Essa é a primeira e mais importante característica da excelência pessoal. Não é possível dar o melhor de si, honestamente, se a pessoa não é autêntica para consigo mesma.

A grosso modo, a pessoa que mente para si mesma para proteger seu ego do sofrimento não consegue ser excelente nunca, pois a excelência exige esforço. Esforço, por sua vez, é algo que exige que a pessoa deixe sua zona de conforto e ponha a mão na massa, ou seja, se obrigue a enfrentar medos emocionais. A pessoa que não tem integridade pessoal evita esse tipo de situação, arruma uma desculpa qualquer, acredita nela e fica por isso mesmo. Ela faz isso uma vez atrás da outra, até que ela perde a confiança em si mesma. Ela pode dizer o que quiser para si mesma “da boca pra fora”, mas inconscientemente ela já deu provas a si mesma de que não é confiável, de que não dá conta do recado, de que desiste da batalha se determinadas situações lhe incomodarem muito.

A questão é que bem lá no fundo nós nos conhecemos, nós sabemos das nossas limitações, nossos medos e temos memória dos nossos fracassos. Na teoria, podemos nos motivar artificialmente, ficar entusiasmados com alguma idéia e prometermos a nós mesmos que vamos conseguir, pois “dessa vez tudo será diferente”. Na prática, nosso subconsciente está dando gargalhadas da nossa ingenuidade, sabendo que estamos mentindo descaradamente para nós mesmos. Essa postura é extremamente danosa para a auto-estima e para a autoconfiança, pois qualquer mudança de comportamento artificial não passa da análise crítica e realista do subconsciente.

A integridade pessoal é escancarar todos os medos, limitações, intenções e pensamentos para nós mesmos. Nós podemos até mesmo falhar em obter resultados, mas a diferença toda está na sinceridade com que lidamos com o fato dentro do nosso universo pessoal. O que dizemos para nós mesmos, como nos sentimos, as conclusões que tiramos da experiência. Aceitar a própria imperfeição sem arranjar desculpas e sem se fazer de vítima (mesmo que seja de si mesmo) é uma das maiores virtudes que podemos desenvolver. A pior coisa que podemos fazer é dar desculpas para nós mesmos para justificar nossos erros, como se fossemos perfeitos e só falhássemos por causa dessas desculpas.