Este foi um comentário feito em um dos meus artigos que eu gostaria de compartilhar, uma vez que é uma questão bastante comum relacionada ao crescimento pessoal:

Mas por que melhorar? Nós nascemos. Nós morremos. Todo o resto partilha o mesmo destino. Então, por que se esforçar para melhorar? Qual o sentido? Expectativas só levam à tristeza se não chegarmos lá. Por que não simplesmente levar uma vida sem expectativas e ver o que acontece?

Alguém aqui já tentou viver uma vida sem traçar objetivos, sem competições, sem melhoras? As coisas fluem intuitivamente sem expectativas. Isso não é a paz? Não é isso que realmente queremos?

Você não precisa definir objetivos, nem se esforçar para melhorar. O crescimento pessoal é uma escolha consciente que cabe inteiramente a você.

Esse site procura ajudar aqueles que tomaram ou estão tomando essa decisão. Visitar este site não teria muito sentido para uma pessoa que não faz parte desse grupo. Para essas pessoas, eu recomendaria, ao invés disso, um site de uma funerária, que, afinal, é o próximo passo lógico para aqueles que já crescerem o suficiente e estão prontos para a paz eterna.

OK, esse foi meu lado malvado extravasando um pouco… Vou repetir a questão: o processo de se esforçar para melhorar está em conflito com atingir a paz interior?

Minha resposta: de forma alguma. Ambos podem ser encontrados no mesmo caminho. Uma expressão usada para definir esse estado de espírito é “viver em darma*”. Quando você vive esse estado de espírito, você encontrou o seu propósito na vida e o está vivendo conscientemente.

Criar uma intenção de, no futuro ser diferente ou melhor do que você era no passado de alguma forma não entra automaticamente em conflito com o estado de espírito de paz interior. O que causa a falta de paz interior é o problema do apego. Quando você se torna apegado demais a um resultado, tentando controlar algo que não está completamente sob o seu controle, você perde seu senso de paz. Mas quando você cria uma intenção e se mantém desapegado da necessidade de que o futuro aconteça de determinada maneira, você pode vivenciar um crescimento enorme e mudanças positivas sem perder seu senso de paz interior.

Vou dar um exemplo simples. Ao criar meu site e publicar alguns artigos, minha intenção inicial era ajudar as pessoas a crescer. Para mim, isso era viver em darma. Mas ao mesmo tempo, eu também me desapeguei da necessidade de qualquer resultado específico. Minha intenção é aquilo que quero que aconteça, mas me mantenho aberto para aceitar todos os resultados possíveis. Algumas pessoas que leem meu site podem aprender muito com ele; outras podem não ser nada afetadas, ou interpretar mal as palavras que escrevo. Essa parte está fora do meu controle. Se eu me tornar apegado demais às reações das outras pessoas, eu nunca terei paz. Pensar que você precisa ter controle sobre o que você não tem como controlar é uma receita para o estresse e a exaustão.

Minha ideia é que poder crescer mais ano após ano é a maior aventura que alguém pode querer na vida. O crescimento certamente envolve dor e prazer, mas a dor somente deixa o prazer mais gostoso.

Nas palavras de Kahlil Gibra em O Profeta:

“Quando estiveres alegre, olha para dentro de teu coração e descobrirás que é somente aquilo que te fez sofrer que te traz felicidade. Quando sofreres, olha para dentro de teu coração e verás que, na verdade, choras por aquilo que já foi teu deleite”.

Não há nada de completamente errado em viver uma vida sem expectativas. Mas isso é tudo que você terá… Uma vida vazia. Se você não espera nada da vida, então por que você está aqui? Por que sequer se preocupar em levantar da cama de manhã?

Muitas pessoas perguntam: “Qual o sentido da vida?”. Mas é a vida que está fazendo essa pergunta a você: “Qual o sentido da SUA vida?”. Isso é algo que todos devemos responder por nós mesmos. Se não respondermos, então as respostas que damos são nada e acabaremos vivendo (morrendo, na verdade) da mesma forma.

Minha resposta pessoal a essa pergunta é que o propósito da minha vida é crescer e ajudar os outros a crescer. Para mim, estar nesse caminho é equivalente ao estado de paz interior. Não há um destino final em que eu possa chegar e dizer: “Já cresci o suficiente”. Não estou atrás de um estado de espírito final e distante, mas da jornada mesmo, que é satisfatória para mim. Se participo de uma competição, não é ganhar ou perder que importa; é a competição em si que é divertida e excitante. Se traço um objetivo e corro atrás dele, o resultado final importa pouco; é a jornada a parte de que eu mais gosto.

O que importa mesmo é ganhar milhões de dólares, chegar em primeiro lugar em uma competição, ou construir uma empresa enorme? No longo prazo, essas coisas não passam de poeira mesmo. Mas o processo de fazer essas coisas – de matar os dragões do medo, adquirir novas habilidades, ter novos insights, conhecer pessoas ao longo do caminho, cair, sacudir a poeira e me levantar – ISSO é felicidade completa.

A moral da história, contudo, é que ninguém precisa crescer conscientemente. A vida em si vai garantir o crescimento de qualquer maneira. Como alguém pode viver na Terra e não aprender e crescer? Ou você cresce conscientemente, ou a vida vai lhe dar experiências que o forçarão a crescer inconscientemente. Até que você esteja realmente morto e enterrado, o crescimento e a mudança estão garantidos. Assim, minha decisão é abraçar esse fato e viver o processo de crescimento e mudança conscientemente. A alternativa é fazê-lo inconscientemente. Já fiz os dois, e acho que o crescimento consciente é muito mais gostoso e satisfatório.

* O darma é a base das filosofias e crenças indianas, como o hinduísmo, e um de seus significados é “viver em harmonia”.