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Mantras são pequenas frases ou palavras que dizemos a nós mesmos. “Eu vou conseguir” ou “Eu sou um idiota” são mantras, ou seja, podem ser positivos ou negativos. Todos nós temos diversos mantras que repetimos mesmo sem pensar, às vezes, várias vezes por dia. Essas frasesinhas inofensivas, muitas vezes ditas como humor autodepreciativo, acabam tendo um efeito poderoso sobre nossa psique e no final das contas, nos resultados que obtemos.

Quem fica repetindo “eu sou mesmo um imbecil”, ou “isso sempre acontece comigo” num tom choroso e autovitimizador realmente só intensifica o negativo. Como resultado, a pessoa acaba conseguindo aquilo que ela “acha” que vai conseguir. Isso parece tão banal que muita gente dá de ombros como besteiras de autoajuda, mas muitas pesquisas tem confirmado que o que dizemos a nós mesmos, mesmo de bricandeira, afeta os resultados que obtemos. Se pensarmos bem, vamos entender a lógica. Se eu acho que sou um imbecil e que não tenho condições de fazer algo difícil e complicado, eu vou estar minando cada passo que der em direção àquela meta que eu “acho” que não vou conseguir atingir. Minha motivação fica no chinelo, minha autoconfiança é inexistente, meu foco devaneia, já que como acho que “aquilo ali não é pra mim” eu fico pensando em outras coisas, minha persistência é fraca. Qualquer obstáculo é “prova” de que eu estou realmente certo: eu não sei, não sou bom o suficiente, não vou conseguir. Eu repito frases que confirmam o que eu acho que já sei sobre mim mesmo e o que vai acontecer: “tá vendo! Eu não sei fazer isso mesmo” ou “Eu disse que não ía dar certo!”. No final das contas, eu realmente não consigo, o que confirma para mim mesmo que eu estava certo com todos esses pensamentos negativos. Mas olhando a situação de longe é fácil ver que eu não consegui porque minha própria descrença afetou meu comportamento. O fracasso não ocorreu por real falta de capacidade, mas sim por falta de empenho gerada por falta de “fé no meu taco”.

Em períodos difíceis na vida, quem tem essa tendência de papagaiar mantras negativos acaba entrando ainda mais fundo nos próprios problemas e dificuldades. Vamos propor hoje seis mantras que você pode usar e abusar para se manter forte durante esses períodos difíceis. Vale imprimir cartazes e colar na parede, colocar no lock screen do celular, escrever na agenda pessoal, qualquer coisa que faça você olhar e lembrar das frases que funcionam melhor para você quando a coisa está difícil. É claro que você pode – e deve – modificar essas frases para que se enquadrem em suas necessidades ou até mesmo crie outras mais adequadas à sua situação.

1. Eu tenho que eu preciso para enfrentar essa situação

Uma das piores crenças que afeta a capacidade de se dedicar à conquista de resultados positivos em situações difíceis é quando a pessoa passa a acreditar que ela não tem o que seria necessário para sair bem daquela situação. Ela enfia na cabeça que precisaria ser mais isso, mais aquilo, menos aquele outro, ou seja, ela se coloca numa posição de incapacidade para lidar com a situação, quando na verdade, isso está só dentro da cabeça dela.

Um exemplo frequente é a pessoa que é colocada inesperadamente em uma posição de liderança ou que requer que ela se exponha ou faça apresentações em reuniões, dê entrevistas para a mídia, etc. A pessoa entra em pânico, ela começa a achar que “não é aquele tipo de pessoa que faz aquelas coisas que estão esperando dela”. Ela começa a se achar uma farsa, achando que mais dia, menos dia, vão “desmascará-la” e descobrir que ela nunca deveria ter recebido aquelas responsabilidades pois nunca teve condições de exercê-las.

Ao repetir um mantra positivo como “eu tenho o que é preciso para fazer essa tarefa ou para lidar com essa situação”, a pessoa descobre recursos pessoais que nem sabia existir em si mesma. Ela cresce e descobre que sempre teve aquel potencial, mas o mesmo estava dormente ou jamais tinha sido utilizado.

2. O fracasso é parte do caminho para o sucesso

É muito importante em todos os casos não perder perspectiva de que algumas vezes nós realmente erramos e que em muitas situações é necessário passar por um período de aprendizado, que envolve erros, “idiotices” e perdas. Esses eventos não são “prova” de que você realmente não é bom mesmo e que deveria desistir de tudo. Se conscientizar de que o fracasso pode ser apenas parte do aprendizado ou situação singular, ocasional, é importante para não deixar a peteca cair e não perder a autoconfiança. Se seu mantra é “tudo bem, isso foi só um soluço” ao invés de “mas que droga, eu nunca vou conseguir mesmo”, você tem muito mais chances de se sair bem, preservando sua saúde emocional ao longo do caminho.

Você raramente encontrará um caso de sucesso, em qualquer área, em que a pessoa acertou tudo de primeira. Sucesso, desde os estudos até os negócios, as artes, os esportes, envolve muita tentativa e erro, mas principalmente foco para não se deixar desanimar pelas quedas.

Há um ditado chinês que sabiamente diz: “se você não mudar a sua direção, você acabará chegando ao seu destino inicial”. Ou seja, caia, levante, mas continue perseguindo os mesmos objetivos. Se você não mudar de ideia e continuar persistindo, eventualmente, você chegará onde deseja.

3. Isso é o melhor que eu posso fazer

Perfeccionismo, ao contrário do que muita gente pensa, não é qualidade. Prestar atenção nos detalhes e ser cuidadoso não é ser perfeccionista, apesar de muita gente misturar os conceitos. Muitos mantras negativos estão ligados à “falta” de perfeição nos projetos e uma ânsia de tornar tudo à prova de qualquer crítica. É esse medo de críticas que acaba com o perfeccionista. O que eles não se dão conta é que crítica muita vezes é personalíssima, em muitos casos, pura questão de gosto. Tem gente que critica porque critica tudo mesmo, gente rabujenta, chata, que implica com tudo e todo mundo. Tem gente que critica porque aquilo não caiu no gosto pessoal dela, o que é normal, todos nós fazemos isso o tempo todo, criticamos coisas que pessoalmente não gostamos ou não concordamos. Nossas críticas, contudo, tem muito pouco a ver com a pessoa, objeto ou resultado sendo criticado, mas sim conosco e nossos próprios gostos.

Ser relaxado e fazer as coisas mal feitas realmente merece críticas das mais amargas, mas quando você dá tudo de si e sua consciência está limpa de que realmente aquilo é o melhor que pode fazer, relaxe. Não se preocupe com os outros. Por mais perfeito que esteja, tem gente que vai criticar, isso não significa que você errou. Não podemos agradar a todos e da mesma forma, precisamos respeitar a opinião alheia. Assim como você se sente no direito de dar a sua opinião sobre os outros e seus resultados, eles também se sentem no direito de dizer o que pensam.

Se sua consciência está tranquila e você sabe que se esforçou e fez o melhor que pode, use as críticas de forma construtiva, não se deixe machucar por elas. Há um ditado que diz que as pessoas estão sempre focadas nelas mesmas quando criticam os outros, elas não dão a mínima para você. Quando alguém diz: “eu não gostei deste quadro”, ela está se referindo à relação dela mesma com o quadro, não à pessoa do pintor. Quanto mais você conseguir dissociar críticas da sua pessoa e entender que os outros estão mais preocupados com suas próprias vidas do que com você, você irá se libertar e se sentir muito mais leve e livre.


4. Daqui 5 anos, isso será apenas uma memória distante, ou simplesmente, “vai passar”

A perspectiva de longo prazo é extremamente útil para uma série de processos mentais. Eu gosto muito de usá-la para evitar a perda de tempo: “daqui, 1, 2, 5 anos, isso que eu estou fazendo agora terá repercutido em algum benefício que eu poderei identificar?” Funciona também para evitar a gula: “que diferença fará daqui 1 ano se eu comi ou não esse pedaço de bolo?” ou “que diferença faz, hoje na minha vida, o pedaço de bolo que eu comi há 1 ano atrás?” Essa “perspectivação” do ato de comer ajuda a entender que se for só pela gula, pelo prazer imediato, não vale a pena, pois dali alguns minutos ou horas, aquilo já não vai fazer qualquer diferença positiva (negativa sim, se fomos considerar o peso e danos à saúde!).

Mas podemos usar a perspectiva de futuro quando estamos passando por uma situação que parece que está nos deixando loucos, ou que não vai acabar nunca. Tudo passa, diz o ditado. E é verdade. A vida continua e leva consigo os momentos ruins. Se distanciar do momento presente é importante quando estamos entrando muito dentro de um problema, quando estamos sentindo dor ou quando estamos passando por algo passageiro, mas extremamente desconfortável. Vai passar.

5. Eu sou mais forte do que eu penso

Força interior é uma coisa interessante. Nós não sabemos que temos até que somos forçados a usá-la. Várias pesquisas mostram que o ser humano é muito mais resiliente do que acredita ser. As pessoas costumam acreditar que jamais poderiam lidar com certas situações ou que se veriam desesperadas se algo acontecesse. Quando o inimaginável ocorre, elas descobrem que são plenamente capazes de dar conta do recado. É difícil, muitas vezes triste e idesejável, mas elas se viram e se dão bem.

Repetir para si mesmo que você tem dentro de você um “estoque” de força que nunca usou antes ajuda a combater os mantras negativos que aparecem devido às poucas “provas” de sucesso. Quando não temos experiência ao lidar com certas situações, tendemos a acreditar que não somos capazes de dar conta, simplesmente porque nunca nos vimos naquela situação. Acreditar que você se sairia bem em qualquer situação ajuda a combater essa falta de evidências. O que pode ajudar com esse processo mental é ler as histórias de outras pessoas. Ao ver que pessoas como você, nas mesmas condições, com as mesmas dificuldades pessoais, deram conta de eventos inimagináveis ajuda a entender que o ser humano tem uma capacidade ímpar de lidar com adversidade.

6. Vergonha é coisa da minha cabeça

Muita gente deixa de fazer coisas importantes na vida pois temem sentir vergonha, ou têm medo de passar “vexame”. Um pouco acima discutimos que as pessoas não pensam muito sobre você, elas estão mais preocupadas com o próprio umbigo, mesmo que possam fazer observações negativas sobre as outras. Pense em sua vida. Você provavelmente faz um comentário ou outro que se caracteriza como crítica alheia de vez em quando. Isso é normal. Todo mundo comenta sobre os outros ou sobre o que os outros fazem. Mas o que você faz então? Fica o resto do dia, da semana, do mês pensando no vexame que alguém deu e você presenciou? Provavelmente não! Os outros também fazem o mesmo. Eles não se importam tanto com você quanto você pensa! Além disso, o que é “vexame” para uma pessoa, é apenas uma situação engraçada para outra.

Pessoas tímidas e introspectivas tendem a achar que qualquer exposição fora do normal é potencialmente “vergonhosa”, quando na realidade, muitas dessas situações passam por despercebido por todos os envolvidos, só a própria pessoa fica se remoendo, morrendo de vergonha.

Sempre que tiver um impulso de não fazer algo por receio de sentir vergonha, lembre-se: vergonha é coisa da sua cabeça!

Há inumeros outros mantras que podem nos ajudar a manter a sanidade em momentos difíceis. Eu dei algumas ideias aqui, mas recomendo que você crie seus próprios mantras, identificando, em seu caso individual, os pontos mais sensíveis que você precisa trabalhar e observar. Se você é o tipo de pessoa que fica com raiva com muita facilidade, por exemplo, algum mantra que o ajude a se acalmar pode ajudá-lo. Se você tende a ficar ansioso, repetir frases que desdramatizem a situação também pode ser útil. Como somos todos diferentes, cada um de nós deve montar um conjunto de mantras que funciona melhor para remediar nossas tendências individuais de nos vitimizarmos ou irmos para o lado negativo do pensamento.

Quais mantras positivos você costuma usar para manter sua mente positiva?



Palavras-chave: Autoconversa, Mantras, Psicologia

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