Pessoas inseguras geralmente possuem uma visão idealizada do que é ser autoconfiante. Muitas imaginam que pessoas confiantes não têm medo de nada e estão dispostas a enfrentar tudo com o peito e a coragem, jamais sentindo a mínima insegurança. Essa idealização torna o autoconceito da pessoa insegura ainda mais crítico, pois ao se comparar a essa noção de uma pessoa superconfiante, ela se sente ainda mais insegura e inadequada.

Essa idealização, contudo, é extremamente ilusória. A autoconfiança completa é um mito e, quando real, caracteriza um quadro de arrogância ou mesmo de distúrbio mental – o “louco” pode ter uma autoconfiança extrema pelo simples fato de que não tem noção da realidade (pense em Donald Trump!). Qualquer pessoa “normal” sente insegurança, em diversos níveis e em diversas situações na vida.

A diferença chave é que a pessoa que costuma ser mais autoconfiante do que insegura pode até ter receios e duvidar da própria capacidade ou competência, mas ela tende a ser mais otimista e, no geral, não faz um grande caso disso.

A pessoa que costuma ser mais insegura, por outro lado, faz um grande caso de pequenas coisas e detalhes, como se sua vida dependesse de resultados que são, na realidade, insignificantes ou pelo menos não tão importantes para justificar o estresse.

Toda essa preocupação gera ansiedade. A ansiedade é o exagero emocional gerado pela percepção incorreta do que está sendo enfrentado, ou seja, a pessoa faz uma tempestade enorme em um copo d’água, dando um peso demasiado grande para eventos que não deveriam ser valorizados dessa forma.

Um dos exemplos mais comuns é o medo de falar em público. Diversas pesquisas já mostraram que as pessoas têm mais medo de falar em público do que da própria morte! Mas falar em público não mata, nem tira pedaço, não é mesmo?! A ansiedade gerada por esse tipo de situação, no entanto, mostra quão valorizada é a ideia de se expor publicamente. Essa valorização extrema faz com que a pessoa acredite que precisa ter um desempenho perfeito. É essa cobrança excessiva que gera a ansiedade nesse caso. A pessoa autoconfiante, pelo contrário, não dá muito valor para o fato de estar se expondo em público e, apesar de poder passar por momentos de insegurança ou receios com relação à própria performance, é o peso que ela dá à situação que define quão ansiosa ela se sentirá. Ao não atribuir um valor muito grande, ela se sente mais tranquila e essa postura lhe confere maior segurança ao passar pela experiência.

A insegurança e a ansiedade acabam andando juntas e uma reforça a outra. Quanto maior a tempestade feita com a ideia de passar por uma determinada situação, maior a ansiedade e, consequentemente, maior o nível de insegurança. A baixa autoestima, o pessimismo e a desconfiança quanto à própria capacidade, que são as características que nutrem a insegurança, por sua vez, alimentam ainda mais a ansiedade.

A ansiedade, em primeiro lugar, é uma questão de “opinião”. O que você pensa sobre determinado assunto define como você se sente com relação a ele. Quanto mais drama você faz, ou seja, quanto mais valor você dá a uma situação, mais ansiedade você sente. É muito importante não enxergar a ansiedade como uma doença (não estamos falando aqui de casos clínicos como síndrome do pânico ou distúrbio bipolar, mas, sim, de ansiedade comum). A ansiedade não pode ser comparada a uma gripe que se “pega” de repente. Ela se desenvolve na mente e depende dos seus conceitos e das suas opiniões para se fortalecer e afetar sua vida.

A insegurança segue o mesmo caminho. O pessimismo, a baixa autoestima e a dúvida quanto à própria capacidade são coisas que nascem no nível das ideias e, assim como a ansiedade, não é uma doença que “se pega” acidentalmente e, portanto, deve ser solucionada no mesmo nível em que ela é criada.

As soluções mais práticas e eficazes para a ansiedade e a insegurança são revisar os próprios conceitos pessoais que geram o medo causador das sensações de inadequação e desconfiança e se expor o máximo possível, se forçando a passar por experiências – quanto mais, melhor.

Parte da ansiedade e da insegurança está ligada à falta de experiência. Pessoas que superaram o medo de falar em público sempre relatam que o segredo é simplesmente se expor o máximo possível e aproveitar toda e qualquer oportunidade para falar até que a pessoa perceba, através da experiência pessoal, que não há nada de mais em se expor frente a uma plateia – veja que o aprendizado ocorre justamente quando o valor excessivo é retirado da situação. A pessoa que tem medo de falar em público e, com isso, desencadeia ansiedade e insegurança acha que isso é uma “grande coisa” e começa a formar um drama enorme dentro de sua cabeça; ao passo que a pessoa que vai passando por experiências começa a reduzir o valor dado a essa atividade e começa a percebê-la como uma coisa normal, corriqueira – logo, não digna de toda a preocupação ansiosa ou de dúvidas com relação à própria capacidade. Quando a experiência se torna comum para você, você a desmascara. A ilusão cai por terra e todo aquele medo se torna bobo e desnecessário. É como acender a luz em um quarto escuro. Quando você consegue ver todos os detalhes da realidade, ela de repente não parece mais tão assustadora!

Despojar-se dessa forma e predispor-se a passar por experiências a fim de aniquilar a insegurança e a ansiedade geradas pela ideia de passar por elas acaba tendo um efeito halo. Você começa a não precisar mais repetir o mesmo processo com tudo o que antes gerava ansiedade e insegurança. Você fica craque em domar suas emoções sempre que uma situação nova aparece. Você pode não ter muita experiência com aquela situação específica, mas você tem a experiência de enfrentar os seus fantasmas e isso começa a lhe dar um senso forte de autoconfiança. Mesmo sendo realista e tendo noção de que você pode não ser o melhor ou que você pode acabar cometendo algum deslize, a ansiedade já não está mais lá. Você é capaz de dar conta do recado sem se alterar emocionalmente – isso é a verdadeira autoconfiança!