97% das pessoas não atingem suas metas. Como os outros 3% conseguem?

Franciane Ulaf

Como os 3% conseguem atingir metas?

Já falamos bastante aqui neste site sobre os motivos que levam as pessoas a não conseguirem atingir suas metas, e da mesma forma, já discutimos extensivamente sobre as técnicas e “segredos” das pessoas que conseguem manter a produtividade alta. Hoje vamos nos focar em um aspecto que costuma ser quase que intuitivo em pessoas que regularmente atingem suas metas: a objetividade.

Isso não é um segredo mais do que é uma postura íntima, uma forma de raciocinar. Se eu pedir para 50 pessoas definirem metas em uma sala de aula, vou identificar vários grupos. Cada grupo tem um estilo de definição de metas diferente, geralmente intuitivo, ou seja, esse estilo é natural, não algo que foi aprendido em algum lugar. A questão é que um exercício tão simples quanto este pode me dizer quem desses 50 vai conseguir atingir as metas propostas e quem não vai!

Veja que por mais que esse estilo de definição de metas usado por pessoas que tem maior potencial para atingi-las seja completa ou parcialmente intuitivo, ele pode ser aprendido, principalmente quando nos damos conta de que nossos próprios métodos são ineficazes. Esse é um problema muito comum. Frequentemente não sabemos que a forma como fazemos as coisas é ineficaz, essa informação está em nosso ponto cego. Quando descobrimos como outras pessoas fazem as coisas, temos a oportunidade de refletir sobre nossas próprias atitudes e hábitos e mudar. O que quero dizer é que devemos evitar ler artigos como este como uma mera apresentação de um tipo de comportamento que não temos e não podemos desenvolver no melhor estilo “Eu não nasci assim. Se essas pessoas nasceram sabendo como definir metas, que bom pra elas”.

Se você já estudou definição de metas, você já deve ter visto que metas genéricas raramente são atingidas. Metas genéricas são coisas como “parar de fumar”, “perder peso”, “começar um novo negócio”, “comer de forma saudável”, “comer menos açúcar”, e por aí vai. Por outro lado, você também já deve ter visto as sugestões de solução como o método SMART, que detalham a meta exaustivamente. Contudo, não é necessário ter um método consciente para atingir metas e é isso o que observo em pessoas que conseguem consistentemente completar seus projetos.

Perder peso, por exemplo, é mais um objetivo do que uma meta. É algo amplo, o “final da estrada”. Simplesmente dizer que quer perder peso não significa nada e não lhe dá qualquer ação que possa ser facilmente implementada. O raciocínio correto é: ok, se eu quero perder peso, o que eu tenho que fazer esse mês, mês que vem, e assim por diante, para no final de tantos meses eu possa chegar ao meu objetivo de pesar X? Esse objetivo seria então quebrado em diversas metas pequenas que “cabem” dentro de um período planejável. Uma meta pode ser “correr 5Km segunda, quarta, e sexta, das 7 às 7:45 da manhã”. Não é preciso quebrar a cabeça para fazer essa meta caber dentro do método SMART, por exemplo. Ela já é autoexplanatória, mensurável, simples, verificável, objetiva, coerente, e relevante. Se, pelo contrário, o grande objetivo de perder peso for quebrado em metas menores como perder 3Kg por mês, isso ainda causa confusão. Definir “vou comer menos açúcar e carboidratos” também é vago, mesmo que você saiba exatamente o que isso significa na prática (evitar doces e massas). Nesse caso, montar um cardápio e segui-lo à risca é uma postura muito mais prática e real do que simplesmente manter em mente que você deve evitar comer certas coisas.

Pessoas altamente bem sucedidas costumam ser muito simples e diretas quando definem metas. Elas sabem qual o objetivo maior que está por trás daquilo, e criam metas que podem ser aplicadas e verificadas no dia-a-dia. Principalmente, elas se focam em definir ações, ou seja, “correr 5km segunda, quarta, e sexta das 7 às 7:45”, ao invés de “perder 3Kg por mês”. E veja que não é “correr 3 vezes por semana”! É correr 5km, segunda, quarta, e sexta, das 7 às 7:45 da manhã. Isso faz toda a diferença!

A diferença é clara: você sabe muito bem quando fez o que deveria fazer e quando não fez. Se hoje é sexta, 10 horas da manhã e você não foi correr das 7 às 7:45 você não está progredindo com sua meta, ponto final. Agora, como você sabe ao longo do mês que está progredindo com uma meta como “perder 3Kg por mês?” Você não sabe! Você faz coisas aleatórias durante o mês como evitar um pedaço de bolo ou comer salada no almoço e reza para que a balança no final do mês registre 3Kg a menos. Esse é um erro que muita gente comete, até mesmo aplicando o método SMART. Perder 3Kg por mês tem “cara” de meta específica, verificável, mensurável, mas no final das contas, acaba sendo tão vago quanto um mero “quero perder peso”.

Da mesma forma, objetivos e metas super grandiosos, improváveis, e difíceis acabam não sendo concretizados simplesmente porque não cabem em nossa vida. Definir que você vai correr 5Km segunda, quarta, e sexta, das 7 às 7:45 é inútil se você não corre e não tem preparo físico. Você não vai conseguir fazer 1Km sequer no primeiro dia. A postura “a partir de agora tudo vai ser diferente”, “vou ser uma nova pessoa”, “vou fazer coisas que nunca fiz antes” é ingênua e enganosa. Muitas pessoas pensam em metas como coisas muito grandes, sonhos, contos de fadas, coisas que elas gostariam de ser, ter, ou fazer, mas que sua realidade não permite. Faz parte do perfil de pessoas produtivas e bem sucedidas manter o pé no chão. Meta é aquilo que eu posso fazer agora, não um sonho de mudança de comportamento que não cabe em minha vida. Essa é a postura ideal.

Uma das melhores e mais fáceis técnicas para crescer e gerar resultados é a cascata das realizações. Quebre seus sonhos e desejos para o futuro em objetivos e metas. Melhor ainda, adicione mais uma cascata chamada “visões” nessa estrutura. Visões são coisas bem distantes, sonhos, intenções, preferências. Jogue nesse local tudo o que é indefinido, incerto, improvável no momento. Isso evita que você “polua” as partes mais importantes dessa estrutura com sonhos bobinhos e coisas com pouca chance de realização ou muito distantes no tempo. Na cascata dos objetivos defina, mesmo que de forma genérica, o que você está tentando alcançar. Com base nessas duas cascatas, você tem o que precisa para definir suas metas – ações práticas e verificáveis que você pode fazer AGORA que o levarão à conquista do objetivo. Você pode organizar essa cascata ainda de forma mais granulada. Em meu livro Planejamento Estratégico Pessoal eu mantenho as metas ainda de certa forma genéricas e adiciono mais um item na cascata chamado planejamento estratégico (que ainda se quebra em planejamento tático e operacional). Mas isso é opcional e é para pessoas que gostam de se organizar e planejar as coisas nos mínimos detalhes. O importante é que você defina exatamente o que deve fazer e quando. Só assim poderá verificar com confiabilidade que está realmente fazendo o que deveria fazer para atingir o que deseja. Ao simplesmente manter suas metas como ações, separando-as dos objetivos que são as intenções, você acaba tendo muito mais respaldo para agir no dia-a-dia, sabendo exatamente que o que você está fazendo em cada momento está ligado aos seus objetivos.

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5 comentários em “97% das pessoas não atingem suas metas. Como os outros 3% conseguem?”

  1. É bem isso mesmo… Várias vezes achei que estava definindo metas dizendo coisas como “vou fazer caminhada 3 vezes por semana” ou “vou comer menos doce”. Só que no final das contas eu não fazia nada e ficava com dor na consciência, tipo “hoje já é quinta feira e eu ainda não fiz nenhuma caminhada. E sabe por que eu não fiz? Porque não agendei a bendita! Já faz um tempo que eu venho notando conscientemente que eu só faço o que coloco na agenda. Se não tem horário pra acontecer, não acontece. Sempre vai ficando pra depois até que o tempo passa e o negócio não aconteceu. Também não adianta agendar sem determinar exatamente O QUE você vai fazer. O que você explicou é batata! Eu preciso colocar “vou andar 1 hora nos dias tais e tais” e colocar na agenda. Porque só colocar que você vai andar ou correr nos dias tais não adianta. Se você correr só 500m será que vale? Você tem que ter metas muito bem delineadas, pois só assim tem como saber se fez mesmo ou se só se autoenganou. Obrigado pelo artigo! Sensacional!

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  2. Metas é uma palavra aparentemente fácil de ser compreendida mas complexa na sua aplicabilidade. Gostei e em muitos pontos concordo com a escritora. Numa avaliação de 0-10 este artigo ajudou me a 9

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  3. Exato! E isso é uma coisa que bate de frente com a personalidade de muita gente, por isso as pessoas não fazem. Explico… A agenda é como se fosse um chefe! Se você colocou na agenda tem que fazer, se não fizer, vai passar atestado de preguiçoso, indisciplinado, etc., pra você mesmo, mas mesmo assim, você fica com dor na consciência se não fizer o que está na agenda. É uma sensação de fracasso ver as coisas anotadas ao longo dos dias, semanas, e se dar conta de que pouco foi feito. As pessoas odeiam chefe dizendo o que elas devem fazer e passam essa percepção para a agenda. Elas não colocam na agenda que vão correr 5km 2, 4 e 6 das 7 as 7:45 por que elas pensam. Ah, mas se na 2 eu estiver cansado do final de semana? E se não estiver com vontade? Vamos deixar em aberto então e vamos ver o que acontece durante a semana. Se sobrar tempo eu vou correr. Só que nunca sobra tempo! Uma atividade como essa (correr) ou qualquer outra do gênero deve ser uma das “pedras grandes” que devemos agendar e garantir a execução primeiro, antes que toda a areia entre em nossa vida durante a semana. Deixar as coisas em aberto, tentando ver no que vai dar é deixar com que todas as urgências, todos os compromissos dos outros, todas as requisições de fora tomem conta da nossa vida enquanto não temos tempo de fazer coisas que são realmente importantes para nós.

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