O sistema educacional de ensino superior funciona de forma bem diferente do que no Brasil. Vamos começar analisando a estrutura dos cursos de nível superior.

Logo após sair do 2º grau, o aluno nos EUA precisa “aplicar” para entrada em curso superior. No último ano do colegial, os alunos prestam um teste chamado de SAT, que basicamente é um teste de QI somado com um exame de aprendizado das matérias aprendidas até então na vida estudantil. É um teste bem parecido com o vestibular, com a diferença de que o SAT é o mesmo para todos os alunos, candidatos a qualquer universidade nos EUA, enquanto no Brasil, cada instituição tem seu próprio teste vestibular.

O resultado no SAT não é garantia de entrada numa universidade boa (ou em qualquer uma), mas um resultado estelar é absolutamente necessário para entrada em uma das universidades de elite como Harvard, Yale, Stanford, MIT e Columbia.

O SAT, contudo, é apenas parte do necessário para “ser aceito” em uma faculdade nos EUA – não é igual ao esquema do vestibular, “passou, entrou”. É importante compreender esse “ser aceito”. Nos EUA, a entrada na universidade não é nem um pouco democrática, como é o vestibular no Brasil (passou, entrou). As universidades Norte Americanas aplicam critérios extremamente subjetivos, escolhem os alunos a dedo e não precisam seguir regras ou dar satisfação para ninguém no que diz respeito à forma como selecionam seus alunos.

Outra parte do quebra-cabeças para entrar na universidade (estamos ainda falamos apenas dos alunos de ensino médio indo para seu primeiro curso universitário) é o histórico escolar. Quanto mais renomada a faculdade, mais difícil é entrar e por isso o histórico escolar conta e muito, principalmente as notas do ensino médio. Algumas universidades como Harvard e Yale também entrevistam o candidato individualmente. Para essas universidades de ponta, conta também atividades extracurriculares, dedicação às artes e caridade, intercâmbio no exterior, esportes e perfil de liderança. Sim… tudo isso é esperado de uma “criança” de 17 anos? Pois é! Mas é assim mesmo!

Um outro fator que infelizmente influencia a decisão de aceitar um candidato nos EUA é o “preenchimento” de cotas politicamente corretas que fazem a universidade ficar “bem na foto” com doadores, o governo e o resto do mundo. Algumas universidades possuem tudo quanto é tipo de cota – cota para asiático, cota para negros, cota para mulheres, cota para alunos estrangeiros, cota para latinos, etc. Brasileiros podem se beneficiar dessas cotas, lançando mão tanto da cota para estrangeiros quanto para latinos e mulheres ainda têm a sua própria, preenchendo 3 cotas ao mesmo tempo. Não consideramos isso positivo, pois as cotas na realidade evidenciam as diferenças ao invés de unificarem os povos e minorias e acabam mantendo pessoas brilhantes fora das universidades pelo simples motivo de que elas não preenchem cota alguma, como é o caso de muitos homens brancos americanos, que por não preencherem nenhuma cota, acabam sendo rejeitados por muitas universidades.

Como o processo seletivo é subjetivo, um comitê de seleção avalia candidato por candidato e escolhe a dedo os alunos que poderão cursar aquela faculdade específica, é muito difícil dizer exatamente como entrar em uma faculdade específica. Para alunos com histórico escolar de primeira no Brasil, em especial, alunos que fizeram intercâmbio cultural em qualquer lugar do mundo no colegial, a entrada em uma boa universidade Norte Americana não é “impossível”, mas também não é fácil. Para Brasileiros, é mais fácil fazer pós (incluindo mestrado e doutorado) do que conseguir entrar em um curso de bacharel, que nos EUA se chama “undergraduate course”, o tal “college”. “Graduate course” são os cursos que para nós no Brasil são “pós”, então cuidado com a nomenclatura! Mas também cuidado com as diferenciações de formação. Medicina e direito, por exemplo, são graduate e não podem ser feitos no college, ou seja, um aluno recém-saído do ensino médio não pode entrar em medicina ou direito, ele precisa fazer uma faculdade (college) antes.

A faculdade propriamente dita (o curso em que os alunos entram após o colegial) é um curso bem genérico e pode nem sequer ter uma definição nos primeiros anos. Isso é, de certa forma, difícil para os Brasileiros compreenderem, pois no Brasil se presta vestibular para cursos universitários BEM específicos e definidos. Não é assim que funciona nos EUA! Nos EUA, os alunos não entram em “medicina” ou em “direito”. Os alunos simplesmente entram no College, igual pra todo mundo, depois eles vão escolhendo suas matérias e aos poucos moldando uma concentração específica. A única exceção fica por conta da “escola de engenharia”, que é college e é focada em uma área específica (elétrica, química, biomédica, mecânica, civil, desde o começo), assim como no Brasil.

O propósito do curso universitário dos EUA é providenciar uma experiência de vida para o jovem. A entrada da universidade coincide com a maioridade (18 anos) e é um rito de passagem para o jovem Norte Americano. A maioria das universidades exige que o aluno more no dormitório da universidade, pelo menos pelo primeiro ano. Além do mais, a grande maioria dos estudantes Norte Americanos faz aplicação para universidades em todo o país e muitos acabam sendo aceitos em instituições bem longe de casa. Ir para uma faculdade “no outro lado do país” é um sonho de muitos jovens Norte Americanos. Ficar bem longe da família e ser livre pela primeira vez na vida faz parte da experiência de ir para a faculdade.

A experiência universitária também tem o objetivo de promover o crescimento intelectual do aluno, dando-lhe uma boa base de conhecimentos universais e iniciação científica. O curso universitário nos EUA dura geralmente 4 anos, mas pode demorar mais se o aluno demorar para fazer suas matérias. Por lá, os cursos universitários são compostos por matérias soltas que o aluno escolhe e faz, juntando no final das contas, as matérias devem formar uma “concentração”, por exemplo, em história, inglês, matemática, biologia, psicologia, etc. É possível também escolher uma concentração menor e se formar com duas concentrações.

Só é possível fazer esse curso de 4 anos, chamado de “college”, se você é bem jovem, isso na maioria das faculdades. Existem é claro, universidades de menor qualidade que aceitam qualquer um que pague. Nas universidades renomadas como Harvard e Yale, contudo, aluno mais velho do que 23, 24 anos nao entra mais no College (com raras exceções). Americano tem muito de não querer misturar pessoas de idades diferentes, principalmente quando envolve “crianças” como alunos de 18 anos – isso do ponto de vista dos Americanos! Para nós brasileiros, isso é um absurdo, mas os pais zelosos dos alunos de 18 anos que estão saindo de casa e indo morar sozinhos para frequentar a faculdade não querem suas “crianças” compartilhando sala de aula com “adultos” de 30 e poucos!

Esse curso universitário de 4 anos, contudo, não vale muita coisa. A maioria das profissões, como psicologia, medicina, direito, administração, farmácia, odontologia, medicina veterinária, entre outras, exige “pós graduação”, que nos EUA é chamada apenas de “graduação”, após este curso de 4 anos. Não é possível, contudo, evitar esse curso de 4 anos só porque ele “não vale nada”. Ele é pré-requisito para entrada em todas as outras “escolas”, como são chamados os cursos de nível superior.

Para ser médico, por exemplo, é preciso ter um curso de 4 anos, com ênfase em qualquer coisa, mas de preferência em algo, mesmo que superficialmente, relacionado à medicina, como biologia, neurociência ou bioquímica, e então “aplicar” para a faculdade de medicina propriamente dita, o que leva mais 4 anos. Brasileiros que já possuem curso superior podem “aplicar” para entrada em qualquer “escola” superior nos EUA, como medicina, farmácia, direito, administração, odontologia, etc. Em alguns casos, como psicologia, por exemplo, só possível praticar a profissão ao obter um doutorado. Não existe “escola de psicologia”, a formação do psicólogo envolve um bacharel de 4 anos (em qualquer coisa) e, em seguida, o programa de PhD em psicologia (o que também envolve a obtenção do mestrado “no meio do caminho”).

Antes de prosseguirmos vamos dar uma paradinha para esclarecer a nomenclatura que temos utilizado aqui que pode confundir os Brasileiros:

– Escola (school): Os cursos universitários nos EUA são chamados de “escola”. Ir para a escola significa tanto ir para a escola primária, quanto ensino médio ou faculdade e mesmo cursos de pós-graduação são chamados simplesmente de “escola”.

– Subgraduação (undergrad / undergraduate course / college): O curso universitário tal qual nós conhecemos. Chamamos aqui de “sub” graduação, porque os Americanos chamam de “graduação” somente os cursos de pós, enquanto nos no Brasil, chamamos de graduação, os cursos universitários convencionais (bacharelado).

– Graduação (grad school, graduate course): como explicamos no item anterior, “graduação” para os Americanos é só PÓS! Mas o que confunde os Brasileiros é que medicina, direito, farmácia, odonto, psicologia e muitos outros cursos são todos “graduate courses”, ou seja, pós-graduação no nosso entendimento. É preciso fazer um curso universitário de 4 anos primeiro (undergraduate) para ser capaz de entrar em qualquer uma dessas faculdades, o que é difícil para os Brasileiros entenderem, pois no Brasil o aluno recém-saído do ensino médio faz vestibular e entra direto em um desses cursos. Nos EUA não dá pra fazer isso.

– Aplicação / Aplicar (apply / application): esse é um termo que usamos bastante aqui pois é assim que os Americanos falam “aplicar para a escola de medicina”, por exemplo. Os alunos preenchem e enviam aplicações (como aplicações de emprego) para cada escola que desejam entrar. A escola, por sua vez, analisa cada candidato e em algumas escolas, até mesmo entrevista individualmente cada um e então escolhe quais alunos são mais adequados para “atender” àquela escola.

– Atender (attend): mais um termo que nós usamos errado em Português para que a explicação fique “parecida” como a forma como os Americanos falam! Os Americanos “atendem” a uma escola, no sentido de que frequentam a escola.

Após explicarmos os termos que usamos (mesmo que em português errado!) podemos prosseguir, agora com os cursos de “pós-graduação”, que, mais uma vez, para os Americanos são simplesmente “graduação”, comumente chamada de “grad school”.

A entrada na grad school é mais complexa e difícil, mas de certa forma, mais fácil para Brasileiros. Entrar no College (o curso universitário inicial) é muito difícil para Brasileiros por diversos motivos – idade, insuficiência financeira, falta de preparação, falta de domínio completo da língua inglesa, dificuldade para fazer o SAT, frequentar as entrevistas realizadas pela faculdade e mesmo conhecimento de como todo esse processo seletivo funciona numa época em que o jovem é controlado pelos pais e não tem muita noção da vida.

Depois de já fazer uma faculdade no Brasil, o Brasileiro já tem mais noção da vida, pode já estar dominando a língua inglesa, já ter viajado para o exterior e até já ter economizado dinheiro para estudar nos EUA. É mais fácil também para o jovem já formado no Brasil, se desligar da família para ir morar sozinho em outro país. Mas a maior vantagem é que os cursos que os Brasileiros almejam fazer no exterior (medicina, direito, odonto, psicologia, administração, farmácia, etc.) são todos cursos de pós-graduação, então faz sentido ir estudar nos EUA somente após já se ter um diploma de curso superior.

Quanto mais conceituada for a universidade que você quer entrar, melhor devem ser as suas notas durante todo o curso superior. Seu diploma e histórico (transcripts) devem ser traduzidos por uma entidade indicada pela universidade. Não vá já levar seu material para ser traduzido no Brazil por um tradutor juramentado, pois nem sempre as escolas aceitam a tradução dessa forma. Harvard, por exemplo, aceita diploma e histórico traduzidos por apenas uma empresa de confiança deles, que é indicada no próprio site da universidade.

Pesquise então as universidades que você tem interesse em entrar e veja qual empresa de tradução elas exigem que você use. Se você vai aplicar para mais de uma escola, talvez seja necessário traduzir seu diploma e histórico diversas vezes com diversas empresas, para atender às demandas de cada escola. Isso pode sair bem caro e leva bastante tempo, portanto, comece o quanto antes possível a pesquisar as exigências das escolas que você quer entrar – isso você faz no respectivo site de cada uma delas.

PROFICIÊNCIA EM INGLÊS

Todas as universidades vão exigir TOEFL de alunos estrangeiros. Esse é o teste de proficiência na língua inglesa. Algumas universidades como Harvard aceitam também IELTS e Cambridge. Mas coordene esses testes com suas aplicações, pois os resultados expiram! A maioria das universidades não aceitam resultados de testes que tenham sido prestados há mais de 2 anos, além disso, você precisa coordenar com a instituição que está aplicando o teste que eles enviem um envelope selado dos seus resultados direto para as universidades que você deseja aplicar. Cada curso em cada universidade tem um código que você precisa fornecer para a instituição que está aplicando o teste para você. Esse código você descobre no material de requerimentos para aplicação disponível nos respectivos sites de cada universidade.

Os cursos de “pós-graduação” relativos às nossas faculdades aqui no Brasil como medicina e direito levam menos tempo para completar do que no Brasil, já que todas as matérias genéricas de conhecimentos gerais e iniciação científica já foram completadas no curso superior inicial do aluno. Medicina então leva 4 anos, direito leva 3. Esses cursos, contudo, são em período integral. Praticamente todos os cursos universitários nos EUA são em período integral. Algumas exceções se aplicam a certas faculdades que se focam em pessoas mais velhas e que, portanto, já tem emprego e família e não podem se dar ao luxo de estudar o dia inteiro. A Harvard Extension School é uma delas, oferendo aulas à noite. Muitas das outras instituições que oferecem cursos noturnos, contudo, são de baixa qualidade, é preciso fazer muita pesquisa! De qualquer forma, Brasileiro não pode trabalhar nos EUA se não for residente legal ou cidadão Americano, então não faz sentido para Brasileiro procurar curso em escola noturna! Essas escolas noturnas não emitem visto de estudante.

MESTRADO

O mestrado é um curso bem popular pois é a “profissionalização” de diversas profissões e principalmente, é útil para quem precisa de mais educação para subir no mundo corporativo (empresas), ao passo que o doutorado (passo seguinte ao mestrado), é necessário apenas para algumas profissões, como psicologia e farmácia, e no mais, é necessário para quem pretende dar aulas em universidades.

Quem faz o chamado “mestrado terminal”, ou seja, o mestrado sem estar dentro do programa de doutorado, é geralmente quem precisa de maior formação para enriquecer o currículo, mas não precisa ser doutor para exercer sua profissão, como é exigido nos EUA para psicólogos e farmacêuticos, por exemplo. A maioria dos Brasileiros cai nessa categoria, já que de volta ao Brasil, um mestrado nos EUA em seu currículo vale ouro.

DOUTORADO

O doutorado nos EUA é muito mais comum do que no Brasil e é necessário para exercer certas profissões como psicologia. Não é possível clinicar, nem lidar direto com pessoas para um psicólogo sem doutorado – é o doutorado que “forma” o psicólogo, lembre-se que antes disso há apenas aquele curso de 4 anos que “não vale nada”!. Um bacharel em psicologia não faz um psicólogo como ocorre no Brasil.

O doutorado também é exigido para dar aula em qualquer instituição de nível superior e em alguns casos, até mesmo de ensino médio.

Cada grupo de cursos específicos tem seu próprio teste padrão para entrada na “grad school”.

– Medicina tem o MCAT

– Administração tem o GMAT

– Direito tem o LSAT

– Farmácia tem o PCAT

– Psicologia tem o GRE

Esses cursos são padronizados e controlados pela instituição que regula a profissão. Por exemplo, se fosse no Brasil, o MCAT seria administrado pelo Conselho Federal de Medicina. Todos os alunos que querem entrar em uma dessas escolas precisa prestar o exame relacionado à sua área. A nota desse exame, junto com o histórico escolar do curso superior, currículo de atividades extracurriculares, e entrevista individual é que somam os requerimentos para entrada nesses cursos.

Assim como ocorre na entrada do College (o primeiro curso superior a que o jovem tem acesso), as universidades Norte Americanas tem muito preconceito com relação à idade. É muito difícil, por exemplo, para uma pessoa com mais de 35 anos ser aceita na faculdade de medicina nos EUA. Por quê? A educação superior é vista como um investimento da universidade naquele aluno, quanto mais velho for o aluno, menos tempo ele terá para retribuir para a sociedade com o que ele aprendeu. Não estamos defendendo esse ponto de vista, apenas estamos explicando que é assim que as escolas nos EUA pensam!

Programas de doutorado também exercem preconceito com relação à idade, pelo mesmo motivo. O preconceito é maior nas universidades mais conceituadas, mas é sempre possível encontrar instituições menos conceituadas ou programas de extensão nas próprias universidades de ponta, como é o caso da Harvard Extension School, que não exercem nenhum tipo de preconceito. Mas por que não existe esse preconceito nessas outras faculdades? Pelo simples motivo de que elas não são muito concorridas. Quanto mais concorrida a instituição, mais cuidado ela deve ter para selecionar somente o “crème de lá crop”, ou seja, os melhor alunos, sob todos os pontos de vista. Alunos mais jovens possuem menos compromissos na vida (não são casados, não têm filhos, não trabalham), podendo se dedicar mais aos estudos e depois de formados terão mais tempo para aplicar seus conhecimentos e retribuir para com a sociedade. Em outros casos, como a Harvard Extension School, ou outras escolas de extensão, não são oferecidos cursos de doutorado e esse tipo de formação é necessária para a formação de diversos profissionais. O curso de mestrado na Harvard Extension School não compete como o programa de doutorado da GSAS (em Harvard). Na maioria dos casos, um mestrado terminal, como se diz, um mestrado sem doutorado, é inútil para os Americanos. Quem está interessado em fazer o mestrado na Harvard Extension é gente que só quer pendurar um diploma de Harvard na parede (ou voltar para seu próprio país e pegar um ótimo emprego!). Em outras instituições que oferecem doutorado, a simples falta de competição é que reduz o nível de preconceito.

Lembre-se que um programa de doutorado não é apenas um “curso” que o aluno vai fazer, pelo contrário, doutorado é treinamento em pesquisa. O aluno não paga, ele recebe dinheiro para poder estudar, justamente porque ele não pode trabalhar durante o intensivo curso que dura 5 anos ou mais. As universidades procuram então alunos que possuam rico potencial para se tornarem pesquisadores, cientistas e professores universitários, então é óbvio que as mais conceituadas instituições serão extremamente exigentes em todos os sentidos.

Para Brasileiros, qualquer curso no exterior já tem o poder de enriquecer o currículo fenomenalmente. Não é preciso então se acotovelar com os gênios que querem entrar nas prestigiadas escolas das universidades de ponta. É possível ir para Harvard, Yale, Columbia, Brown, Stanford, MIT, entre outras “super escolas”, sem suar a camisa, ou melhor, sem ser gênio!

Para isso, é preciso compreender as diferenças entre as diversas escolas (ou divisões) que compõem cada universidade.

O College é a escola que os alunos vão partindo do ensino médio. É só para alunos bem jovens e dura 4 anos, nos quais os estudantes aprendem matérias de conhecimento universal, aprendem a escrever direito, e a interpretar textos complexos e a fazer pesquisa.

Brasileiros raramente conseguem entrar em um College propriamente dito. Veja que os chamados “community colleges” não são a mesma coisa. Community college é um tipo de faculdade comunitária, aberta para qualquer membro da comunidade. Essas escolas, contudo, não oferecem cursos universitários completos e o peso de um “meio” diploma delas vale muito pouco.

Todas as grandes e conceituadas instituições possuem seu próprio college.

Depois do college, os alunos vão para a grad school se profissionalizarem. A maioria das grandes instituições de ensino como Harvard, possuem diversas “grad schools”, cada uma para um curso (ou grupo de cursos) diferente. Por exemplo, medicina em Harvard é feita na Harvard Medical School, direito é na Harvard Law School, administração é na Harvard Business School. Doutorado em Harvard na área de humanas e ciências é administrado pela GSAS (Graduate School of Arts and Science), onde é possível fazer tanto mestrado quanto doutorado em áreas como psicologia, história, sociologia, etc.

Todas as grandes escolas também possuem a divisão de “extensão”, e é aí que mora as maiores possibilidades para nós Brasileiros. Para saber mais sobre as escolas de extensão, clique aqui.

Além da divisão de extensão, que é bem acessível para nós Brasileiros, muitas escolas de ponta também oferecem o que eles chamam de “ensino continuado” (continuing education), que são divisões que oferecem o que nós conhecemos no Brasil como cursos de pós-graduação. Esses cursos também são bem acessíveis para Brasileiros, são mais baratos (comparando com os programas tradicionais de mestrado e doutorado) e emitem um certificado de pós igual ao que obtemos no Brasil para os mesmos cursos. Mais informações sobre esses programas também no link acima para as escolas de extensão.

Nem todos os cursos nos EUA oferecem o documento necessário para obtenção do visto de estudante. Em alguns casos, como alguns cursos rápidos, não é necessário obter esse visto. Cursos nas escolas de verão, por exemplo, podem ser feitas com um visto de turista mesmo. É preciso pesquisar no site da instituição que você deseja frequentar se é dado o documento para tirar o visto de estudante. Sem ele você só pode ficar nos EUA por 6 meses. Existe a possibilidade de extender seu visto de turista 2 vezes, aumentando esse tempo para 1 ano e meio, mas é muito arriscado fazer isso. Por quê? Nós discutimos isso em outro artigo aqui.

Se a escola que você quer frequentar não oferece documento para o visto de turista (como as escolas noturnas), o ideal é se matricular em outra escola de período integral que permita com que você pegue o visto de estudante e então cursar algumas matérias nesse escola durante o dia e depois à noite, cursar as matérias que você deseja fazer na escola de sua escolha. É assim que deve ser feito para quem quer ir para a Harvard Extension School, por exemplo, cujos cursos são só à noite.

Outro aspecto importante sobre o sistema de educação superior nos EUA é que ele baseado fortemente em interpretação e produção de textos (a famigerada redação!). No Brasil muito pouca ênfase é dada para ambas, os Brasileiros saem da escola e mesmo da faculdade sem saber interpretar criticamente textos e muito menos produzir material escrito com qualidade. A produção de artigos (essays e papers) é essencial para obter boas notas em praticamente todos os cursos superiores nos EUA. É preciso ter uma boa base de iniciação científica e saber como escrever bem de acordo com padrões acadêmicos. No Brasil, isso só é ensinado em cursos de mestrado, o que é uma pena, pois alunos brasileiros vão aos EUA estudar e têm um piripaque quando o professor pede para escreverem um mero artigo. Eu ensino como escrever um paper (artigo), aqui.

O ano letivo nos EUA começa em Setembro e termina em Maio. As férias de verão vão do final de Maio até o começo de Setembro na maioria das escolas e universidades. As férias de inverno começam lá pelo dia 20, 21 de Dezembro, dependendo da escola e terminam no final de Janeiro. No mês de Janeiro, muitas escolas fazem “intensivões” condensando o conteúdo de um semestre inteiro em 1 mês para alunos que querem acelerar a formação. No verão (de Junho ao final de Agosto), muitas escolas abrem suas escolas de verão como Harvard tem sua “Harvard Summer School”. É possível fazer cursos rápidos de várias matérias, só por diversão, para acelerar a formação ou para estudar inglês. Cursos de verão geralmente são livres e qualquer um pode fazer.

Algumas escolas dividem o ano letivo em 4 trimestres: De Setembro a Dezembro é o trimestre de Outono (Fall quarter). De Janeiro a Março é o trimestre de inverno (Winter quarter), de Abril a Junho é o trimestre de primavera (Spring quarter) e do final de Junho ao começo de Setembro é o trimestre do verão (Summer quarter).

Outras escolas dividem o calendário acadêmico em 2 semestres: geralmente os alunos têm aulas regulares somente no semestre da Primavera (do final de Janeiro a meados de Maio) e o Outono (do começo de Setembro a meados para o final de Dezembro). Janeiro é reservado para os cursos intensivos e os meses do verão Norte Americano são reservados para cursos de verão, aulas livres e também para alunos que querem aproveitar e fazer mais algumas matérias para acelerar sua formação. É possível estudar todos os meses do ano, mas não é necessário.

É o aluno que monta sua própria grade curricular e escolhe as matérias que quer fazer e quando.

É preciso tomar cuidado para não se entusiasmar demais com essa liberdade e ficar fazendo um monte de matérias interessantes (porém irrelevantes para sua área) e depois acabar atrasando a obtenção do diploma. Cada instituição tem seus requerimentos para obtenção do diploma, dentre matérias obrigatórias e matérias opcionais. Geralmente a linguagem utilizada é em termos de “créditos”. Ao pesquisar nos sites de universidades nos EUA, você pode se deparar com essa linguagem, o curso X exige 40 créditos para obtenção do diploma, dentre esses 40 créditos, 10 devem ser na área de concentração do aluno, 8 devem ser relacionados à produção de textos, e assim por diante. A escola determina de forma bem solta o que é preciso para obter o diploma, não há um tempo fixo, como no Brasil temos as faculdades de 4 anos, 5 anos e 6 anos como medicina. Existe uma média para formação, similar ao que temos no Brasil, mas o aluno é responsável por organizar sua grade curricular de forma com que ele consiga se formar dentro do período esperado – a maioria, contudo, não consegue!

Isso se deve, em parte, a própria desorganização dos alunos, que tendo liberdade demais, acabam fazendo matérias que não podem ser contadas para o diploma ou levam tudo bem devagar, por exemplo fazendo apenas 2 matérias por semestre. Outro motivo é a quantidade de matérias que constituem pré-requisito para fazer certas matérias. Por exemplo, para cursar física nuclear (uma matéria) é preciso já ter cursado 3 níveis de física, 2 níveis de cálculo e 5 níveis de matemática, todos esses “níveis” são uma matéria em si (Cálculo I, Cálculo II, Cálculo III, e assim por diante). Se o aluno não se organizar e não se controlar para não ficar cursando matérias inúteis, ele não dá conta de preencher todos os pré-requisitos a tempo e acaba levando anos a mais para completar os créditos necessários e se tornar elegível para emissão do diploma que ele deseja.

Esse processo funciona com todos os tipos de curso universitários, de bacharelado a doutorado, com poucas exceções como medicina que é bem “quadradinha” dentro de seus requerimentos.