Como comprar casa nos EUA

Diego Meille

Comprar Imóvel nos EUA

Comprar uma casa nos EUA é um sonho de muitos Brasileiros. Nesse artigo, vamos explicar que esse sonho é plenamente possível de ser realizado, mas também como fazer.

Muitos estrangeiros adquirirem imóvel nos EUA, a maioria para passar as férias. É muito mais fácil (burocraticamente) comprar uma casa ou apartamento nos EUA do que um estrangeiro comprar imóvel no Brasil! Isso se deve ao fato de que não é comum a venda de imóvel para não residentes no Brasil, geralmente apenas milionários se interessam por comprar imóveis de veraneio no país. Nos EUA, contudo, isso é muito mais comum e assim sendo, os bancos e corretores de imóveis estão acostumados a lidar com clientes interessados em “real estate”, como eles chamam imóveis, na terra do Tio Sam.

Não é preciso ser milionário, mas para começo de conversa é preciso ter pelo menos visto de entrada nos EUA, afinal de contas, você vai querer visitar seu imóvel, não vai?! Para algumas pessoas, é desnecessário fazermos essa observação, mas ficamos boquiabertos com a quantidade de pessoas que não sabe que para entrar nos EUA é preciso visto e para ficar mais de 6 meses no país, é preciso visto especial ou residência (green card), então para esses desavisados, nós avisamos!

Os Americanos compram imóveis facilmente, até mesmo sem entrada, com os diversos estímulos dos bancos e governo para que todo mundo tenha casa própria – quase ninguém vive de aluguel por lá, em sua maioria, apenas pessoas jovens que ainda não se assentaram na vida. Famílias quase sempre têm sua casa própria. Em cidades como Nova Iorque, em que o preço dos imóveis é absurdamente alto, é mais comum encontrarmos famílias que vivem em imóveis alugados, mas em cidades menores, praticamente toda a população é dona de seus respectivos imóveis.

Para estrangeiros, contudo, essas facilidades que o governo dá não estão disponíveis, a não ser que o estrangeiro tenha Green Card, seja cidadão Americano e dessa forma tenha construído seu crédito. É a mesma coisa que temos no Brasil. Se você vai financiar qualquer coisa, a instituição que está vendendo ou intermediando a venda verifica seu crédito, checa se seu nome não está no Serasa e assim por diante. Sem ter como mostrar que você é bom pagador para um banco Norte Americano, eles não irão conceder crédito para você.

Como você é Brasileiro, entretanto, você fará esse financiamento com um banco Brasileiro, pois este tem como verificar seu crédito no Brasil e aí sim, conceder um empréstimo em seu nome. Empresas Brasileiras também podem comprar imóveis nos EUA da mesma forma. É o banco Brasileiro quem intermediará a transação.

Se você quer comprar um imóvel para investimento e nunca pretende visitá-lo, você nem sequer precisa de visto de entrada – se você estiver ok com a compra sem ver o imóvel antes. Muitos investidores estrangeiros fazem assim mesmo. Tudo ocorre por intermédio de uma empresa corretora. Contudo, nós não indicamos essas transações no escuro, por mais comuns que elas sejam.

Se sua ideia é comprar um imóvel de veraneio (ou “inverneio”), entretanto, você precisará ir para o local e conversar com um corretor pessoalmente, vendo os imóveis com os próprios olhos. Em cidades como Orlando e Miami há tantos Brasileiros que você encontra corretores que falam Português (até mesmo muitos Brasileiros).

O ideal é viajar algumas vezes para ver os locais em que você pensa em investir. Como em todas as cidades, há vizinhanças boas e más, você precisa ver com seus próprios olhos e não acreditar em tudo o que um corretor fala para você – da mesma forma como você exerce cautela ao comprar um imóvel no Brasil.

É importante também considerar os fatores naturais ao escolher cidades nos EUA. Esse país é altamente atingido por desastres naturais, com ênfase para o sul e sudeste do país, onde fica Orlando e Miami – as cidades preferidas dos Brasileiros. Furacões são BEM comuns na Flórida e eles destroem casas! É algo para pensar antes de gastar seu suado dinheirinho num imóvel que pode ser destruído pela força da natureza. Sim, o seguro paga, mas o trauma emocional de ter algo seu destruído pela natureza não tem preço.

A California, nesse sentido, é mais segura do que a Flórida e para alguns, um lugar melhor para veraneio pois não é tão úmido. Algumas pessoas não suportam a umidade na Flórida e adoram o verão “seco” da Califórnia. Na California, contudo, ao invés de furacões, temos terremotos, mas esses são bem menos comuns do que furacões na Flórida que todo ano fazem estrago.

Quanto à segurança contra desastres naturais, a melhor área é o nordeste Norte Americano, onde ficam estados como Massachusetts, Nova Iorque, Michigan, Ohio, Pennsylvania, Connecticut, entre outros. Essas áreas sofrem no inverno com tempestades de neve e ocasionalmente algo mais intenso como o Furacão Sandy que atingiu Nova Iorque em 2012, mas esses eventos são raros em comparação com o sul e tempestades de neve não são tão ruins assim!

O noroeste dos EUA, onde ficam os estados de Washington, Idaho, Montana e Oregon também é muito segura e tem apenas o “risco” de terremoto, mas nunca vimos um terremoto destrutivo por aqui desde que a civilização se instalou por esses lados. Os estados na costa, Washington e Oregon, não sofrem muito com o inverno, este sendo parecido com o inverno no sul do Brasil com ocasionais tempestades de neve que são mais bonitas do que incômodas. O verão é o melhor dos EUA, com temperaturas agradáveis, umidade perfeita e céu azul.

O centro dos EUA é um lixo! Todo o centro do país tem tornados no outono e primavera, mas o “lixo” fica por conta das pessoas mesmo! As costas do país (costa leste de um lado e costa oeste do outro) são conhecidas por terem uma mentalidade bem aberta, as pessoas são simpáticas, educadas e curiosas com relação a estrangeiros. No centro do país é onde ficam os “caipiras”! Gente sem educação (literalmente), xenofóbica (não gostam de estrangeiros), preconceituosas e antipáticas para com visitantes. Além do mais, o centro costuma ter o pior clima do país (extremamente frio no inverno e uma caldeira no verão), com tornados nas demais estações do ano. Em resumo: não vale a pena investir em imóveis nos estados do centro do país (o que é que você vai fazer lá?!).

Se você não conhece os EUA, ou apenas veio visitar algumas vezes e não teve oportunidade de conhecer ambas as costas completamente, indicamos uma viagem investigativa antes de você se comprometer com um imóvel. Muitos Brasileiros se prendem na Flórida porque nunca foram para nenhum outro lugar – a hora que você sair da Flórida, você verá que os EUA têm muito mais a oferecer!

A Flórida, na verdade, é como uma extensão do Brasil nos EUA. Se você quer ir para os EUA e não ter de fato uma experiência Norte Americana, fique na Flórida! Mas se você quer ter a oportunidade de conviver entre Americanos de fato, fuja de lá.

Agora, voltando para os detalhes de como comprar um imóvel nos Estados Unidos!

Tendo escolhido o seu local preferido, o ideal é manter contato com um corretor de imóveis por lá. Essa não é uma tarefa muito fácil, pois ao contrário do Brasil, corretores de imóveis nos EUA “não falam” com quem ainda não foi previamente aprovado por um banco local, ou seja, corretores só falam com possíveis clientes que possuem um documento do seu próprio banco atestando que aquele cliente pode comprar um imóvel com valor X. Isso é uma chatisse, já que muita gente gosta de simplesmente ir dar uma olhada nos imóveis disponíveis, sem pressão, só para ver o que está disponível. Nos EUA, não dá pra fazer isso! Algumas casas abrem “open house”, ou seja, ficam abertas para que qualquer um que passe na rua possa entrar e ver a casa. Fora essas oportunidades, corretores em si, pedem a aprovação do banco antes mesmo de apertar sua mão!

Se você pretende então fazer uma viagem investigativa, faça-a em duas partes. Se você ainda não está certo com relação à cidade, viaje primeiro e vá passear. Alugue um carro em cada cidade, veja como funciona a vida em cada local. Uma vez que você tenha uma boa ideia onde deseja comprar seu imóvel, volte para o Brasil e fale com seu banco.

O HSBC é conhecido por financiar casas nos EUA para Brasileiros, mas pesquise outros bancos se for do seu interesse. A grande maioria dos bancos pede de 30 a 40% do valor do imóvel à vista e o resto pode ser financiado. O tipo de financiamento vai depender do banco e da relação que você tem com ele. Mesmo se você tem o valor à vista, pode ser difícil você conseguir contato direto com um corretor Norte Americano, pois eles vão querer o tal documento do banco – um banco de lá, de qualquer forma, atestando que você tem dinheiro.

Em estados onde tem muito Brasileiro como na Flórida, isso não se aplica, já que os corretores estão “acostumados” com o jeito Brasileiro de fazer negócios, mas no resto dos estados, é assim mesmo. Se você tem o valor à vista, você não precisa do banco Brasileiro como intermediário, mas continua precisando de um documento do banco atestando que você tem o valor do imóvel em sua conta, senão os corretores não vão nem olhar na sua cara!

Ao conversar com o banco, contudo, o próprio banco poderá indicar um corretor nos EUA (ou um corretor no Brasil que comercializa imóveis nos EUA). Tudo começa, entretanto, com a conversa com o banco. Se você não tem certeza se seria aprovado para uma compra como essa ou se você não tem 30 a 40% do valor de um imóvel em dólares, você precisa conversar com o banco primeiro para ter uma ideia do que você pode fazer.

Valores de imóveis, evidentemente, variam consideravelmente, dependendo do local e do tipo de imóvel. Você pode encontrar uma espelunca caindo aos pedaços por 50 mil dólares e você pode encontrar um apartamento em NY por 10 milhões de dólares. Então, se você quer ter uma ideia de preço, dê uma pesquisada no Google. Lembre-se que imóveis em inglês é “real estate”, ou você pode procurar por termos como “orlando apartments” ou “houses in boston”. Não esqueça de configurar seu Google para lhe mostrar resultados em inglês, nos EUA – o Google às vezes adota uma configuração local, dependendo de como você o usa.

Cada estado e cidade tem seus próprios impostos e requerimentos, então esse é o tipo de questão que não vamos abordar nesse artigo. Você pode descobrir mais detalhes relacionados ao local exato onde você deseja comprar seu imóvel procurando no Google (em inglês) sobre impostos e taxas na região específica onde você quer o imóvel. Lembrando que nos EUA, é obrigatório pagar seguro da casa.

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5 comentários em “Como comprar casa nos EUA”

  1. Gostaria de saber se, como brasileiro, o Banco do Brasil, o qual sou correntista, pode dar as garantias que as corretoras americanas exigem para financiar uma casa em Connecticut.

    Responder
    • Olá Julio,

      Eu não sei sobre o BB… Você teria que verificar com o próprio banco. Sei apenas sobre o HSBC que é onde tenho conta e sei que eles financiam diretamente casas no exterior (não só nos EUA), mas exigem uma entrada que varia entre 30 e 40% do valor do imóvel.

      Abraços,

      Diego

      Responder
  2. Mais uma vez, excelente post! Amando o seu blog.

    Há dois anos, sempre que necessita ir aos EUA, meu esposo reserva um tempo e faz essa “viagem investigativa”. No primeiro ano circulou pela Califórnia, até mesmo pela facilidade de termos parentes residindo na região. Na segunda vez, pela Costa Leste, por onde se encantou… e não foi pela Flórida. Ele é absolutamente apaixonado pela Carolina do Norte, porém, decidiu abrir sua empresa no estado da Virgínia, local para onde possivelmente nos mudaremos. Que assim seja!

    Inté. Continuarei passeando e me deliciando pelo restante do blog.
    Abraços.

    Responder
    • Virgínia é um estado excelente com uma alta qualidade de vida, vocês vão adorar! Eu, particularmente, não moraria na Califórnia com o fantasma do “grande terremoto” pairando sobre a minha cabeça!

      Abraços,

      Diego

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