Administração do tempo, planejamento, estabelecimento de metas, organização pessoal… Quando alguém fala ou escreve sobre esses assuntos, sempre há aqueles que dizem: “Mas isso não é novidade! Todo mundo já conhece o assunto!”. Realmente, não há mais o que falar a respeito desses temas, é possível até vesti-los com “roupas novas”, mas o conteúdo da informação será sempre conhecido.

Isso é verdade, mas o fato é que apesar de todos conhecerem esses assuntos é raro encontrarmos quem definitivamente os aplique da forma como são transmitidos pelos especialistas. Na realidade, grande parte das pessoas não aplica nem 1% dos conceitos que dizem “já conhecerem bem”.

Entre a teoria e a prática há um oceano de distância. Saber, conhecer, entender não leva a parte alguma se esse conhecimento não for colocado em prática. Para atravessar esse oceano, é preciso muito esforço – talvez seja por esse motivo que muitos desistem ao ver a imensidão do caminho a sua frente.

Pode ser por preguiça, medo, insegurança, falta de iniciativa, enfim, para os que nada realizam, sempre há um motivo, uma explicação para a procrastinação. Os objetivos vão sendo adiados, os sonhos vão ficando para trás, até que perdem o sentido e deixam de existir.

Analise estes dois tipos de pessoas. Você se identifica com algum deles? Se você se identificou, saiba que nunca é tarde para mudar, afinal, todos realizamos essa mudança em algum ponto da vida, ninguém nasce já sabendo como praticar tudo o que aprende!

O primeiro tipo são os inseguros, que acham que não sabem ou acham que o que sabem não é suficiente para praticarem. Geralmente são perfeccionistas, deixam de agir pois sempre acham que ainda não chegou o momento certo, que ainda precisam se aperfeiçoar mais, etc. Se esse é você, experimente agir, mesmo quando você acha que deve esperar mais um pouco. Você verá que, na maioria das vezes, esteve fazendo tempestade em copo d’água, duvidando da sua própria capacidade, considerando uma situação fácil como difícil. Desenvolva a iniciativa.

O segundo tipo são os arrogantes, que acham que sabem o que não sabem ou que sabem mais do que a realidade. Acreditam que praticam o que, na verdade, não sabem nem em teoria. É muito comum, por exemplo, ver pessoas altamente desorganizadas dizerem que são superorganizadas e que administram muito bem seu tempo. Isso denota falta de autopercepção e autoconhecimento. A pessoa não tenta enganar os outros, ela realmente acredita no que diz! A chave para iniciar essa mudança é abrir mão do orgulho que o faz pensar que sabe tudo e que já pratica o que, na verdade, nem conhece ao certo. Procure observar-se, ver como faz as coisas, como trata com as pessoas, como trabalha, enfim, tentar obter mais informações a respeito de si mesmo. Desenvolva a humildade.

O maior obstáculo para colocar a teoria em prática, entretanto, é a falta de ação em si. É por esse motivo que a “indústria” de auto-ajuda é, em grande parte, desacreditada. Ouço com muita freqüência pessoas dizendo que “auto-ajuda não funciona”. Eu mesma passei pela fase do descrédito. Eu era uma fã adicta de auto-ajuda quando era adolescente. Eu comprava os mais diversos livros na esperança de resolver os mais simples problemas. Eu lia, guardava o livro e esperava que o problema se resolvesse! Depois de alguns anos, quando percebi que nada mudava, eu desenvolvi um descrédito com relação à área que coincidiu com a minha entrada no mundo acadêmico.

Absorta em livros científicos, eu comecei a perceber que aquela teoria de nada adiantava sem a prática. Na própria faculdade, eu comecei a ensinar colegas com dificuldade de se organizar e planejar estudos ou mesmo metas pessoais. Eu distribuía artigos, pequenos manuais e recebia muito feedback. Os que não estavam conseguindo atingir os resultados eram os que não estavam seguindo as minhas diretrizes. Eu dizia que os manuais eram como as fórmulas científicas, se não fizessem “o que” e “como” estava escrito, não ia funcionar mesmo.

O meu material estava sendo, para meus colegas, o que a auto-ajuda tinha sido pra mim alguns anos antes. Eles esperavam um “milagre”, assim como eu costumava pensar. Era como se, inconscientemente, acreditássemos que só o fato de lermos e tomarmos conhecimento de uma determinada técnica, nós nos tornaríamos o que estávamos buscando de forma mágica!

Quando me dei conta disso, voltei para os meus livros de auto-ajuda. Reli a maioria. Comecei a fazer pequenas checklists do que eu deveria fazer para colocar aquele conhecimento em prática. E, de fato, eu fiz o que me propus, alcançando incríveis resultados. A minha visão sobre a auto-ajuda mudou muito desde então. A minha disposição em ajudar meus amigos a se organizarem e planejarem suas metas virou uma profissão e aqui estou eu, defendendo uma área cheia de controvérsias e muito atacada, mas que depende unicamente de uma predisposição pessoal: partir para a ação.

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Palavras-chave: auto-ajuda, pró-atividade, pró-ativo, proativo, Teoria X Prática