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Lou Ferrigno poderia facilmente ter seguido o caminho da autopiedade. Ao invés disso, ele escolheu a musculação para aumentar sua autoconfiança, terminando por alavancar uma carreira como um super-herói de TV e transformando-se em um exemplo da vida real.

“Minha vida toda, eu basicamente fui o Hulk”, diz Ferrigno, um ex-fisiculturista mais conhecido por seu papel como o alterego do doutor David Banner no programa de TV dos anos 70 O Incrível Hulk. Assim como o personagem, Ferrigno descobriu que podia se transformar em um homem muito forte – por dentro e por fora – confrontando seus medos e dominando o que ele chama de seu poder pessoal de destruir os obstáculos de seu caminho. “Você não pode ter medo de assumir riscos em sua vida”, ele diz. “Você não pode ter medo de falhar”.

Quando criança, Ferrigno sofreu uma infecção no ouvido que resultou na perda de 85% de sua capacidade auditiva que não foi diagnosticada até que ele tinha por volta de três anos. Seus pais pouco o encorajavam e as crianças do bairro o perseguiam. “Elas me chamavam de “Louie Surdo” (Deaf Louie)”, ele conta.

Ferrigno se lembra de se sentir isolado. Ele cresceu introvertido, refugiando-se no mundo fantasioso das histórias em quadrinhos. “Eu era um Walter Mitty* da vida real”, ele diz.

A guinada aconteceu quando ele tinha 12, 13 anos. Ele foi à banca comprar uma revista em quadrinhos quando se deparou com uma revista de fisiculturismo. Ele ficou fascinado. Começando com alguns halteres de um tio, Ferrigno passou a almejar ser um fisiculturista de primeira classe. “Eu sabia que esse era o caminho para o meu sucesso”, ele diz. “Era a única maneira de eu sobreviver”.

Ele descobriu que para atingir seu objetivo, precisava dar mais duro que qualquer outra pessoa e provar que os outros estavam errados quando o desafiavam. “Meu pai me dizia que eu nunca conseguiria ser nada”, diz Ferrigno. “Tudo que me disseram que eu não conseguiria fazer, eu fiz. Basta você agir por si só”. Em 1973, quando ele tinha 21 anos, Ferrigno entrou no concurso de Mr. Universo e ganhou, entrando para o Guinness como o homem mais jovem a angariar o título. No ano seguinte, ele voltou ao pódio para receber o título pela segunda vez. Ele era, e é até hoje, o único competidor o ganhar o título por dois anos consecutivos. “Vencer a competição me ajudou a perceber que eu poderia conquistar qualquer coisa que pudesse na minha cabeça”, ele conta.

Sua primeira aparição na tela foi no documentário Pumping Iron, em 1977, que também introduziu ao mundo Arnold Schwarzenegger. O filme mostra ainda um terceiro fisiculturista, Franco Columbu, enquanto eles competem para Mr. Olympia em 1975.

Schwarzenegger venceu a competição, mas Ferrigno conquistou algo muito mais valioso para ele – a chance de ser Hulk na televisão durante a exibição do programa de 1977 a 1982. Mais importante que isso, o papel abriu portas que nem mesmo Hulk, com seus músculos, conseguiria ter aberto.

Concentrando-se em sua atuação e fazendo esforços intensivos para melhorar sua dicção e sua leitura de lábios, Ferrigno conseguiu, depois de O Incrível Hulk, papéis em outras produções como Requiem for a Heavyweight e Of Mice and Men. Em anos recentes, Ferrigno teve um papel em The King of Queens, como ele próprio sendo vizinho do casal de protagonistas da série, Doug e Carrie.

Ferrigno ainda é um apaixonada por fitness, mantém uma carreira como personal trainer e tem trabalhado, nos últimos 30 anos, com clientes de todo o mundo. Ele também gerencia a Ferrigno Fitness Equipment, uma loja online que oferece desde halteres até conjuntos completos para academias caseiras.

Durante isso tudo, Ferrigno fez questão de permanecer perto de sua família e se focar no que conseguia atingir, e não nos obstáculos do caminho. “Eu nunca quis sentir pena de mim mesmo”.

E o papel pelo qual Ferrino parece sentir mais orgulho é o papel de exemplo. Hoje, o garoto franzino do Brooklyn também é um ótimo palestrante, que encontra tempo para inspirar jovens com sua história e atua como voluntário no Departamento de Delegacias de Los Angeles. Em visitas a escolas em nome do Departamento e outras apresentações públicas, Ferrigno está totalmente ciente do impacto que tem sobre os jovens. “É por isso que faço o que faço hoje”, ele diz. “Se eu tivesse conhecido alguém como eu quando era jovem, isso teria feito uma grande diferença”.

Esteja ele viajando ao redor do mundo fazendo palestras motivacionais ou simplesmente conversando com crianças no quintal de sua casa, a mensagem de Ferrigno é simples: “Você precisa seguir seu próprio caminho e maximizar seu poder pessoal”.

*Personagem de ficção criado pelo autor e cartunista americano James Thurber, cujas histórias eram publicadas na revista The New Yorker. Era um personagem que vivia com a cabeça nas nuvens, fantasiando sobre as mais diversas coisas.

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