O poder da organização pessoal

Franciane Ulaf

A organização pessoal é a habilidade de manter a ordem e seguir com facilidade sequências planejadas de ações.

Apesar de vermos a auto-organização somente como algo relacionado ao mundo físico, como a organização básica do local em que vivemos e trabalhamos, por exemplo, a organização pessoal se expande ainda para os níveis mental e emocional (explico mais sobre esses três níveis de organização em meu livro Planejamento Estratégico Pessoal).

A organização física, ou seja, a capacidade de se manter organizado com seus objetos, sua papelada e seus compromissos, é apenas a ponta do iceberg da organização interna. Nosso mundo mental e emocional impacta com muito mais força a nossa capacidade de organização na vida cotidiana do que qualquer técnica puramente física para ordenação dos compromissos e objetos pessoais.

A ansiedade, por exemplo – problema que nasce na desorganização mental e se expande para o nível emocional -, impacta diretamente a capacidade de manter o cotidiano físico organizado e os compromissos em dia.

A tendência à dispersão também é um hábito que começa na mente e afeta a capacidade de manter a continuidade nos planos, de prestar atenção no aqui e agora e mesmo de cumprir as metas mais simples com pontualidade.

Vamos aprofundar mais cada um desses problemas em artigos futuros. Hoje, vamos continuar avaliando como a auto-organização (ou falta dela) impacta a excelência pessoal.

 

A organização pessoal e a excelência

O comportamento excelente é uma postura pessoal de dar tudo de si para obter os melhores resultados possíveis. A desorganização pessoal, porém, é como uma grande pedra no sapato que impede a pessoa de conseguir caminhar com desenvoltura. Mesmo as melhores intenções, o senso de competitividade e a vontade de crescer, melhorar e mostrar serviço são boicotados por características pessoais que afetam a capacidade de terminar metas em dia e manter a linearidade e a prioridade nos projetos.

O desenvolvimento da organização pessoal, assim como de qualquer outra potencialidade, começa com um diagnóstico prolífico e sincero que visa identificar quais são os problemas básicos que causam as consequências que são visíveis no dia a dia – no caso, a dificuldade para se manter organizado. Observe que a falta de auto-organização não é “o problema” em si, mas só uma consequência de dificuldades internas que provocam as reações que são vistas como desorganização. Na prática, os problemas de organização estão ligados à capacidade interna de priorizar, concentrar-se em tarefas sem se dispersar, manter a pontualidade e dar continuidade aos planos. Isso tudo é um problema de organização mental em primeiro lugar.

A desorganização física, ou seja, a desarrumação de objetos, papéis e “coisas” em geral, é a parte mais grosseira e facilmente consertável da organização pessoal e geralmente se “autoconserta” quando os problemas internos são resolvidos.

Agora, para resolver esses problemas internos não há nenhuma fórmula mágica ou “dica” rápida. Esses problemas são causados primeiramente por dificuldades na priorização e, como você sabe, priorização é uma questão de vontade e vontade é basicamente uma questão de vergonha na cara! É como se disciplinar para acordar cedo. Se você não tem vontade e não precisa acordar cedo por uma obrigação externa, você continua na cama e é preciso uma boa dose de vergonha na cara para superar a preguiça e a vontade de ficar deitado para conquistar esse tipo de disciplina! Por mais simples e ordinária que essa ideia seja, se você parar para pensar você chegará à mesma conclusão. Alguns me respondem com o aquele mantra velho “mas é que não é fácil, né!” Pois é, enfrentar o “difícil” é justamente uma questão de vergonha na cara, não é?! Se sempre procuramos o caminho mais fácil, não temos como negar que a escolha é nossa.

A tendência à dispersão também é resultado da vontade mal direcionada, pois a pessoa se dispersa porque quer, porque ela tem vontade de fazer outras coisas e não o que ela deve fazer naquele momento. Nesse caso também, vergonha na cara é a única solução, pois não há técnica nenhuma que o obrigará a fazer algo que você não quer fazer, só porque você não quer! Afinal de contas, todos nós somos livres para fazermos o que bem quisermos, não somos? Se escolhemos ficar na frente da TV quando sabemos que deveríamos estar fazendo qualquer outra coisa “mais difícil”, a responsabilidade é nossa. Ninguém aponta uma arma para nossa cabeça e diz: “hoje você vai sentar bonitinho aí no sofá e ficar assistindo novela até a hora de ir dormir!” Pois é, então se temos total poder sobre nossas ações, por que não fazemos o que sabemos que precisamos fazer?

Por mais que tentemos dourar a pílula fazendo a razão parecer “fora do nosso controle”, a verdade é que a organização pessoal começa com a vontade própria e a disposição de fazer o que precisa ser feito. Só depois disso é que entram todas as técnicas e sistemas que estruturam a “arrumação” das coisas e a execução dos planos. Sair por aí procurando “dicas para se organizar” sem que você tenha força de vontade para colocar tudo em prática é como colocar a carruagem na frente dos bois.

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24 comentários em “O poder da organização pessoal”

  1. Olá Fran: Normalmente leio os seus artigos que me impressionam pela boa qualidade e pelo foco.
    Este que acabei de ler sobre a organização pessoal e a excelência entendo que você se superou em atingir o alvo. Concordo plenamente, está faltando para muitos de nós a vontade própria e a força de vontade para alcançarmos os nossos objetivos de vida.Um fraternal abraço.

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  2. Olá Fran, Dia após dia seus artigos estão superando as espectativas, fiquei com vergonha de mim mesmos por ter a tendencia de colocar a culpa na dificuldade.
    Um grande abraço!

    marcos.

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  3. Parabéns Fran Christy!

    Mais um artigo de ótima qualidade. São poucos os que tem coragem de dizer a verdade nua e crua. E concordo plenamente, a vontade vem em primeiro lugar.

    abraço

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  4. Muito bom, como tem sido a maioria de seus escritos. Parabéns. Este último me aumentou a culpa, pois fui atacado por um câncer ( mieloma múltiplo) e luto com ele a 2 anos. Meu problema são os efeitos colaterais da medicação. Os remédios me deixam pra baixo e sem disposição. Entro em meu escritório e não sei por onde começar. Quando começo, logo fico sonolento e deixo as coisas pela metade. Sou escritor com mais de 10 livros publicados. Eu já era um tanto bagunçado, mas agora as coisas pioraram. Quando minha esposa se coloca a organizar. . . eu não encontro mais nada. \tem alguma sugestão, ou tenho que esperar ficar curado para começar a organizar minhas coisas. Em tempo: concordo com você quando diz que a bagunça começa lá no interior de nosso ser. Um abraçao. Paulo

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    • Paulo, bom dia,
      Meu marido tbm teve essa doença, conseguiu leva-la bem por 8 anos, acho que devido a sua grande capacidade de organização.
      Sinceramente depois de tudo que vi, acredito que se ele tivesse feito o transplante de medula, quando do aparecimento da doença, sua vida teria sido menos sofrida, em consequencia dos efeitos colaterais do tratamento
      Um abraço e Deus te acompanhe

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    • Fran,
      Sua “ excelência“ e agressividade, para não dizer indelicadeza, ausência de boas maneiras, fere profundamente pessoas que tem a saúde debilitada. Fiquei chocado! Foi a primeira e ultima vez que acesso esse site.
      Passar bem e busque se lapidar.

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  5. Maravilhoso,
    É vergonha na cara mesmo.
    eu sofro de depressão, e um dos motivos é a desorganização pessoal, não sei colocar as coisas em seus lugares, minha vida, minha casa e meu escritório são uma bagunça, preciso ter vergonha na cara e enfrentar essa tal desorganização que está acabando comigo.
    Obrigada pelo artigo

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  6. Muito bom este artigo.
    Realmente o que nos falta é vontade firme,organização, prioridade nas tarefas a serem realizadas,dispersão e principalmente vergonha na cara.
    Obrigada pelo artigo

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  7. Olá Fran, belíssimo e de extrema verdade seu artigo, e como é difícil essa tal disciplina fazer parte de nossas vidas. Parabéns pelo texto.

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  8. Olá Fran,

    Obrigada por esse artigo maravilhoso, pois era tudo o que eu precisava ler. Parece que foi escrito para mim, especialmente. Estou passando por uma fase de desorganização na minha vida e estou tentando me reorganizar e reorganizar a minha casa que está o caos e não tenho conseguido. Vou imprimir o seu texto e colocar no meu quarto, em local bem visível, para me cobrar providências e como você disse, ter vergonha na cara para organizar tudo que precisa. Concordo também que tem que ser feita, em primeiro lugar, uma organização interior. Um grande abraço. M.Dutra

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  9. Parabéns!!!
    Este artigo foi escrito para mim, sentir na alma.
    Acredito que até hoje não fui reconhecido no meu trabalho por falta de organização e planejamento, apesar de todo o meu esforço. Tenho que tomar vergonha na cara. Vou buscar reverter isso, pois acredito que nunca é tarde.

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  10. Oi Fran,
    Todos os dias me sinto motivada a mudar o famoso comodismo e a terceirização de um culpado, ou seja tudo fica mais fácil quando identificamos o problema e buscamos a solução.
    Gosto muito dos seus artigos e te confesso que estão provocando uma verdadeira revolução muito positiva dentro de mim.

    Um grande abraço.

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    • Parabéns para todos,

      Eu tenho um defeito muito grande, não sou organizada. Para ter meus pagamentos em dia, faço uma planilha todo mes, sem ela não tenho controle do que falta pagar. Por isso sempre faço a relação baseada no mes anterior e, se entrar algo novo para pagar, imediatamente coloco no mes seguinte para não esquecer. Quanto a organização de roupa,sapatos, armário, casa, livros etc. sou bagunçada. Peço ajuda de como me organizar. Trabalho o dia todo e a desculpa é que, não tenho tempo.

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  11. Amei!!! principalmente quando você mencionou depende de nossa vontade e da nossa vergonha na cara, precisamos de alguém estar nos chamando atenção para acordarmos.
    Leio muitos livros que me ajudam bastante, mas o seu texto falou com a minha desculpite.

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  12. Fran, o seu texto foi empobrecendo e afunilando à medida que se encaminhou para o final. Você começou dizendo, e bem, que alguma da dispersão e desorganização tem origem na ansiedade, para terminar atribuindo tudo à “falta de vergonha na cara”. Essa não será uma forma redutora de olhar os problemas? E a ansiedade que se desenvolve para um depressão, por exemplo? Sabia que esta, entre tantas outras patologias (das mais simples às mais complexas), pode estar justamente na causa de tantos problemas, como a desorganização? O seu texto revela ou imaturidade ou uma enorme insensibilidade. Já agora, pense também que começar por resolver alguma desorganização exterior pode ser um ótimo estímulo interior. Tente não ver tudo de forma tão linear.

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    • Olha Sofia, eu vi seu comentário, pensei bem sobre o que você disse, mas acho que no final das contas concordo com a autora. Você está parcialmente certa em que o artigo em si pode ter ficado superficial, mas como eu também escrevo artigos de vez em quando eu percebo que às vezes a gente não consegue exprimir tudo dentro do espaço limitado que o artigo oferece.

      Pensei nas pessoas desorganizadas que eu conheço e sinceramente, no final das contas, todos os exemplos que eu consegui pensar eu concordo que essas pessoas precisam de uma boa dose de “vergonha na cara”. Até mesmo os deprimidos que se acham uns coitadinhos e por isso largam mão de suas obrigações e deixam a vida ficar desorganizada. Querem que todo mundo tenha pena, fazem escândalo, choram à toa. Deviam ser mandados para a Africa para passar um tempo com as populações que estão fugindo de guerras civis e passando fome pra ver o que é dificuldade ao invés de ficar de “mau com a vida” e então se achar no direito de jogar a toalha e não cuidar das próprias obrigações.

      Eu não tenho pena de ninguém, todo adulto que é são tem responsabilidade sobre a própria vida e isso inclui seus estados emocionais. A pessoa que não dá conta disso, me desculpe, mas precisa tomar vergonha na cara mesmo!

      Carmen Lúcia

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    • Pois é, cheguei ao fim do texto sem entender bem se estava lendo mesmo um único texto, que começou muito bem e terminou com uma insensibilidade e descuidado com as palavras.
      De fato, há os que não caminham pra frente apenas por preguiça e como diz a autora “falta de vergonha na cara”, mas generalizar e não se atentar ao fato de que muitas outras sofrem com a desorganização e com todos os problemas que ela causa por conta de problemas de saúde físicos, emocionais ou até mentais, é uma falta de tato para com o assunto. Um texto como esse pode ser muito bom pra chacoalhar umas pessoas, mas pode ser também um gatilho cruel para agravar ainda mais sentimento de impotência em indivíduos que sofrem diariamente com o peso de problemas muitos sérios como o da depressão, por exemplo.

      A depressão não é uma desculpa para as pessoas se colocarem na posição de coitadinhos, como cita Carmem Lucia acima. É um problema de saúde sério que requer muita atenção.

      Mas é por pensamentos vagos e incompreensivos como esses que muitos não se sentem confortáveis em buscar ajuda e acabam, entre diversas consequências, em situações de suicídio.

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  13. Me impressionei com a profundidade desse artigo, gostaria muito de adquirir algo que tivesse mais sobre o assunto…Concordo com o que foi dito no final…Não adianta criar os sistemas, sem a disposição para fazer rodar esse engrenagem toda, eu percebo isso diariamente!

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  14. Uma dose de pura verdade .eu aqui procurando como melhorar esse meu problema quando eu sempre desconfiava q oq faltava e vergonha na minha cara pra fazer oq tem q fazer …minha prioridades .e que nenhum método de organização dará certo se eu não quiser que de certo antes …!

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  15. Esta vontade própria é o que muitos acham que uma motivação externa o dará, Acredito que a grande verdade é que aprendemos erradamente através de fatores externos como é o ‘andar da carruagem’! Da mesma forma, depois de descobrirmos como é que funciona ( E que nada vai cair no seu colo pra resolver seus problemas pessoais), nada nos impede de “tomarmos coragem” ou como colocado pela Fran ” Vergonha na cara”, e endireitarmos nosso rumo independente da fase da vida que esteja passando.

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  16. Olá Fran, sinceramente seu artigo roda, roda e fica no mesmo lugar. Sem muito conteúdo, uso das mesma expressões, tendo essas qualificações que você colocou sobre você aqui no blog deveria ser mais rico a linguagem, com dados, experiência. Desapontada com seu artigo!

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