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A autossabotagem tem inúmeros mecanismos. Já abordamos muitos deles por aqui, já que nossa imensa capacidade de boicotarmos nosso próprio progresso é a principal razão pela qual colhemos menos resultados do que poderíamos, do que nosso potencial nos permitiria. Um truquezinho sorrateiro de nossa psicologia, contudo, parece ter uma força imensa que pega desde a dona de casa tentando dar conta do recado até empresários de sucesso.

Nosso cérebro funciona de forma linear, contínua, temos uma necessidade lógica de fazer as coisas em etapas, terminar o “passo 1” antes de prosseguirmos para o “passo 2” e assim por diante. Esse mecanismo, entretanto, funciona contra nós quando inconscientemente queremos postergar a execução de uma determinada tarefa. Seja qual for o motivo da procrastinação: preguiça, não saber direito o que fazer, ter que lidar com pessoas difíceis, etc., usamos esse truquezinho mental para justificarmos nossa falta de ação. Dizemos a nós mesmos que ainda precisamos fazer “outra coisa” antes que estejamos preparados para fazer “aquela tarefa”. Usamos quaisquer artifícios que nos pareça lógico no momento: arrumar a casa, a gaveta, o armário, fazer exercícios, comer, aprender alguma coisa, ver e-mail, ligar para alguém, enfim, arrumamos milhões de coisas para fazer e no processo, postergamos indefinidamente a tal tarefa. Os motivos são vários, desde medo até simplesmente não saber o que fazer para começar. Vamos ver alguns deles aqui:

1. Medo

Seja medo do fracasso, do sucesso em si, ou uma insegurança para com as atividades envolvidas no processo, muita gente deixa de fazer o que se propõe e o mais comum artifício é “estar ocupado” com outras coisas que supostamente devem ser feitas “antes” de começar a se envolver com o tal projeto.

A postergação aqui é usada como válvula de escape para não admitir o medo. Enquanto temos “alguma outra coisa” ou “muitas coisas” para fazer, como poderíamos arranjar tempo para fazer tudo aquilo que queremos fazer, mas não está sendo feito? Parece lógico e funciona para “enganar os outros”, afinal de contas, a desculpa número um do cidadão moderno é “não posso fazer porque não tenho tempo”. Por trás dessa desculpa, contudo, pode haver um medo muito grande de se envolver com aquela atividade em especial, mesmo que a pessoa não consiga nem sequer reconhecer o medo para si mesma.

A solução para lidar com o medo em primeiro lugar é descobrir o que está gerando essa insegurança. É medo do fracasso? É medo do sucesso? É receio de ser criticado? É medo de alguma perda que a atividade possa gerar? A partir dessa definição, a pessoa deve procurar investigar como pode lidar mais proativamente com aquele medo que ela identificou. Lembrando sempre que medo em si é normal. Não devemos ter a ilusão de que o medo possa ser completamente erradicado antes que possamos nos dedicar ao que desejamos fazer.

2. Ignorância

Quando ignoramos as etapas e procedimentos necessários para realizar algo, tendemos a postergar indefinidamente o envolvimento com a atividade. O engraçado é que muitas pessoas, no alto de sua confusão, nem sequer sabem que o problema todo é simplesmente desconhecerem formas de se fazer o que estão “pensando” em fazer. Elas acham é porque estão sempre ocupadas, porque nunca conseguem se organizar e começar de uma vez, ou porque há outras prioridades no momento. A verdade, contudo, é que elas não sabem o que fazer, não sabem quais são as etapas e processos envolvidos naquela atividade. A tarefa pode ser a mais simples e banal como montar o próprio currículo profissional ou mais complexa como escrever uma monografia. A pessoa, ao se deparar com tempo livre, acaba canalizando-o para outra atividade dispersiva porque ela simplesmente não sabe nem como começar a fazer o que precisa ser feito.

A solução para este problema é simples na era da informação. Basta buscar na própria internet informações sobre como fazer a tarefa. Hoje em dia, não existe desculpa para não saber fazer alguma coisa, há informações até mesmo sobre as coisas mais bizarras e inúteis. Não Enem um pouco difícil, com um pouquinho de proatividade e força de vontade, descobrir como se faz absolutamente qualquer coisa apenas procurando na internet.

3. Desorganização

Muitas vezes a desorganização esconde um dos dois itens anteriores, a pessoa tem medo de fazer alguma coisa ou ela simplesmente não sabe o que fazer. Ela então se embanana toda com atividades inúteis, coisas espalhadas, compromissos em horários absurdos, para que nos final das contas ela não tenha mesmo tempo de fazer o que ela sabe que precisa fazer, mas quer evitar.

Um dos mecanismos de autossabotagem mais comuns que é observado até mesmo em estudantes jovens é a tendência de querer “arrumar” alguma coisa que está bagunçada “antes” de fazer alguma coisa importante como estudar para uma prova. No final das contas, todo o tempo é colocado na arrumação e o estudante acaba não estudando. Quem trabalha em casa também cai nessa armadilha com muita frequência. “Ah, antes de escrever aquele artigo ou terminar o projeto para um cliente que está esperando para amanhã, vou arrumar meus livros que estão espalhados pela casa toda”. O irônico é que tão logo o evento passe, como a data da prova, por exemplo, aquela ânsia de arrumar tudo de repente se esvai e a pessoa agora não tem mais vontade alguma de arrumar qualquer coisa!

Para lidar com esse mecanismo de postergação o segredo não é organizar-se como seria lógico supor!

Mesmo a pessoa mais organizada pode cair nessa armadilha. O segredo é criar o hábito da disciplina para conseguir fazer algo que não se está com vontade mesmo que chova canivetes, e é claro, mesmo que tudo ao seu redor esteja completamente bagunçado.

Tomar a iniciativa e começar a fazer o que você se propõe a fazer é um dos mais sólidos segredos do sucesso. Se eu não tivesse me forçado a sentar em minha escrivaninha e escrever esse artigo ontem, você não o estaria lendo-o hoje. Eu poderia ter decidido arrumar meu guarda-roupa que está uma bagunça, mas tomei essa decisão e não levantei até terminar. A luta entre a produtividade e procrastinação é bem assim mesmo. Você tem escolhas a todo o momento. Escolha produzir mais do que você escolhe postergar. Com o tempo você começa a colher os resultados!


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