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Uma das pedras fundamentais na construção de uma vida Carpe Diem é o controle da atenção. Vejo, porém, que muita gente não compreende de fato o que é “viver o momento”. Esse termo, em nossa sociedade, adquiriu uma conotação relacionada à diversão, emoção, a “curtir a vida”. Viver o momento, no entanto, é muito mais do que viver momentos de alegria e diversão, é “estar presente” de corpo e alma em TODOS os momentos da vida, não só aqueles de que gostamos e curtimos.

A maioria das pessoas literalmente deixa a vida passar por elas. Prova disso é o comum comentário: “Nossa, como o tempo passou e eu nem vi…”. Essa postura denota falta de atenção crítica. Atenção não é uma ferramenta mental necessária apenas para atividades difíceis, atenção é o que garante que a vida não passará por nós despercebida!

O que acontece que deixamos o tempo passar dessa forma, só para nos surpreendermos depois com nossas exclamações de como o tempo passa rápido?

A mente da maioria das pessoas é baseada nos princípios de busca de prazer e repúdio da dor. O que isso significa? Isso significa que todo o momento que não é extremamente prazeroso é evitado mesmo que apenas mentalmente. Por exemplo: você está no trabalho fazendo uma atividade repetitiva e chata, o que representa “dor” para o seu cérebro. Não dor real, mas desconforto, chateação. O que sua mente faz, então? Foge buscando prazer ou algum tipo de compensação pelo desconforto que está sendo vivenciado. Daí ocorrem os devaneios, as fantasias, as conversas mentais intermináveis, tudo para evitar vivenciar o momento.

Esse processo de fuga mental se torna um hábito tão ferrenho que mesmo quando você deseja se concentrar realmente, sua mente luta contra seu esforço, pois está acostumada a receber prazer quando a atividade em si não o oferece. Desse mecanismo nasce a dificuldade de se concentrar mesmo quando você quer e se esforça.

E quando os devaneios não são prazerosos, mas envolvem culpa, raiva ou medo?

Na maioria dos casos, é o cérebro tentando encontrar uma saída para voltar à situação de prazer quando uma ameaça se faz presente. Medo, por exemplo, é o repúdio máximo da dor, seja física ou emocional. Você tem medo, pois, por antecipação, não deseja experimentar a dor que imagina ter que enfrentar SE algo ocorrer no futuro. O cérebro, então, se engaja em ruminar possibilidades, cenários e alternativas para o caso de o evento temido ocorrer realmente.

Raiva é um mecanismo de proteção do ego que está ligado ao distúrbio de uma condição de prazer. Raiva geralmente é sentida quando algo que você não gosta ou não aprova ocorre. Boa parte das situações em que essa emoção é desencadeada envolve conflitos de interesse e o interesse das pessoas está ligado àquilo que proporciona maior prazer – seja conforto, tranqüilidade, vantagens, etc.

Culpa é um mecanismo de autopunição em que você se obriga a experimentar dor mental (ou mesmo física) por ter feito algo que acredita que não deveria.

Em todos os casos, sua vida é controlada pelo ego, que busca prazer constante e evita a dor a todo custo ou a usa para se autopunir quando a realidade não condiz com seus valores e crenças.

Viver a vida de acordo com a filosofia Carpe Diem de uma forma pura seria praticamente impossível para a maioria de nós, pois significaria controle absoluto do ego e de sua tendência a buscar prazer a todo custo.

Em primeiro lugar, significaria abdicar da vontade e do impulso de ser feliz, pois esse é o aspecto mais egoísta da condição humana – a felicidade é a crença de que é possível não mais vivenciar dor e ter prazer o tempo todo, o que é, se você pensar bem, uma idéia tola, imatura e até mesmo ridícula! Só nesse aspecto, a maioria das pessoas já “reprovaria” no teste da vida Carpe Diem, a começar pela própria sociedade que acredita que a busca da felicidade seja o objetivo da própria vida.

Num segundo momento, teríamos que lidar com a nossa tendência de escapar mentalmente de todas as situações que não nos são agradáveis e estar dispostos a viver de fato a vida de corpo e alma, mesmo nas situações difíceis, dolorosas e desconfortáveis. Novamente aqui, boa parte das pessoas simplesmente não está disposta a enfrentar os desconfortos da vida quando é tão fácil simplesmente se desengajar mentalmente e ficar pensando em outras coisas sempre que a vida não lhes agradar.

Crianças pequenas, geralmente até os sete ou oito anos, não “sofrem” desse problema com o tempo. Lembro de acreditar, quando era pequena, que minhas férias de final de ano pareciam intermináveis. Ao crescer um pouco, me recordo da sensação de confusão quando a sensação mudou para “mas as férias já acabaram?!”. Crianças pequenas vivem cada momento de corpo e alma, os momentos bons, os ruins e os chatos. Depois vamos aprendendo que é fácil escapar dos “ruins” e dos “chatos” pensando em qualquer outra coisa, ao invés de estar totalmente engajados na situação. Crescemos refinando o truque mental até nos darmos conta de que perdemos boa parte da vida ao não prestarmos atenção nela.

Se você quer mesmo viver Carpe Diem, comece por mudar sua postura mental – deixe de tentar ser feliz, deixe de procurar prazer físico e mental e procure viver a vida como ela é, mesmo quando ela for chata, desinteressante e desconfortável.

Aprenda como encontrar sua missão / propósito de vida – Viva com sentido!

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