A organização integral

Quando falamos em organização pessoal, a maioria das pessoas pensa na organização física, ou seja, a organização das coisas, a papelada, o ambiente organizado, a pontualidade, a agenda e manter a vida organizada, os compromissos em dia.

Mas a organização integral, a organização completa, envolve mais dois níveis que podem ser considerados até mais importantes do que a organização física.

A organização integral revela uma condição raríssima onde a pessoa é verdadeiramente organizada em todos os sentidos. É muito difícil ter esses três níveis de organização em um nível bem sadio. É claro que, em termos de traços pessoais, atributos de personalidade e habilidades, a expressão ocorre em gradações. Ninguém tem ou não tem alguma coisa. Podemos não estar no 100%, mas também nunca estamos no zero. Ninguém pode dizer que não tem nenhum nível de organização, sempre há alguma porcentagem. Então, é importante manter isso em mente para não ficar naquele jogo de “8 ou 80”.

Os três níveis de organização que veremos aqui são o físico, que é o mais óbvio, o emocional ou psicológico, e o mental. Esses três níveis não operam separadamente, mas formam uma tríade, afetando um ao outro.

O nível físico é aquele ao qual nos referimos quando falamos de organização. É o ambiente organizado, a pontualidade, o uso efetivo do tempo, de sistemas para lidar com a complexidade da vida, de técnicas de produtividade para otimizar os recursos, enfim, a organização física é a boa administração da vida, das “coisas”, compromissos e atividades.

A organização emocional ou psicológica é o que o nome diz, é a organização das nossas emoções, mas o que isso significa na prática?

Pense em uma pessoa descontrolada emocionalmente, que perde as estribeiras com muita facilidade.

O que está acontecendo com essa pessoa?

O próprio termo “descontrolada” já denuncia que o problema talvez seja uma desorganização psicológica. E o que é essa organização emocional?

Saber colocar cada emoção em seu lugar, saber usar as emoções da forma correta, na hora correta, não perder o controle das emoções, o “não perder as estribeiras” — o que vai desde ser capaz de evitar desespero, controlar estados ansiosos, não só do lado negativo, mas também do lado positivo.

Sabe aquele cachorrinho que quando está animado com alguma coisa não consegue se conter, não consegue conter a excitação, a animação?

Tem ser humano que é assim também!

Então, esse descontrole emocional não está relacionado apenas a aspectos negativos, ele também ocorre quando algo “muito legal” acontece ou está para acontecer, e a pessoa não consegue controlar aquela ansiedade, às vezes até tendo processos de insônia porque mal pode esperar.

Todo descontrole emocional, tanto no lado positivo quanto no negativo, afeta a vida de diversas formas, principalmente a capacidade de raciocinar claramente e tomar decisões assertivas. Isso pode ter consequências sérias na vida da pessoa. Ela fica com a capacidade de processamento de informações e de julgamento comprometida porque as emoções estão um rebuliço. Ela não consegue discernir o que é realmente melhor para ela, o que é ideal, qual a decisão certa a ser tomada.

A inteligência emocional, que é um tópico muito falado ultimamente, revela um nível de organização emocional. Ela ajuda a pessoa a usar as emoções de uma forma coerente, comedida e com discernimento.

Agora, se você observar esses três termos que acabei de usar para descrever a inteligência emocional e a organização psicológica que ela promove, você vai concluir que todos eles estão ligados a ideias que estão por trás dessas emoções.

O que nos leva ao terceiro nível de organização: a organização mental. A organização mental é parte dessa tríade, mas na realidade, é ela que carrega os outros dois. É até possível falar em um processo cascata, a organização mental vai determinar o nível de organização emocional, que terá um impacto no dia a dia da pessoa e na capacidade dela se organizar fisicamente com as “coisas”.

A organização mental é evidenciada pela clareza de pensamento, pelo discernimento, pelo senso crítico, pela coerência das ideias. Se você pensar em estados alterados emocionais, por exemplo, de onde eles vêm? Eles vêm de ideias confusas, desorganizadas, incoerentes, que acabam fazendo a pessoa perder o controle e se desorganizar emocionalmente. O próprio processo de ansiedade tem muito a ver com o medo do futuro, a incerteza sobre o que está por vir, como vai ser, o que vai acontecer. Essa inquietação revela uma confusão mental. O desespero, o perder as estribeiras, perder o controle das emoções, o choro compulsivo também estão ligados a ideias incoerentes, confusas, desorganizadas que estão alimentando aquele estado emocional.

Então, você vê como esses três níveis de organização estão interligados. Uma desorganização mental e psicológica pode ser observada nos hábitos improdutivos da pessoa no dia a dia. Dispersão excessiva, perda de tempo, impontualidade, bagunça das coisas, dos objetos dela. Então, uma coisa que parece simples como se organizar melhor, ser mais pontual, cumprir prazos sem maiores problemas, pode ser rastreada a ideias que não estão bem formadas, uma forma de raciocínio que não é muito eficaz e falta de discernimento. Isso se reflete nas emoções, gerando ansiedade, perturbabilidade, irritabilidade, inquietação, frustração e tristeza quando a pessoa não entende o que está acontecendo, porque algo não está saindo como esperado, e isso afeta a capacidade de realização e de manutenção da ordem, pontualidade e produtividade das coisas no dia a dia.

Então, hoje eu gosto de falar de organização integral. Não devemos apenas buscar aprender como ser mais produtivo, mais organizado fisicamente, mais eficaz, mas também devemos estar cientes desses dois outros níveis de organização que afetam a nossa qualidade de vida como um todo.

Problemas como estresse, ansiedade, inquietação, vulnerabilidade ao tédio, que podem levar a pessoa a dispersar e ter menos produtividade, e até aquela paz de espírito que buscamos, tudo isso decorre dessa tríade da organização integral. Se ela está bem consolidada, mesmo que não seja 100%, a pessoa tem uma maior qualidade de vida. Mas se ela tem falhas, seja na parte mental, psicológica ou física, ela vai ver os reflexos disso na qualidade de vida. Ela vai ter mais estresse, mais preocupações, vai ser mais difícil para ela conduzir as atividades no dia a dia, ser produtiva e lidar com as emoções.

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