7 Hábitos que prejudicam a tomada de decisão

Franciane Ulaf

Tomar decisões

Tomar decisões nem sempre é fácil. Teoricamente decidir é uma simples questão de tomar partido por uma opção específica, um caminho, um lado. Na prática, nós nos sentimos confusos e indecisos. Nós não queremos ter que escolher. Quando nossa preferência é clara e óbvia, decidir parece a tarefa mais ordinária do mundo – nós chegamos a ter dificuldade para entender a indecisão alheia (por que não escolhem o que eu escolhi? É melhor!). Entretanto, nem sempre nossa predileção é definida. Além disso, em situações em que a responsabilidade ou o ônus sobre a escolha são muito grandes, hesitamos e jogamos a decisão pro futuro.

Decidir nunca será fácil, não tenha essa esperança! Com aprendizado e reflexão você pode se tornar uma pessoa mais proativa e assertiva, tomando decisões firmes, decididas e até mesmo rápidas. Contudo, a dificuldade sempre estará lá. A diferença está na forma como lidamos com a responsabilidade de fazer escolhas.

Alguns hábitos que temos podem dificultar ainda mais algo que tem o poder de nos estressar e nos angustiar muito. Nesse artigo, vamos ver sete desses hábitos que nos levam a tomar decisões pobres, erradas ou hesitar tomar qualquer decisão.

1. Falta de perspectiva

Essa falta de perspectiva também pode ser chamada “falta de visão”, ou seja, a dificuldade de prever circunstâncias futuras, mesmo quando elas são óbvias. É claro que não podemos prever o que vai acontecer, mas todos nós temos condições de visualizar cenários futuros com base em tendências e até mesmo com base na experiência alheia. Eventos seguem probabilidades estatísticas. Um livro fenomenal para compreender o poder da probabilidade em nossas vidas é o “O Andar do Bêbado – Como o Acaso Determina Nossas Vidas” do físico Leonard Mlodinow.

Um exemplo claro de falta de perspectiva? A indústria fonográfica lutando ferrenhamente contra o avanço da tecnologia de distribuição digital de música na virada do século. A indústria de livros impressos lutando contra o mesmo problema atualmente. Esses são casos de “cegueira” corporativa, mas as pessoas cometem os mesmos erros. Proprietários de locadoras de vídeo nas últimas décadas lutaram com unhas e dentes para defender seus negócios, se negando a admitir que a tecnologia estava em processo de mudança e que as pessoas em breve deixariam de alugar fitas de vídeo.

Probabilidade matemática e tendências podem nos dizer muito sobre o que o futuro nos reserva. O cara que sabe que sua posição profissional está em declínio, deve o quanto antes se preparar para fazer outra coisa, ao invés de ficar “rezando” ou “torcendo” para que o momento crítico demore bastante para chegar (ou nunca chegue).

2. Indecisão

A indecisão pode ter inúmeras raízes, desde a dificuldade para escolher apenas uma opção (querer demais) até a recusa em assumir a responsabilidade que vem junto com as escolhas que fazemos. Cada um precisa avaliar os motivos da hesitação.

Um hábito a ser evitado é querer refletir demais em cima dos prós e dos contras de cada opção. Esse tipo de dilema é facilmente resolvido com priorização. O que é mais importante para você, acima de tudo o mais? Que opção vai para o lado do “mais importante”? Selecione esta opção e esqueça todas as outras.

3. Vida ou morte

Um hábito muito negativo é encarar cada decisão um pouquinho mais significativa do que a cor da roupa como uma questão de vida ou morte. Evite fazer drama, mesmo que a decisão seja realmente importante.

Há poucas decisões realmente sem volta. A maioria das escolhas que as pessoas fazem não são finais. Mesmo assim, é fácil se estressar com detalhes que podemos mudar ou voltar atrás se por venturas as coisas não se mostrarem como imaginadas.

Quanto mais valor você dá a uma decisão mais difícil ela se torna. Quanto mais você fica passando pela cabeça os “e se’s” que poderiam acontecer, mais angustiado e ansioso você fica. Desdramatize, tire o valor de cima das opções, banalize a tomada de decisão, trate-a como coisa corriqueira, como se você não se importasse.

4. Preguiça

Por incrível que pareça, tem gente que tem preguiça de refletir sobre suas opções e por não ter uma boa ideia do que envolve a escolha que ela precisa fazer, ela posterga.

Essa preguiça se mostra em falta de proatividade para ir atrás de dados, informação, ver como é, como funciona, confirmar suposições.

Um exemplo é a pessoa que sabe que precisa mudar de emprego pois seu cargo está com os dias contados, mas posterga, não procura nada, não avalia opções, não corre atrás, não toma decisão alguma até o dia em que é demitida.

Outro exemplo é a pessoa que sabe que quer fazer um curso no exterior, “mais ou menos” na época tal, mas tem preguiça de correr atrás de informação, verificar o que precisa fazer, que documentos precisa apresentar, etc. Quando chega a época ela vai ver e descobre que diversas datas limites já se passaram.

5. Não se atualizar

Tem gente que fica presa ao passado e toma decisões com base em conceitos e experiências que já não são mais válidas no mundo de hoje. Há uma insegurança no novo, uma percepção de que o velho é que é bom, que é certo, que é melhor.

Isso causa uma dificuldade para mudar, para se adaptar e no final das contas as decisões tomadas podem se mostrar ineficientes e até mesmo erradas, pois os padrões de avaliação já estavam ultrapassados.

6. Não ter uma estratégia alinhada ao projeto de vida

A vida é muito curta para fazermos tudo o que podemos, tudo o que dá vontade, tudo o que é possível. Quem não tem um foco, contudo, fica como uma barata tonta tentando um pouquinho de cada coisa sem se firmar em nada.

Decisões importantes devem ser feitas estrategicamente com base no foco do projeto de vida. Para isso você precisa ter um projeto de vida! Esse projeto determina qual a linha mestra da sua vida, o perfil do que você faz, seu “estilo de abordagem”, enfim, o projeto diz “qual a sua praia”. Se você se depara com um conjunto de opções em que 3 de 4 não tem nada a ver com esse seu perfil, você já sabe que só sobra uma única escolha que é estratégica e que o mantém focado, o resto é dispersão.

7. Dependência

Nós seres humanos somos interdependentes, precisamos ajudar e nos deixarmos ajudar uns pelos outros. Contudo, é muito fácil passarmos da noção teórica de interdependência para a prática da dependência e deixarmos com que os outros controlem nossas vidas.

Essa dependência se mostra quando a pessoa hesita em tomar decisões (que ela deveria tomar sozinha) porque quer consultar outras pessoas (que não deveriam opinar naquele assunto).

Outro hábito negativo é esperar aprovação alheia, perguntar aos outros se “está certo” ou errado escolher X ou Y. Pedir conselhos é uma evidência desse processo.

O ideal é assumir 100% da responsabilidade por cada decisão e isso significa não pedir opinião dos outros nem conselhos, mas também significa que se as coisas derem errado, precisamos admitir a culpa sem medo, mas sem achar que precisamos dar explicações para os outros sobre os nossos fracassos – não temos.

No próximo artigo, discutimos sobre como escolher uma meta ou ideia.

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