A frustracao, o drama e a preguiça

Franciane Ulaf

Frustração

Como saber se você é do tipo que “olha e não vê”?

É claro que, à primeira vista, todo mundo se acha esperto, mas suas experiências passadas podem revelar muito sobre seu perfil e, acredite em mim, é melhor ser sincero consigo mesmo e admitir as próprias limitações do que mascará-las em nome de uma falsa autoestima e não fazer nada para superá-las.

FRUSTRAÇÃO

A frustração é um indício claro de dificuldade em lidar com situações de qualquer tipo, desde uma discussão familiar até problemas com tecnologia. Quando suas emoções o impedem de raciocinar com clareza e você começa a se sentir uma vítima da situação, você perde seu poder pessoal. Pode ser que você esteja errado, mas você não consegue enxergar, pois está se vendo como uma vítima da situação.

A frustração é também muito comum em pessoas que têm preguiça mental. Por simples preguiça de pensar e raciocinar a pessoa não consegue descobrir a solução para certos problemas e empaca quando as coisas não funcionam como deveriam (ou como ela acha que deveriam funcionar) e o resultado é um sentimento negativo contra a situação: a frustração.

DRAMA

Seguindo a frustração, vem o drama. A pessoa que faz drama é aquela que popularmente dizemos que faz “tempestade em copo d’água”. Problemas pequenos e insignificantes viram motivo de revolta, briga, ameaças. Em sua preocupação excessiva em estar certa, fazer justiça, colocar o outro em seu lugar ou simplesmente dar um “showzinho” dramático, a pessoa perde o foco e a solução do problema sai pela tangente.

PREGUIÇA MENTAL

Como mencionado anteriormente, a causa mais frequente da dificuldade para encontrar soluções e entender problemas é a pura preguiça de pensar.

Habitue-se a expandir a descrição de suas necessidades e problemas com o maior nível de detalhes possível – quanto mais detalhes, mais clareza você poderá ter. Colocar tudo no papel é uma ótima ideia para treinar a mente para pensar em termos de detalhes e com mais estrutura, além de facilitar o processo de obtenção de informações e busca de soluções.

Evite ao máximo a tendência de simplificar demais as coisas. Centrais de atendimento ao cliente nas mais variadas empresas possuem histórias interessantes de falta de clareza. É comum o consumidor entrar em contato com o suporte para seu produto ou serviço informando o mínimo possível e esperando que o atendente resolva o problema rapidamente. Os funcionários de suporte, por sua vez, reclamam que os clientes devem achar que eles têm bola de cristal! “Não temos como adivinhar o que está acontecendo com o produto do cliente se ele não nos dá informações detalhadas, mas eles sempre acham que nós temos obrigação de saber tudo!”. Essas situações geralmente geram um impasse que deixa tanto o atendente quanto o cliente frustrados. O cliente acha que está lidando com um atendente incompetente e o funcionário fica irritado com o cliente que não o respeita e não lhe dá as informações de que ele precisa para resolver o problema.

O cliente, nessas situações, tem preguiça mental para expandir verbalmente a descrição de seu problema e o relata de forma simples e incompleta. Sua preguiça mental também o impede de entender que ele precisa dar ao atendente mais informações para obter em troca um serviço de atendimento satisfatório.

Um ponto importantíssimo a ser compreendido é que nossa postura se reflete em todas as áreas de nossa vida. Se somos desatentos e preguiçosos mentalmente em uma área, pode apostar: somos em todas as outras também. Digo isso porque esse meu exemplo sobre centrais de atendimento gera comentários relacionados ao “mito” de que o cliente é que sempre está certo e a empresa (e seus funcionários) tem obrigação de se virar em dez para atender o cliente da melhor forma possível.

A mesma reação ocorre quando dou exemplos de dificuldades com tecnologia. A impressora não imprime? Qual a sua capacidade de consertar o problema rapidamente sem se irritar nem se frustrar? Aqueles que têm dificuldade com tecnologia se escondem por trás dela e argumentam que esse exemplo “não vale”, pois se você tem dificuldade, então está tudo bem…

A realidade é que não, não está tudo bem. Cá estamos falando sobre excelência pessoal e busca do sucesso, não é mesmo? Não seria uma contradição absurda aceitarmos passivamente uma desculpa esfarrapada para um deslize qualquer como fruto de uma “dificuldade pessoal”? Pois é, de fato é uma contradição. Dificuldade não tem desculpa, dificuldade é fruto da preguiça mental e da má vontade para enfrentá-la. E, diga-se de passagem, principalmente dificuldade com tecnologia, já que é um item que cerca nossas vidas por todos os lados.

Na busca pelo sucesso, seja em qualquer área da vida, as surpresas e os desafios a serem enfrentados podem frequentemente estar fora de sua zona de conforto, ou seja, coisas com as quais você não está familiarizado e tem dificuldade. E aí, o que é que você vai fazer? Esconder-se por trás da dificuldade e continuar no mesmo lugar, pois, supostamente, se você tem dificuldade, então está tudo bem? A excelência pessoal é uma postura de autossuperação constante, de busca por resultados surpreendentes, extraordinários. A pessoa que se esconde por trás de dificuldades e acha que elas são desculpas perfeitamente aceitáveis para o fracasso jamais será excelente em nada, permanecendo na mediocridade para o resto da vida. Não há sucesso algum reservado para quem não tem predisposição para enfrentar dificuldades, por mais simples que sejam, como fazer uma impressora que não imprime funcionar!

A solução para qualquer dificuldade está justamente no que temos conversado nas últimas semanas: informação organizada e estruturada obtida através de investigação e pesquisa. A pessoa que adquire o hábito de sempre buscar descobrir como superar seus problemas acaba andando muito mais rapidamente na vida e, é claro, deixa os “sem noção” comendo poeira se perguntando o que foi que ela fez, que vantagem ela teve, quem a apadrinhou, sem se dar conta de que o motivo pode ter sido o mais simples de todos: agir rapidamente ao buscar informações e ao colocar essas informações em prática.

No próximo artigo vamos conversar sobre como a perspicácia afeta nossa capacidade de sermos bem sucedidos e dá um banho de água fria nas posturas frustradas e no drama que fazemos por pouca coisa.

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8 comentários em “A frustracao, o drama e a preguiça”

  1. Olá,

    Quero agradecer à Equipe Excelence Studio Brasil pelos artigos enviados para meu e-mail. Foram importantes referenciais para minha autopesquisa (pesquisa da própria personalidade, onde o pesquisador é também cobaia de si mesmo).
    Queria perceber o nível de assertividade já existentes nos empreendimentos já realizados e onde há necessidade de maiores investimentos para aprofundar o nível da consciência em relação às metas a serem alcançadas. Para isto, associei as informações recebidas da equipe, entre outras, à auto-observação, o que possibilitou a formação de novas sinapses. Com isto, a técnica da observação continuada, que consiste na observação atenta dos fatos e das sincronicidades associadas aos mesmos, assim como minhas próprias ações e reações diante dos estímulos recebidos foi aplicada com maior lucidez. Valeu!

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  2. Bom dia
    Gosto sempre dos artigos, obrigada pela oportunidade.
    Em relação ao artigo sobre frustração, concordei em grande parte, exceto com o exemplo dado sobre a preguiça mental. A tecnologia citada como exemplo me deixou com uma sensação de que temos que ter todas as habilidades desenvolvidas, que basta querer, e pronto, vamos conseguir fazer com que a impressora funcione. Não é bem assim, pois estudos na área neurológica já demonstram que as habilidades são desenvolvidas com esforço sim, mas é preciso que parte desta habilidade já esteja lá. Do contrário, todos nós seríamos bons em tudo, ou seja, não tenho talento para a artes, mas se me esforçar, pensar, ler, vou me tornar um artista reconhecido? Não necessariamente. Concordo que muitas vezes nos frustramos por pouco ou por tentar pouco, mas a frustração faz parte. Não conseguir fazer uma impressora funcionar não quer dizer que eu seja preguiçoso mentalmente, eu simplesmente tenho outras facilidades, e não posso ou não devo concentrar meus esforços na tentativa de resolver um problema que em nada me edifica, vou usar minha energia em outras atividades que façam realmente a diferença na minha vida, não só profissional, mas emocional, afetiva, social,etc.
    Espero não estar sendo inflexível com o exemplo, mas precisamos ter muito cuidado com a forma que expressamos nossas frustrações.
    Claro que foi só um exemplo, pois assim como um músculo do nosso corpo pode ser aperfeiçoado, o nosso cérebro também, o que eu não acho apropriado, é dizer que o exercício mental vai necessariamente resolver um problema de habilidades.
    Agradeço pela oportunidade e gostaria de continuar lendo todos os artigos, são preciosos e instigantes.
    Abraços, Sumaia pinheiro

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    • A argumentação da Sumaia é correto. Ainda que o artigo se refira a 99% das pessoas, sempre existem as excessões à regra. E suas opiniões são tão “normais” quanto à da maioria das pessoas, ainda que elas não estejam dentro da média. No mais, os Textos da Fran Christy são maravilhosos. Ela tem a perspicácia e a sensibilidade de chegar no cerne da questão, e expô-las de forma clara e útil para os seus leitores.

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      • Eu particularmente não concodo com a visão de vocês dois… A Sumaia compara consertar um problema como uma “impressora que não impreme” com ter talento artístico ou outro tipo de habilidade nata. Uma coisa não tem ABSOLUTAMENTE nada a ver com a outra! Nem sequer guardadas as devidas proporções!

        A autora dá um exemplo corriqueiro de problema que QUALQUER um de nós pode se deparar: uma impressora que não imprime o que a gente quer. Isso é algo que qualquer pessoa pode precisar COM URGÊNCIA resolver sem a possibilidade de ajuda alheia e é algo que NÃO EXIGE talento ou mesmo profundo conhecimento em tecnologia. Exige que a pessoa tenha perspicácia e inteligência suficiente para “desconfiar” do que pode estar errado: será que a impressora está devidamente conectada ao computador? Será que eu estou selecionando a impressora correta na lista de impressoras ao mandar imprimir? Será que a impressora não está configurada para “trabalhar offline”? Essas coisas são elementares e não exigem mais do que um esforcinho de cada um de conhecer esses detalhes do funcionamento de coisas que a gente usa todo dia, ou algum de nós aqui não usa impressora? Nada, nem de longe, comparável a talento artístico ou capacidade nata para uma determinada área. Eu resolvi responder porque me enquadro exatamente neste caso que a autora descreveu. Como todo mundo no mundo civilizado eu uso tecnologia diariamente e já me deparei centenas de vezes com esse tipo de probleminha e não tenho nenhuma facilidade ou conhecimento específico sobre computação. Mas qualquer que seja o “probleminha” que ocorra, eu sempre dou um jeito de decobrir o que fazer para consertar. Procuro no Google, faço um brainstorm de tudo o que “pode ser que esteja errado” e parto para um “teste de hipóteses”, testando cada uma dessas possibilidades até achar o problema e consertar, seja a impressora, o computador, o telefone… A pessoa que não tem essa proatividade, concordo com a autora, tem preguiça mental de procurar lá no “fundo da mente” uma lista de possibilidades que poderiam causar algum problema ou mesmo se DAR O TRABALHO de fazer uma mera busca no Google… A maioria das pessoas não faz isso, ficam emburradas, cruzam os braços, se frustram e partem para pedir ajuda para os outros, sem ao menos refletir sobre o problema e tentar resolver sozinhas.

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        • Artigo muito enriquecedor intelectualmente… Concordo plenamente com a Camila… Antes de pedir ajuda a outros ou ficar reclamando que não consegue simplesmente tente todas as soluções possíveis.

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  3. Tudo se resume a tomarmos consciência das nossas ações . Minha esposa age exatamente como descrito no texto. Age na emoção . Não deu certo , não procura saber o por quer. O sentimento a emoção só serve para saber como nos sentimos em determinada situação , nos conhecermos melhor . Não é feita para tomarmos decisões. Por que estou frustrado ? Por que estou com raiva ? Qual o motivo do meu stress.
    Essa é a importância do auto conhecimento

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  4. artigo de suma importancia pois consequi indentifica alguns fatos acontecendo em minha vida ,com este artigo pode ver alguns pontos que devo mim manter atenta a resolução de problemas ,e ate mesmo de frustração .

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