Ansiedade de relacionamentos – Encarando o desconhecido

Carolyn Rubenstein

Ansiedade de Relacionamento

Namoros podem alimentar as mais profundas ansiedades. Você se identifica com isso? Namoros, por si só, são situações em que duas pessoas ainda não se comprometeram com uma relação permanente. Então, para muitas pessoas (se não for para a maioria delas), namoros são sinônimo de experiências de insegurança e, conseqüentemente, de ansiedade. A propaganda do popular livro de Joy Brown, Dating for dummies (Namoro para Leigos), é: “Se você é jovem e ainda não namorou muito ou se é mais velho e está fora de circulação há tanto tempo que esqueceu como se paquera, namorar pode ser intimidador”. Inexperiência juvenil ou falta de prática recente, contudo, não são os problemas centrais da ansiedade nos relacionamentos. A chave está nas respostas a essas duas perguntas: “Ele(a) será bom(a) pra mim?” e “Serei bom(a) suficiente para que ela(e) me ame?”.

Ansiedade de receber

Eu acabei de conhecer uma mulher solteira que está vivenciando um tipo diferente de ansiedade. A pessoa com quem ela está saindo parece ter vontade e ser capaz de suprir suas necessidades mais profundas. Você deve estar pensando que ela está extasiada por finalmente ter encontrado o que ela esperava há tanto tempo. Contudo, para ela (e ela está longe de ser a única), esse reconhecimento de uma oportunidade excelente causa um medo de receber. Para ela e muitos outros, ter necessidades pode vir em conjunto com uma dor não prevista. “E se eu me acostumar com isso e ele me deixar? Eu ficaria devastada! É melhor não deixar isso acontecer”.

Frequentemente, esse tipo de pessoa que sofre de medo de receber tem plena convicção de não ser “amável”. Ou que não são amáveis a menos que se doem, supram e cuidem da outra pessoa. Então quando alguém se doa a eles, eles sentem que perderam o que têm de mais desejável neles mesmos.

Para dar mais um exemplo da ansiedade de receber, um homem, por exemplo, estava na casa de uma mulher e ela ofereceu a ele uma taça de vinho. Ele aceitou e após alguns segundos, vivenciou uma ansiedade aguda. Ele pensava consigo mesmo: “Depois, ela vai se ressentir de ter feito algo por mim e vai passar a me criticar”. Para ele, reconhecer sua ansiedade de receber foi certo progresso, porque antes ele simplesmente evitava mulheres generosas e gentis. Ele se sentia atraído por mulheres narcisistas que só se importavam com elas mesmas.

Outra mulher, ao perceber que o homem com quem estava saindo era seu par perfeito, convenceu-se de que devia ter alguma coisa errada. “É muito bom pra ser verdade, então provavelmente não é”, ela pensava. Falta de confiança nele foi sua primeira reação. Sua primeira atitude com relação a ele foi perguntar dele pra todo mundo, buscar seu nome no Google e prestar bastante atenção para prováveis passos em falso dele. Quando ele se atrasava cinco minutos ou tinha que adiar planos por causa do trabalho, ela imaginava que ele estava saindo com inúmeras outras mulheres.

O que faz a ansiedade de receber aparecer?

Uma idéia sobre a dinâmica da ansiedade de receber é que suprir necessidades atuais pode fazer com que a pessoa se sinta ameaçada de sentir o contraste da dor de ter suas necessidades passadas não supridas. Essa idéia é chamada “dor do contraste”. Satisfação atual relembra momentos de insatisfação passados.

Outra maneira de enxergar a ansiedade de receber é quando há a experiência de receber algo prontamente seguida pela rejeição desse algo que foi dado pela própria pessoa que o deu. Um exemplo é a mãe que compra roupas novas pra criança ir à escola ao mesmo tempo em que reclama que não sobra dinheiro suficiente para que ela possa comprar algo para ela mesma.

Para cada pessoa, as experiências passadas e as marcas deixadas por essas experiências são únicas. Mas eu vejo alguns padrões comuns que costumam ocorrer com relação à ansiedade de receber.

No exemplo citado acima, o que é que a criança deve sentir? Provavelmente culpa por estar privando a mãe de algo que ela deseja, vergonha por querer ou precisar de algo, talvez ressentimento por estar sendo agredido com a insensibilidade da mãe em perceber como essa rejeição vai afetar a criança. E quem sabe mais culpa e vergonha por se sentir ressentida e agonia por saber que não pode expressar seu ressentimento sem que isso cause rejeições futuras.

Outra situação pode ser um pai que dá mesada aos filhos ao mesmo tempo em que discursa que “dinheiro não dá em árvore” e “não espere nada de graça”. A criança enxerga esse ganhar dinheiro como uma acusação e se sente indigna. O problema com esse tipo de comunicação não são as lições sobre direito e valores. É o efeito de raiva e tristeza que o pai causa no filho ao dar algo a ele.

Em ambas as situações, a criança pode criar a idéia de que precisa ser independente, de que não pode precisar de nada, nem se submeter a ninguém. Mais tarde, receber pode causar vergonha por não ser independente.

O que se pode fazer com relação à ansiedade de receber?

1. Reconheça os sentimentos.

Boa parte de lidar com o medo de que a pessoa “é boa demais pra ser verdade” é reconhecer e dar nome às ansiedades, medos, preocupações e dúvidas. Simplesmente reconhecer os sentimentos ajuda a contê-los.

2. Aprenda com quais pensamentos e expectativas você preenche o espaço do desconhecido.

Outro passo é reconhecer que uma vez que namorar é lidar com o desconhecido, é útil conhecer seus próprios padrões de como lidar com o desconhecido.

3. Reconheça que, realmente, você não conhece o futuro.

Outra maneira simples, mas eficaz de aquietar sua ansiedade é adicionar “Mas eu realmente não sei” a cada pensamento que você tiver sobre o futuro. O “mas eu realmente não sei” desafia a aparente verdade de tudo que pensamos. Essa frase também é uma maneira de desafiar as crenças negativas por detrás da ansiedade. Repeti-la nos permite questionar idéias inflexíveis. Se repetida sempre, ela pode puxar o tapete de várias de nossas estimadas crenças. Nós não costumamos questionar nossas crenças. E como cada linha de pensamento tem alguma crença implícita, quando questionamos nossos pensamentos, questionamos essas crenças.

A prática de “não saber” como as coisas serão é diferente de confusão e dúvida. Confusões não são inteligentes: a pessoa confusa geralmente se sente perdida e à parte da vida. Com duvidas, a mente é contraída por hesitação e indecisão. Ambos estados emocionais tendem a obscurecer ao invés de esclarecer. Além disso, confusão e dúvida não são escolhidas, são automáticas. O “não saber” é uma escolha. E é feita para trazer paz.

4.Tente agir de forma a acreditar que tudo que você imagina vai dar certo e que você ficará bem, não importa o que aconteça.

Porque você vai ficar.

Espero que se você estiver preenchendo seus pensamentos sobre o futuro com idéias preocupantes, se parecer bom demais pra ser verdade, que você se conforte com a idéia humilhante de que você, eu, ou qualquer outra pessoa “realmente não sabe” o que está por vir.

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13 comentários em “Ansiedade de relacionamentos – Encarando o desconhecido”

  1. Hi Jane, estou com uma sensação muito boa ao terminar de ler o seu texto, como é confortante saber que outras pessoas passam por determinada situação, e que vc nao é um ET. Eu sofro de ansiedade em receber. Eu sou generosa, considero-me uma excelente doadora,faço isso com prazer e satisfação. No entanto,sinto-me muito inadequada,toda vez que recebo algo. Cresci ouvindo o meu pai “que dinheiro nao dá em árvore”,”que sustentar família é caro”,etc, etc. Aos 11 anos, comecei trabalhar,pq queria salvar minha mae do meu pai, que reclamava incessantemente das “crueldades” do meu pai. Hoje,24 anos depois, ela continua morando com ele… a diferença, é que eu aprendi que cada um é responsável pela vida que escolhe.Contudo, alimentei uma crença de que nao posso precisar de ninguém, após vários relacionamentos frustrados, hj tenho um namorado que faz tudo por mim, e sinto-me insegura com isso. É um conflito interno muito grande! Bom saber que posso trabalhar com isso. OBrigada por suas palavras.

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    • Exatamente o que acontece comigo! a situação da infância é a mesma e também creci com a crença de não poder aceitar nada de homens, que posso me sustentar e que nenhum deles vai me humilhar (como meu pai fazia com minha mãe). Muitos relacionamentos frustrados e agora estou no início de um relacionamento, um namorado que também faz tudo o que quero, me dá presentes, paga as contas sozinho e me sinto incomodada com isso, enquanto minhas amigas que tem namorados bacanas também acham super normal. Fico feliz em ter lido este artigo agora e perceber que é algo que vem da infância e que posso trabalhar a minha mente; conhecer o problema já é um grande avanço…

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  2. Olá Jane, o seu texto é realmente muito bom, mas pra mim é um pouco complicado colocar em prática. Deixo de viver muitas coisas e experiências na vida por causa do medo de sofrer, por medo de não dar certo. Vivo em conflito comigo mesmo devido a esse medo. Sempre tive medo de me relacionar sério com um homens, certa vez encontrei um rapaz que era “perfeito”, fiquei imaginando que tinha algo errado, pq perfeição não existe. Vivia em constante medo de descobrir algo a respeito dele, fica com medo dele me deixar. Descobri que meu medo fazia sentido, ele não era o perfeito que parecia ser. E mais uma vez eu cai no sofrimento. Hoje em dia não consigo acreditar em nenhum homem, todos são mentirosos.não consigo me envolver em um relacionamento sério por medo de sofrer. O que devo fazer?
    Obrigada!

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  3. Comigo acontece o mesmo, justamente pq dei muita oportunidade q nao foi recípocra, sofri demais…entao ja começo um relacionamento advinhando o final e o pior q no final sempre tenho razao, aí me sinto uma idiota por ter acreditado e me deixado levar…entao me vingo, pq fico com muita raiva d mim mesma e desconto tudo na p essoa, pq me sinto enganada, usada, quando eu sim fui sincera e verdadeira.O q faço para acreditar?

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  4. Estava passando por isso, mas aprendi que que não importa onde essa minha história vai dar, o importante mesmo é viver cada minuto dessa atenção que estou recebendo. Se um dia acabar, paciência, o importante é que estou vivendo isso intensamente pela primeira vez e se acabar, ficarão as boas lembranças…

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  5. Helen, nossa seu texto já me ajudou muito em 3 dias! como disse tenho problemas com relacionamentos por achar que não posso receber, e já estava achando que meu namorado, que conheço bem pois era um grande amigo antes, tinha de ter um defeito. Li seu artigo, refleti muito e agora aceito que posso ter um homem bom, diferente do meu pai. Claro que não mudei de uma hora p outra. Mas sempre que penso “e se ele…” e então lembro do artigo e repito para mim mesma: “não tem nada de errado, vai dar td certo, estamos mto bem, isso é aquela coisa da minha cabeça, achar q não mereço e eu mereço sim” e nesses últimos 2 dias consegui abrir meus olhos e ver o quão ele é maravilhoso e desta vez, vai dar certo!!!
    Gostaria de ler mais e mais sobre isso para tentar me entender melhor…
    Obrigada!!!

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  6. Realmente e um artigo muito importante,pq.todos nós vivemos incertezas como essas mencionadas,estamos sempre achando que não merecemos o direito de receber e isso não é verdade,todos nós temos o diireito de sermos felizes e enfrentarmos nossos obstáculos
    Muito Obrigada por nos mostrarmos que temos sim esse direito

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  7. realmente agora as idéias ficaram claras em minha mente… atualmente estou começando um relacionamento que era virtual e agora ficou real, e fico me questionando se essa pessoa é boa o suficiente pra mim e vice-versa… a dúvida sumiu de minha cabeça e as coisas estão mais claras agora… esse medo da solidão assusta tanto a mim qto a ele e ambos são ansiosos, já q ambos sairam de relacionamentos desgastantes e conversamos mto a respeito disso… agora vou segurar mais minha onda e explicar pra ele essa situação toda… e vou utilizar mais vezes o pensamento do “eu realmente não sei”. obrigado.

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  8. nossa,muito bom mesmo,me encontrei varias vezes no texto,fiquei 11 anos casadae escutando coisas horriveis do meu ex,e estou separada a 7 anos,nunca mais me relacionei com homem algum,nao consigo mais acreditat,ainda guardo as palavras do meu ex me dizendo que ninguem ira me querer,que nao sou boa esposa,nossa,tempos dificeis aqueles,enfim,fazem 2 meses que conheci uma pessoal na internet,e parece ser a pessoa que tem algo a me acrescentar sabe,porm temos problemas,ele quer dar um passo a mais e eu nao consigo dae-lhe a chance,por nao acreditar mais,mais ao mesmo tempo tenho um sentimento tao bom e sincero por ele,aff,estou em um grande conflito gente. HELP ME

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  9. Na verdade acho qo amor é um mito que inventaram para enganar nossos coracoes. Ja tive 13 relacionamentos, comecam diferentes, mas afinal terminam todos iguais, sempre traicao. O lance é fazer papel de homem tambem, sexo, sexo, e sexo

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  10. Nossa, esse texto me deixou bem mais calma. Conheci um rapaz pelo Tinder que não mora na mesma cidade que eu. Antes ele estava bastante apaixonado e agora deu uma bela de uma esfriada. Quero conhecer ele e estamos combinando de eu ir viajar, mas tenho a impressão de que ele está me enrolando. Antes falava em namorar e agora nem mensagens carinhosas manda mais..ficamos um mês nesse love e agora já não sei mais. Mudou da água pro vinho em dois dias. Ainda mais que é um relacionamento basicamente por wpp.. peço pra me ligar e não liga, mas se fico sem mandar msg acha que é pq nao quero mais saber dele. Isso tá me deixando mto ansiosa, buscando em cada frase outro sentindo, como se estivesse me enganando o tempo todo. Busquei fotos que ele curtiu e comentou no face, fico olhando todo dia o face das meninas que ele curtiu as fotos.. estou obcecada e não sei oq fazer mais. Quase todo dia temos DR sobre a gente e ele diz que vai mudar, ou que nao entende oq to falando..
    Essa ansiedade me deixa louca. Fico pensando sobre relacionamentos anteriores e frustrações. Coisas que não aconteceram nos relacionamentos passados.
    Acho que preciso de uma psicoterapia pra melhorar minha qualidade de vida.

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  11. Olá, lendo seu texto me senti muito confortável,como se de alguma forma tivesse encontrado uma explicação.Tenho tido mais ansiedade que o normal, para me relacionar nos últimos dois meses. Esses sintomas sempre me acompanharam, e ter dores de barriga antes de encontros me parecia algo comum, entretanto depois de minha última relaçao abusiva (porque eu só tive relações abusivas até hoje), os sintomas pioraram muito, não conseguindo me concentrar em nada, além das possíveis relações desastrosas que aquele rolinho irá me causar. Também sinto essa culpa, por não estar empregada no momento,dependendo dos meus pais, um sentimento de total incapacidade, como se não fosse possível fazer nada de util enquanto não tiver um emprego, sinto *atéporquemeupaisempremedisseisso* que eu tenho que devolver todo o dinheiro pra eles, porque eu estou me aproveitando. Tenho problemas com alcool, e me relacionar fica bem mais fácil através dele, tanto nas relações intimas, quanto nas sociais. As pessoas me consideram resolvida, entendida, espontanea, alegre e extrovertida, também me sinto assim, mas escondo esses grandes problemas por trás. =[ Seu texto me ajudou muito, estarei pensando mais em distrações.

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