Como desenvolver a força mental

John Mackenzie

Como desenvolver a força mental

Em primeiro lugar, o que é que eu quero dizer com “força mental”? Acho melhor definir o termo, pois essa é uma das expressões que pode gerar mais de uma interpretação! Com força mental eu me refiro àquela resiliência mental, o caráter, a capacidade de suportar os momentos difíceis da vida com sabedoria e equilíbrio. De todos os desafios que enfrentamos na vida, os que travamos em nossa própria mente são sempre os mais difíceis e tortuosos. Podemos vencer uma batalha na vida, mas por dentro estarmos destroçados.

Como lidar com esse turbilhão interno e sermos verdadeiramente fortes, no sentido pleno da palavra?

Desenvolver sua força mental pode ajudá-lo a ser mais resistente emocionalmente, motivá-lo a seguir em frente com desafios que despertam medo e também construir uma “casca grossa” contra pessoas tóxicas e ataques pessoais, assim como quedas e fracassos. Aqui vão então algumas dicas para desenvolver uma fortaleza mental.

1. Desenvolva a “Dureza” mental

Dureza mental é a capacidade de se manter firme e forte frente às adversidades da vida. Não titubear, não fazer drama, não se desesperar, não se frustrar. Se você não nasceu assim, você não vai desenvolver essa capacidade da noite para o dia, então é desnecessário me dizer que “é difícil”! Sim, é muito difícil, é por isso que a maioria das pessoas é fraca, no sentido de não aguentarem o tranco das dificuldades da vida. Muitas, entretanto, não possuem qualquer interesse ou mesmo capacidade de desenvolver essa dureza mental. É triste que seja assim, mas é a realidade do mundo em que a gente vive, então não vamos nos fixar nessas pessoas para justificar porque é tão difícil evitar a frustração, a reclamação, o drama. Pense só em si mesmo e quão longe você está de um ponto de equilíbrio ótimo.

Esse ponto de equilíbrio ótimo a que me refiro é aquela condição em que você não é perfeito e vez ou outra comete erros e cai de novo em velhos hábitos, mas na maior parte do tempo, você consegue dar conta do recado. É bom manter esse conceito em mente para não ver esses assuntos ligados ao desenvolvimento pessoal de forma 8 ou 80, pois nada na vida é assim. Se em 70% do tempo você consegue ser “duro” mentalmente e enfrenta as adversidades proativamente, os outros 30% não o tornam “fraco”. Você só precisa trabalhar na otimização dessa qualidade e aumentar o seu nível de excelência nesse processo.

Dureza mental é algo que nós desenvolvemos nas quebradas da vida. Algumas pessoas possuem o dom excepcional de lidarem bem com adversidade desde crianças, mas a grande maioria das pessoas que são boas nisso, se você ouvisse suas histórias, elas iriam te contar sobre o bullying que sofreram na escola, sobre pais que eram abusivos ou desrespeitos, sobre colegas de trabalho manipuladores que as enganaram. Mas elas também lhe contaram que essas mesmas experiências acabaram lhes ensinando a ser mais fortes.

Algumas pessoas, contudo, não se tornam mais “duras” com essas experiências. Pelo contrário, o efeito é justamente o oposto. Essas experiências as traumatizam e a cada feedback negativo, elas se encolhem ainda mais. Isso é uma questão de postura mental e por trás dela estão os paradigmas que explicam “como o mundo funciona” e como reagir a adversidade e desafios. Cada um de nós constrói nossa própria versão da realidade muito cedo na infância para entendermos exatamente porque nos comportamos de uma forma ou de outra. Todavia, há evidência suficiente de que à medida que nos tornamos conscientes do próprio modo de pensar e como isso afeta nosso comportamento, nós podemos mudar.

É nesse processo consciente que reside a oportunidade de desenvolver a dureza mental mais tarde na vida.

2. Administre suas expectativas

O que mais nos causa tristeza, frustração, medo e hesitação são as nossas expectativas, ou seja, aquelas ideias moldadas de como esperamos que as coisas sejam, as situações se desenrolem e até mesmo que as pessoas se comportem. Quando a realidade não bate com nosso “filminho” mental, nós fazemos bico.

Se somos do tipo manipulativo, tentamos “mudar” as coisas, manipular as circunstâncias, as pessoas para que tudo “dê certo” do jeito que visualizamos. Se somos do tipo dramatico, fazemos manha, reclamamos para os outros, batemos o pé, brigamos, fazemos tudo para que o mundo funcione do jeitinho que queremos. Se somos do tipo depressivo, ficamos frustrados, tristes, choramos, nos revoltamos porque as coisas não acontecem do jeito que a gente deseja.

A contradição é que quanto menos expectativas temos, mais felizes nos sentimos. Muitas pessoas acreditam que a felicidade está em realizar os próprios sonhos quando na verdade, esses sonhos são essas expectativas que definem o que “deve” acontecer no futuro. Quando as coisas não acontecem como sonhado, não conseguimos evitar os sentimentos negativos.

Não é uma questão de não ter sonhos, mas sim de ter sonhos realistas, expectativas alinhadas com suas próprias possibilidades e capacidades. Adicionando a isso, é preciso administrar essas expectativas de forma a não “se machucar” caso as coisas não aconteçam como esperado.

Isso nos leva de volta ao assunto dos paradigmas e postura mental. Quem se vê frequentemente frustrado com o desenrolar da vida precisa em primeiro lugar refletir sobre o que realmente espera que aconteça, quão justas são essas expectativas, principalmente com relação aos outros e aprender a perder. Muitas das frustrações que as pessoas enfrentam nascem da inabilidade em abrir mão de algo contrário à vontade inicial que gerou a expectativa.

Ser forte mentalmente depende muito de saber pelo que lutar e o que abrir mão e não se afetar emocionalmente quando a vida segue o rumo oposto às nossas vontades. Muitas coisa, de fato, ocorre quando menos esperamos e contra qualquer expectativa. Quando as coisas começam a desviar do esperado, a atitude ideal é observar e refletir, será que o que está acontecendo não é realmente o melhor para todos? Como eu posso tornar essa adversidade ou derrota a meu favor? O que posso aprender com essa experiência?

3. Desenvolva a inteligência emocional

Estar em contato com as nossas emoções é muito positivo, mas é preciso aprender a sentir sem deixar com que os sentimentos bloqueiem o raciocínio e o bom julgamento. Pessoas mentalmente fortes sabem como ficar “frias” em situações “quentes”, elas não perdem o controle.

Essa é mais uma habilidade que requer treino atento e consciente, não é simplesmente uma coisa que você lê aqui e diz: ah, tá bom, vou fazer isso! Há muito material sobre inteligência emocional, inclusive muita coisa que não se refere a essa habilidade por esse “nome”. Muitas coisas sobre autoconfiança, autoestima, resiliência, proatividade e assertividade tratam do mesmo assunto. Ler bastante, compreender, raciocinar, refletir sobre o aprendizado em cima da própria experiência nos ajuda a parar para pensar quando uma situação diferente ocorre novamente. Mesmo tropeçando algumas vezes após já ter aprendido o que fazer, cada experiência é um aprendizado e se você for persistente e focado no desenvolvimento dessas três habilidades, você certamente poderá ver seu progresso ao longo do tempo.

A melhor forma de trabalhar as três habilidades em rumo a uma resiliência mental é assumir a responsabilidade por cada reação. O que nos acontece pode não ser culpa nossa, mas definitivamente somos responsáveis pela forma como escolhemos reagir. Isso nos leva a sermos menos impulsivos e a refletirmos quando situações extraordinárias ocorrem. Quando refletimos, superamos os impulsos da mente inconsciente e começamos a aplicar o que aprendemos (como em artigos como este). Nesse momento é que nasce o nosso poder de escolha: quando raciocinamos em cima de uma situação podemos escolher sermos proativos e fortes, ao invés de bancarmos a vítima e nos frustrarmos. É nesse poder que reside nossa maior força.

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