Explorando o mundo e suas possibilidades sob uma nova perspectiva

Steve Pavlina

Explorando o mundo e suas possibilidades sob uma nova perspectiva

Você já pensou sobre o que o mundo quer de você, em comparação com o que você quer dar de volta?

Quando você pensa em seu propósito de vida, você se foca principalmente no que pode dar ao mundo? Seu propósito deriva do que você deseja doar, como compartilhar música se você gosta de música ou aconselhar as pessoas se você gosta de dar conselhos?

De forma alternativa, você se foca no lado da demanda, mas de um ponto de vista mais amplo? Você presta atenção no que o mundo precisa em geral? Você sente que deveria lutar pela paz porque pensa que o mundo precisa de paz? Você sente que precisa acordar as pessoas porque o mundo precisa acordar? Você quer ensinar porque acha que o mundo precisa de educação?

Considere que o mundo não precisa que você o mude. Talvez o mundo esteja bem do jeito que está.

Quando eu era mais novo, eu frequentemente interpretava meu propósito como sendo algo relacionado ao mundo. Eu precisava dar o que eu tinha de bom para mundo, ou precisava ajudar o mundo a mudar, ou ambos. Eu precisava achar alguma necessidade mundial que eu pudesse suprir. Mas quando eu tentava agir dessa maneira, eu não me sentia inspirado. A motivação não estava lá. Ficava bom no papel, contudo. Parecia nobre.

Quando eu passei pelas mudanças mais poderosas em minha vida, e a inspiração era forte, parecia que eu estava atendendo a um chamado. Mas não era um chamado para satisfazer uma necessidade ou compartilhar uma dádiva. Era um chamado para explorar. Se o mundo precisava de alguma coisa de mim, ele só precisava que eu o explorasse, o conhecesse com mais profundidade. Ele não precisava que eu o ajudasse a resolver problemas, se curar, se transformar, etc.

O mundo nos envia plenos convites para explorá-lo. Mas nós supercomplicamos esses convites. Nós cobrimos o simples processo de exploração com carências. Nós queremos dinheiro. Nós queremos relacionamentos. Nós queremos um corpo perfeito. É como ser convidado para um casamento e ficar se estressando com os detalhes: o que eu vou vestir? Quem mais estará lá? Que presente eu devo dar aos noivos? O fato é que esses detalhes se resolvem naturalmente, seu estresse não ajuda em nada, na realidade, só atrapalha. A carência é inapropriada e fora do ponto do evento. Há convidados que se estressam mais do que os noivos para atender a um evento que não é para eles, ninguém notará suas roupas, seu cabelo, seu sapato que custou uma fortuna.

Muitos proclamam: eu preciso fazer mais dinheiro, preciso emagrecer, preciso atrair minha alma gêmea, preciso retribuir ao mundo, e daí quem sabe, me aposentar para que eu possa passar meu tempo explorando o mundo e fazendo as coisas que eu realmente quero fazer.

Mas se pudéssemos simplesmente explorar e parar de criar empecilhos, nós descobriríamos que a estrada é repleta de recursos, nosso corpo já é adequado, e os melhores relacionamentos fluem para as vidas de quem está em movimento, sendo feliz e vivendo ao invés de se estressar e reclamar.

Quando você se pega criando carências em cima de suas tentativas exploratórias com infinitos tenho ques, pause e pergunte a si mesmo, que tipo de experiências eu estou adiando? Por que eu acho que preciso de X primeiro para depois fazer Y? De que eu realmente estou com medo?

Quando você tem todas as suas necessidades satisfeitas e você começa a viver sem carências, o que você fará então? Por que não fazer isso agora e deixar com que as carências sejam supridas ao longo do caminho?

Quando você fica carente o mundo parece estar carente também. Se você tem necessidades, então todo o mundo parece necessitado. Sua vida se torna um caldeirão de carências – o que você precisa de si mesmo, o que você precisa do mundo, o que as pessoas precisam de você, o que precisa ser suprido no mundo, etc.

Mas e se carência é só uma ideia? E se você estiver projetando suas necessidades através de sua realidade – desnecessariamente?

E se não há pré-requisitos? E se você não precisasse fazer muitas coisas antes de ser capaz de fazer o que quer fazer? E se você puder explorar todas as experiências que deseja agora? E se através desse processo exploratório, você acabar satisfazendo suas necessidades? Você provavelmente nem as notaria, nem mais pensaria nelas, elas deixariam de existir em seu mundo. Você estaria por demais imerso em suas experiências.

Quando nós exploramos e experimentamos o mundo de coração aberto e paramos de nos obsecar com nossas necessidades, nós respondemos ao chamado da vida com um simples SIM, ao invés de um sim, mas… E a vida responde com aqui está ao invés de ok, espero até que esteja pronto.

Nota da redação: o autor usa muito a expressão explorar, que é mais comum nesse contexto na língua inglesa (idioma do artigo original). Com explorar, o autor quer dizer experimentar, buscar, abrir a mente a experiências novas, conhecer.

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2 comentários em “Explorando o mundo e suas possibilidades sob uma nova perspectiva”

  1. Gente, esse artigo caiu na minha situação como uma luva! Eu tenho estado muito deprimida ultimamente após muitos sonhos fracassados e com essa angústia de que eu “tinha que fazer alguma coisa que importasse para o mundo”, mas sempre me pareceu que o mundo não se importava com o que eu fizesse. Muito peculiar essa visão. Sinto que o Steve acertou na mosca quando diz, com outras palavras, que nós temos que ser verdadeiros com nossos próprios sentimentos e movimentos, ao invés de querer inventar alguma coisa que nós achamos logicamente que devemos fazer para sermos importantes para o mundo. Achamos que se fizermos alguma coisa importante nos sentiremos bem, mas acho que essa percepção torna as pessoas arrogantes e no final das contas, não resulta nem em algo feito de bom para o mundo, nem para a pessoa.

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  2. É interessante isso… eu meio que sempre tive essa impressão. Parece que é uma pressão social que existe para a gente sonhar em fazer algo “para o mundo”, mudar o mundo, etc. Quando na realidade, as pessoas que tem mesmo essa postura são super arogantes, cheias de si, se achando muito, achando que são especiais, que vão mudar o mundo, pois elas sim sabem o que o mundo precisa, e acham que podem solucionar os problemas do mundo. As pessoas que realmente mudam o mundo não começam querendo fazê-lo, elas começam fazendo o que é verdadeiro para si mesmas e como consequências, elas acabam mudando algo muito profundo no mundo, tendo um impacto poderoso, mas elas não partem do princípio de que são as donas da verdade que sabem o que o mundo precisa e que elas são as tais que vão fazer as mudanças acontecerem. Não sei se me expressei bem… mas é isso, acho que o autor foi bem no ponto, um ponto que a maioria de nós nem sequer pensa.

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