vou falar alguma besteira”, “eu vou fazer papel de trouxa”, enfim, nós supomos que sabemos exatamente o que vai acontecer e ficamos petrificados com a possibilidade de que isso realmente aconteça e no processo hesitamos, evitando agir e nos aproximar para iniciar um contato. Isso é muito comum na vida profissional no contato com pessoas de maior poder e também na vida pessoal no contato com pessoas do sexo oposto. O medo não existe se não pensarmos o pior ou se não fizermos uma tempestade em copo d’água com a possibilidade de uma rejeição, passar uma má impressão ou de fazer um papelão – coisas que na realidade, raramente ocorrem.

É claro que não há muito perigo real em tentar iniciar contato ou aprofundar relacionamentos, mas isso não torna o medo menos real. O medo pode estar sendo baseado em crenças falsas e suposições perfeccionistas, mas ainda assim pode exercer controle sobre o comportamento.

A melhor (talvez única) forma de lidar com a ansiedade de aproximação é acumular experiência. Isso não é novidade, talvez você já tenha ouvido isso inúmeras vezes. Isso porque não existe pílula mágica para vencer a timidez, só há um único caminho e o caminho é se expor e se dar chance de passar por experiências. Pessoas extrovertidas, que não tem medo de se aproximar dos outros, também sofrem rejeição, também causam má impressão em algumas pessoas e também passam ridículo. A diferença está na postura com que cada uma lida com o resultado. Enquanto a extrovertida lança um “e daí?” e nunca mais pensa no assunto, a tímida entra em pânico: “meu Deus, eu nunca mais vou tentar me aproximar de ninguém” e fica pensando naquela experiência por uma semana.

O medo de passar por experiências então amplifica a própria ansiedade de aproximação, pois não só a pessoa tem medo do que possa acontecer, ela acha que experiências negativas são o que há de pior no mundo. Mas, mais uma vez, não tem jeito de convencer quem tem esse tipo de medo se a pessoa não se predispor a dar a cara à tapa, por assim dizer, e se despojar a passar por experiências que sim, podem resultar em rejeição ou qualquer outro tipo de resultado negativo.

O X da questão é ter tantas experiências a ponto de começar a entender, de uma por todas, o que o extrovertido já entende: que não tem nada demais em ser rejeitado, em passar ridículo ou falar uma besteira de vez em quando.

Outra forma de lidar com isso sem passar necessariamente por experiências, ou trabalhando conjuntamente, é procurar provas em sua memória de que seus medos são infundados. Para isso você precisa sentar e escrever para organizar seus pensamentos. Por exemplo, você começa a escrever porque tem medo de abordar pessoas que não conhece num evento profissional ou festa. Daí você escreve todos os motivos que você acha que tem para realmente não tentar se aproximar de ninguém. Depois você faz o exercício contrário e procura provas de que você já fez isso antes (já se aproximou de gente desconhecida em eventos) e nada terrível aconteceu, pelo contrário, você teve uma ótima conversa, fez um novo amigo, um novo contato profissional, etc. A terceira parte do exercício é avaliar porque você ainda tem medo se você mesmo já tem provas de que tem condições de se aproximar de alguém e não fazer papel de babaca. Se você fez esse exercício corretamente, você não terá nada para escrever na terceira parte, porque você terá pego a si mesmo em sua própria mentira! Você estava dizendo para si mesmo que tinha medo de se aproximar de estranhos em eventos porque tem medo de não saber o que falar e ficar com cara de tacho, quieto, mas se lembra de três situações em que você se aproximou de completos estranhos e teve conversas divertidas, interessantes ou produtivas. Então qualé a sua?

Esse exercício não funciona, é claro, se você nunca teve nenhuma experiência com o que provoca o medo em você (para essas situações, só a experiência prática resolve), mas pode automaticamente derrubar medos idiotas que você mantém na cabeça sem motivo algum.

Outro exercício é fazer uma lista de todos os motivos que você acha que justificam seus medos de se aproximar dos outros e iniciar contatos e refletir, fazendo uma pesquisa se possível, sobre o que é preciso fazer para remediar aquele problema especificamente. Por exemplo, muita gente tem medo de se aproximar de estranhos porque receia não saber o que dizer ou não saber conduzir uma conversa inteligentemente. Se esse é o caso, o problema aqui é comunicabilidade e isso é facilmente remediável, basta dar uma estudada, memorizar algumas histórias engraçadas, algumas piadas, algumas tiradas “espertas”, memorizar algumas “coisas para se falar com o assunto acaba”, etc. Existem centenas de livros sobre esse assunto e eles resolvem! Conheço inclusive pessoas extrovertidas que tem repertórios de histórias, piadas e assuntos que elas lançam mão se precisam salvar uma conversa do tédio – e elas fazem isso intuitivamente, ninguém as ensinou e elas não leram livro nenhum, elas simplesmente sabem como a dinâmica da intercomunicação funciona. Se você vai a um evento profissional sobre um assunto específico, por exemplo, equipamentos médicos, vale a pena fazer a lição de casa e dar uma pesquisada na net sobre o assunto, contando que as pessoas no evento provavelmente estarão falando sobre isso.

Um aspecto importante da superação do medo de aproximação é evitar a generalização. Pessoas ansiosas costumam generalizar as coisas que lhes geram medo e isso só amplifica a insegurança. Generalização é uma tentativa de colocar tudo no mesmo saco ou “prever” experiências futuras com base no passado e no presente (“isso sempre acontece comigo” ou “eu nunca consigo”).

O cérebro automaticamente e inconscientemente procura por padrões em dados específicos, por isso é tão fácil cair na armadilha da generalização e tão difícil de compreender que cada situação é diferente, assim como cada pessoa. Nós podemos ter acumulado só fracassos numa determinada área e de repente, dá certo. Isso pode ter ocorrido por diversas razões, nenhuma delas relacionada à fantasia generalista do “comigo nunca dá certo”. Se algo “nunca” deu certo para você, é mais provável que tenha alguma razão específica, como você está fazendo alguma coisa errada e nem sabe, do que uma conspiração do universo contra você. Toda vez que fizer uma generalização, pense nisso: o universo não conspira contra você, você não é tão importante assim! Analise erros e falhas logicamente, usando seu cérebro e procurando avaliar o que você que poderia ter feito diferente, vendo tudo de um prisma individual, sem generalizar nada.

Em casos de rejeição pessoal, como ser rejeitado pelo sexo oposto, compreenda que a outra pessoa tem o mesmo direito de escolher um par quanto você. Você se sente no pleno direito de não querer certas pessoas, bom, os outros também tem o mesmo direito e no seu caso, a outra pessoa escolheu não ficar com você. Ela está em seu pleno direito de te rejeitar, afinal de contas, mais uma vez e desculpa a franqueza, você não é tão importante assim!

Às vezes o segredo da superação da ansiedade de aproximação é justamente descer do pedestal e ser um pouco mais modesto, dando direito para as outras pessoas o rejeitarem, assim como você se acha no direito de rejeitar quem bem entender. Não estou falando em ser grosso com os outros aqui, mas simplesmente em escolhas. Você gosta de saber que tem direito de fazer escolher, os outros também. Dói quando você não é o escolhido, mas é assim que a vida funciona… bola pra frente!



Palavras-chave: Medo de se envolver, Medo e se aproximar, Timidez