Não são poucos os autores que falam do poder da visão pessoal. O primeiro autor a identificar a necessidade e importância de se manter uma visão foi Viktor Frankl. Frankl, psicólogo sobrevivente dos campos de concentração nazistas, descobriu através da observação do comportamento de seus companheiros que os que sobreviviam eram aqueles que tinham uma visão pessoal, ou seja, uma idéia de que havia um futuro melhor adiante e que algo ainda precisava ser feito por eles – um senso de “missão”. Não uma idéia abstrata, uma esperança vaga, mas um ideal, uma vontade de realizar alguma coisa específica.

A visão fez com que Viktor Frankl superasse todas as dificuldades vividas como prisioneiro e passasse a planejar como seria sua vida após sair daquele inferno. Frankl tornou-se professor e escritor e dedicou sua vida a ensinar as pessoas a encontrarem um sentido para suas vidas, mesmo sob condições em que tudo parece perder o sentido.

A visão pessoal é a capacidade de determinar um ponto de referência no futuro e buscá-lo com todas as forças. Quando você tem uma visão, você consegue ver sentido em pequenas coisas do dia-a-dia que parecem insignificantes, consegue motivar-se, superar obstáculos, enfrentar desafios, pois sabe que está lutando por algo que deseja muito. Quando a pessoa não tem uma visão, fica à mercê dos acontecimentos cotidianos, faz as coisas automaticamente para continuar sobrevivendo sem lutar por nada. A desmotivação se instala e a pessoa fica sem forças para enfrentar obstáculos e desafios, pois não compreende os porquês em sua vida.

A visão tem o poder de dar sentido a coisas aparentemente insignificantes. Para que você atinja um grande e distante objetivo pode ser que você tenha que executar diversas atividades que não têm sentido para outras pessoas. Você consegue compreender o sentido, pois essas atividades são pequenas partes de um grande quebra-cabeças, que é o seu objetivo.

Mas e se você não tiver uma visão? Como verá sentido na vida diária? É natural do ser humano querer entender as coisas para poder se envolver e se dedicar a algo. Imagine se em seu trabalho alguém lhe pedisse para que fizesse algo, mas não lhe dissesse o porquê. Você sentiria que aquela atividade não tem razão de ser e não se sentiria motivado a executá-la. Desejaria saber porquê tem fazer aquilo. Em nossas vidas, vamos acumulando – mesmo que sem querer – diversas atividades cujos sentidos não compreendemos. Fazemos porque é normal, porque todo mundo faz ou porque “achamos” que devemos fazer, sem nos questionarmos verdadeiramente sobre o sentido daquilo. Aos poucos, vamos nos desmotivando, pois enchemos nossos dias com atividades sem sentido. Passamos a viver uma vida automática, com atividades previsíveis e repetitivas. Aos poucos, vamos matando nosso potencial criativo, a nossa capacidade de sonhar, de realizar. Acostumamo-nos a uma realidade da qual não gostamos e nem sequer tentamos mudá-la. Esse é o resultado da falta de uma visão pessoal.



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