‘Se isso, então aquilo’ – Como aniquilar com os “e se’s” em sua vida

Franciane Ulaf

Se isso então aquilo

Um dos maiores obstáculos que as pessoas encontram para tomarem atitudes e seguirem em frente com ideias, sonhos e desafios é o fantasma dos “e se’s”. E se isso acontecer? E se não der certo? E se isso, e se aquilo… O grande problema é que as pessoas usam esses “e se’s” não como questionamentos, mas como justificativas. Ao lançar um “e se?” a pessoa não está realmente querendo saber a resposta, ela está justificando porque não vai seguir em frente. O propósito do “e se” é explicar ao interlocutor que existe um (ou mais) obstáculo para concretizar aquela ideia e adquirir sua simpatia, estimulando-o a concordar que “realmente, “se isso pode acontecer”, você não deve (ou não pode) seguir em frente.

Tal postura evidentemente desafia a lógica e não é típica de uma pessoa inteligente e corajosa, mas acaba se tornando um hábito adquirido socialmente, pois aprendemos muito com quem convivemos. Cabe a quem tem proatividade e quer assumir as rédeas da própria vida, refletir sobre esse tipo de atitude e compreender a armadilha que ela representa.

Vejamos um exemplo clássico: a pessoa que “odeia” seu emprego, mas não pede demissão, nem procura desenvolver uma atividade rentável paralela que poderia lhe sustentar em um período entre empregos. Em uma conversa em que ela revela tal aversão à sua atividade, chefe, colegas ou local de trabalho, o interlocutor lhe questiona:

– Mas por que então você não pede demissão?

E ele recebe a resposta “pronta”:

– Eu não posso né! E se eu não conseguir achar outro emprego rápido, como é que eu pago as minhas contas?

É uma pergunta afirmativa. Ela não está querendo saber a resposta do interlocutor, ela está simplesmente informando que não pode pedir demissão, porque ela corre o risco de ficar desempregada por muito tempo e não ter como pagar as contas, ponto final. Não há qualquer questionamento ou elaboração posterior.

O hábito do raciocínio fechado, ou seja, as conclusões como verdades absolutas e circulares (círculo vicioso) impede com que a pessoa se permita espaço para pensar com clareza e abertura. “E se” ela se desse permissão para responder a tal pergunta com dezenas de alternativas possíveis?

E se eu ficar desempregada por muito tempo, como é que eu pago as minhas contas?

– Eu poderia criar um negócio online e trabalhar em casa pela internet;

– Eu poderia comprar produtos para revender;

– Eu poderia fazer artesanatos para revender;

– Eu poderia prestar serviços de algo que eu sei fazer, mas poucas pessoas sabem;

– Eu poderia dar aulas particulares de algo que eu sei e que é valorizado;

– Eu poderia montar meu próprio negócio e nunca mais depender de um emprego;

– Eu poderia vender coisas valiosas que eu tenho.

Essa lista pode ir longe e cada caso é um caso, é claro! Cada pessoa geraria uma lista de opções que particularmente se adaptam à sua vida. O propósito é responder ao “e se” e não usá-lo como justificativa fechada.

É importante abrir a mente e aceitar a ideia de que sempre há uma solução. Às vezes a solução é difícil, trabalhosa, árdua ou indesejável, mas ela existe e na maioria das vezes não é só uma.

Na semana passada, nós conversamos sobre a importância de termos multiplos planos alternativos caso nosso planejamento inicial não dê certo. Isso reduz drasticamente a ansiedade, ao retirar aquela ideia de que se não der certo “ai meu Deus, o mundo vai cair na minha cabeça!”. Enxergar e compreender outras opções nos dá flexibilidade e coragem. Deixamos de fazer drama com os “e se’s” e passamos a agir sem medo, pois se aquilo não der certo, nós já sabemos de antemão o que fazer.

Nunca exija certeza absoluta

Certeza absoluta que uma coisa vai dar certo nós nunca podemos ter. Qualquer um de nós pode cair morto amanhã mesmo, então não temos como ter certeza nem mesmo da nossa própria existência. Até um certo ponto, precisamos acomodar a incerteza que nos cerca dentro de nossos planos sem nos sentirmos ansiosos ou inseguros. Podemos ter múltiplas alternativas previamente concebidas, pensadas e planejadas e nossos planos mesmo assim não darem certo. Precisamos nos sentir em paz com essa possibilidade.

Pense nas pessoas altamente autoconfiantes que você conhece. Elas têm uma coisa em comum: elas não se importam tanto. Elas se importam com as coisas dentro de um parâmetro saudável de apego, mas elas não se estressam nem ficam ansiosas com a possibilidade daquilo não dar certo ou de perderem o que já conquistaram. Essa postura de desapego é que lhes confere tamanha autoconfiança. Quanto mais apegado você é a uma ideia, sonho ou pessoa, mais medo você tem de perder aquilo (ou que algo no futuro não aconteça exatamente da forma como você imagina). Esse medo o torna inseguro. O segredo é abrir a mente e compreender que você ficará bem mesmo sem todas essas coisas que você tanto valoriza. É assim que pessoas autoconfiantes operam. Elas não se apegam porque elas sabem que a vida vai continuar, que elas continuaram sendo felizes e que por mais que elas encontrem altos e baixos, elas vão dar um jeito de fazer acontecer, custe o que custar.

Um bom exercício para desenvolver essa abertura de mente é justamente brincar com os “e se’s”, dando várias respostas, mesmo que algumas alternativas sejam inviáveis ou você não esteja disposto a encará-las. É uma prática de lateralidade de pensamento, ou seja, a capacidade de conceber possibilidades além do óbvio.

Faça uma lista de todos os obstáculo que você acredita ter para realizar seus objetivos. Agora, pegue cada um deles e expanda-os usando a técnica: “se isso, então aquilo”: se isso acontecer, faça aquilo, se aquilo acontecer, faça isso, e assim por diante. Esse exercício é poderosíssimo para aumentar seu senso de engenhosidade, que é a sua capacidade de utilizar recursos para atingir determinados fins. Pense no Macgyver usando as coisas mais inusitadas para sair de qualquer enrascada. Seja o Macgyver da sua própria vida! Quando você percebe que você tem soluções para todas as intempéries da vida ou todos os desafios que você poderia encontrar ao seguir em frente com suas ideias e metas, você se sente muito mais autoconfiante. Seus “e se’s” deixam de ser desculpas fechadas para se tornarem estudos em possibilidades.

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