Como desafiar autoridade com assertividade?

Franciane Ulaf

Como desafiar autoridade com assertividade

Temos conversado bastante por aqui sobre como ser capaz de descobrir as “respostas certas” para atingir os resultados que desejamos na vida. As respostas certas dependem fortemente das perguntas certas e para isso, um grau de independência mental precisa ser desenvolvido para que possamos pensar sem a influência de outras pessoas. Para isso, muitas vezes, precisamos desafiar figuras de autoridade, pessoas que se impõem e tentam nos fazer acreditar em suas verdades.

Pessoas que começam esse processo geralmente sentem a necessidade de pedir demissão de seus empregos (ou acabam demitidas!) e começar a trabalhar por conta.

Isso pode parecer assustador à primeira vista, porém, quando você começa a pensar de forma crítica, os joguinhos de poder e a autoridade, tão comuns nas organizações, começam a se tornar insuportáveis e você começa a sentir uma ânsia incontrolável por liberdade.

Em certos casos, a maior figura de autoridade em nossas vidas não está em um emprego em que podemos dar um pontapé da noite pro dia. Quando a figura de autoridade e controle está dentro do seu lar ou em seu círculo íntimo familiar, o esforço precisará ser mais enfático. Lutar com agressividade é tolo. É preciso se estabelecer como “fora do círculo de controle” dessa pessoa para que a autoridade dela não mais o afete. Isso exige firmeza de caráter, assertividade e disponibilidade de não se vender por chantagem emocional. Quando a figura de autoridade está dentro da nossa família – seja um de nossos pais, um cônjuge, um irmão -, esteja certo de que a chantagem emocional será uma forte arma a ser usada. Pessoas autoritárias precisam controlar os outros para se sentirem confortáveis e não permitem que seus controlados se tornem independentes.

Você pode estar se perguntando: “Mas por que isso é necessário? Por que é preciso ir tão longe, desafiando autoridade, arriscando até mesmo perder meu emprego?”.

Meus ensinamentos têm como base a conquista de uma maior independência pessoal para que a vida possa ser vivida com sentido e não por mera obrigação. Chamo essa “filosofia de vida” de Carpe Diem. Carpe Diem é a síntese da liberdade e do aproveitamento do tempo. Mas se você está preso a um emprego ou a uma figura de autoridade que dita o que você deve fazer e como você deve viver, onde está sua liberdade?! A meu ver, aprender a ser emocionalmente livre, sabendo como não se vender para figuras de autoridade, é um dos primeiros passos para ser completamente livre. Por que as pessoas “se vendem” para figuras de autoridade? Porque, em troca, elas recebem amor, atenção, elogios, promoções, aumentos, bônus, enfim, como o bom aluno na escola, há certas vantagens em corroborar com a autoridade vigente, porém nada se compara à vantagem de ser livre e poder fazer o que se bem entende sem pedir autorização ou esperar aprovação de ninguém!

Desafiar autoridade é uma postura íntima. Não é preciso fazer como o adolescente revoltado que briga e esperneia. Basta manter-se fiel a você mesmo, mostrando ao outro que você não está interessado no que ele tem a lhe oferecer ou que você o apreciará se ele se mostrar digno de seu apreço e não porque ele é mais forte que você. Isso se chama assertividade.

Em relações familiares, essa última postura é que garante sua liberdade e ela é plenamente possível quando você mostra ao outro que seu caráter é inabalável, que você não cai em chantagens emocionais baratas, estando disposto a pagar o preço da dissolução da relação caso o outro não aceite sua liberdade.

Veja que a figura de autoridade emocional geralmente é uma pessoa insegura que precisa impor seu poder sobre os outros para se sentir bem. Quando ela está no controle, ela se sente poderosa e confiante, no entanto, ela não é nem autoconfiante, nem poderosa e quando você se dá conta desse segredinho dela, você a tem em suas mãos. Pessoas controladoras temem aqueles que não podem ser controlados. Não é necessário se rebelar, basta mostrar que você não é controlável.

Muitas vezes, as pessoas são incapazes de enxergar a realidade, pois certas figuras de autoridade em suas vidas colocaram suposições em suas cabeças e elas acreditam passivamente nessas falsas verdades, sendo incapazes de questionar e seguir adiante. Isso é muito frequente quando se cresce acreditando no que os pais contam como verdade absoluta, ou na confiança cega em autoridades religiosas.

O sucesso em seus objetivos pode exigir que você revise alguns conceitos que tem sobre “como as coisas funcionam”, pois uma das razões para o fracasso é justamente acreditar nas ideias erradas sobre como conquistar o que se deseja.

Esse é o primeiro passo para enxergar a realidade, pois não estando mais preso a uma figura de autoridade, você se sente mais livre para pensar o que quiser e procurar as respostas para as perguntas mais pertinentes sem ter que aceitar a opinião de ninguém.

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3 comentários em “Como desafiar autoridade com assertividade?”

  1. Muito interessante como sem percebermos, nos deixamos levar por pessoas que nos sugam e ao mesmo tempo se fazem de coitadas. Mas quando nos rebelamos, agridem e se fazem de injustiçadas e mal compreendidas.
    Este artigo me traz a consciência de como me portar melhor com estes”mandões” que desejam sempre nos guiar.Perdi muito de minha vida vivendo a vida dos outros.

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  2. Noto que esse tipo de pessoa, tenta controlar tudo e todos. Principalmente pelo dinheiro. “comprando” as pessoas. Não deixo pessoas assim fazer parte da minha vida.
    Liberdade é muito apreciada quando vivida plenamente.

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  3. Muito interessante este artigo. Tenho uma irmã que é psicóloga e que descobriu como os nossos pais manipulavam os filhos a ponto de terem “colocado os irmãos uns contra os outros”, segundo ela mesma me disse e por isso mesmo, está entre aspas.

    E, ela rompeu com eles. Não atendia telefone, não os visitava e não permitia visita deles.

    Contudo, meu pai fez uma “jogada estratégica”: vendeu um imóvel que tinha, e fez uma doação de herança para os filhos. E agora ela voltou a ser amiga deles. Disse que “perdoou”, mas eu particularmente penso que a questão de perdoar não significa voltar a ser conivente com os erros de outrem.

    Eles deram a herança, mas exigiram que os filhos investissem o dinheiro naquilo que eles quisessem. E acabaram decidindo por ela naquilo que ELES ACHAVAM MELHOR o investimento do dinheiro, embora fosse herança.

    Comigo eles pressionaram, mas eu resisti, e aí eles ficaram com raiva. Ficaram com raiva, mas por outro lado se sentiram mais fortes, porque agora, tinham uma nova “aliada”.

    Que coisa não? Como o dinheiro muda as pessoas ao ponto até de fazê-las “perdoar”…

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