Um dos grandes problemas da vida moderna é a carga emocional que precisamos carregar ao tentar dar conta de múltiplas obrigações e arcar com responsabilidades sem “deixar a peteca cair”. Nesse artigo, vamos conversar sobre algumas formas de lidar melhor com as pressões da vida sem deixar com que a ansiedade e o desgaste tomem conta.

1. Transforme seu crítico íntimo em um coach

Muito do que nos causa estresse está apenas em nossa cabeça. Paranoia, preocupações, ansiedade, expectativas exageradas, perfeccionismo. Quando a vida ameaça acontecer de uma forma que não estamos esperamos, quando algo dá errado ou quando há a possibilidade de algo não sair como desejado, nosso crítico interno fica buzinando em nossos ouvidos, nos criticando e ampliando a percepção de preocupação.

Transforme essa vozinha interna em um coach, um amigo que irá ajudá-lo a se tornar alerta para os perigos do caminho, mas que também irá ajudá-lo a se preparar melhor para enfrentar qualquer problema que você puder eventualmente encontrar pela frente. Ao invés de simplesmente ficar no nível da preocupação: “ai meu Deus, e se isso ou aquilo acontecer?”, use técnicas como “se isso, então aquilo” para ampliar a visão sobre o problema e ter estratégias para lidar com “isso ou aquilo” se realmente ocorrer. O que a grande maioria das pessoas faz é se deixar aterrorizar por essas possibilidades, ficando apenas no “e se” sem pensar para frente: “ok, se isso acontecer, eu faço o que então? Quais são as minhas opções?”.

Escrever sobre suas preocupações ajuda muito a tirar o véu fantasmagórico delas. Escrever o obriga a encontrar palavras para descrever algo que em sua mente pode estar completamente nebuloso, indefinido e até mesmo incorreto. Na hora que você se obriga a expressar de forma escrita algo que o incomoda, aquilo se torna mais claro e você pode conseguir ter ideias de como lidar com a situação, caso seus medos venham a se tornar realidade.

Contudo, a maior probabilidade é que seus medos são apenas isso, medos. Uma famosa frase de Mark Twain resume esse ponto com muita veracidade: “Eu tive muitas preocupações na vida, a maioria delas nunca aconteceu”.

2. Organize-se!

Muito do estresse do dia-a-dia está relacionado à pura falta de organização pessoal, que acaba gerando impontualidade, perda de compromissos, confusão, demoras e preocupação desnecessária. Eu fico absolutamente boquiaberto quando alguém reclama para mim de estresse e quando eu vou ver a pessoa nem agenda usa. O artigo mais básico da auto-organização, essencial para qualquer pessoa que tenha compromissos e responsabilidades, usado há milênios, e tem gente que não usa! Aí a pessoa se embanana toda, perde compromissos, se atrasa, paga conta atrasada, não consegue manter a vida em dia e vem pedir ajuda! Bom, a primeira coisa, comece a usar uma agenda – e faça bom e completo uso dela!

Outros itens da auto-organização são: manter a casa e o local de trabalho fisicamente em ordem – e não vem com essa que você se acha na bagunça! Manter checklists (listas) de procedimentos e fluxogramas (se isso acontecer, faça isso) para otimizar atividades rotineiras e não esquecer-se de detalhes. E por último, disciplinar-se a jogar fora papelada desnecessária ou escanear para arquivar digitalmente. Muito da desorganização moderna ocorre por excesso de documentos, contas e papéis em geral que ficam amontoados sem necessidade, muitos dos quais poderiam simplesmente ser descartados ou escaneados para que a cópia física possa ser eliminada. Quando você vive em um local limpo, organizado e sem excesso de “coisas” sejam papéis, documentos ou objetos, você se estressa menos e é mais produtivo.

3. Procure dar sentido às atividades rotineiras

Muito do estresse que as pessoas sentem está relacionado a uma certa rebeldia, a pessoa não vê sentido no que está fazendo, não sente vontade de fazer, mas se vê obrigada a realizar atividades que considera desnecessárias. Muitas vezes, as pessoas estão erradas.

Se essas atividades “sem sentido” estão relacionadas ao trabalho, procure compreender a “máquina” da empresa como um todo e como sua atividade se enquadra dentro de um conjunto muito maior de pequenas tarefas que culminam no produto ou serviço da empresa – ou manutenção da mesma. Muita gente com preguiça de pensar e sem visão de conjunto se revolta contra a empresa onde trabalha tachando a própria atividade como inútil e sem sentido. Se esse é o seu caso, bom, você não é escravo, peça demissão se você está tão revoltado assim! A realidade é que essas pessoas geralmente são incapazes de perceber a importância de sua própria atividade por não compreenderem como funciona o processo completo de uma empresa. Se sua atividade realmente não tem sentido, dê um sentido a ela. Você precisa do emprego para se sustentar, não precisa? Então… Esse é o sentido. Se ao reduzir ao máximo o contexto de sua atividade você ainda não conseguir ver propósito no que faz, pelo menos dê valor ao emprego que paga suas contas.

Reduzir o nível de subversão contra as atividades que você realiza ajuda muito a reduzir o estresse. O mesmo vale para circunstâncias nas quais somos jogados pela vida. Cuidar de um parente idoso, ter parentes morando na mesma residência, lidar com pessoas difíceis, enfim, às vezes não conseguimos evitar uma situação que acaba nos causando estresse, mas esse estresse é causado pela nossa própria resistência. Não queremos aquilo, queremos que aquela situação acabe logo para voltarmos à nossa vida normal. Contudo, lutar contra uma situação que se impôs em nossa vida é inútil. Aceitar aquilo como um desafio da vida e lidar com a situação com sabedoria e maturidade sempre é a melhor opção.



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