A importância de planejar

Franciane Ulaf

A importância de planejar

Planejamento é um trabalho tão difícil. E é difícil manter os planos em dia. Então, por que fazer isso? Não tem gente que não planeja e consegue alcançar metas? Qual a vantagem de planejar se eu não preciso realmente disso pra fazer as coisas na vida?

Essas são objeções comuns. Também ouço com frequência comentários de gente que “se acha” melhor do que os outros justamente porque não planeja. “Eu deixo as coisas acontecerem” ou “eu deixo a vida me levar”, seguindo aquele mito de que o planejamento é coisa de gente chata, rígida e que “não gosta de aventuras”. A ideia de que a vida é “mais legal” ou “mais gostosa” se a gente não planeja é falsa, mas por quê?

Vamos ver algumas respostas a essas objeções:

Um método interessante para avaliar se planejamento funciona para você é fazer o que em design nós chamamos de teste de divisão (split-testing). Basicamente isso envolve reservar unidades de tempo idênticas (2 dias, por exemplo) e cada dia aplicar uma técnica. No primeiro dia você planeja suas atividades, no segundo dia não planeja nada. O melhor é testar esse método em um período mais longo. Por exemplo, planejar por 90 dias e depois passar os próximos 90 dias sem planejar e ver no que dá.

Planejar as atividades do dia pode ser algo simples como fazer checklists ou seguir sua agenda ou pode envolver planos mais detalhados. Ao planejar períodos mais longos, listinhas podem não ser tão eficazes e a utilização de métodos e até mesmo softwares mais robustos pode ajudar muito. Hoje em dia, aplicações como Trello, Asana, Pipefy, entre outros estão se tornando muito comuns no ambiente de trabalho. Mas também podemos utilizar esses softwares (que são usados online e não requerem nenhum tipo de instalação no seu computador) para a vida pessoal, como metas de saúde e projetos não relacionados ao trabalho. A maioria deles oferece planos gratuitos para pessoas físicas. Também existem aplicativos para smartphones. Os bons e velhos métodos de planejamento no papel também funcionam. O importante é fazer um teste e ver como você se dá.

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O mais provável é que nas fases não planejadas você acabe sucumbindo às urgências do dia a dia. As coisas acontecem, exigem sua atenção, você corre resolver. Se você levar à sério seus períodos planejados, você poderá ver que consegue render mais. O dia já começa e você sabe o que fazer, não fica perdendo tempo com rodeios até adivinhar como vai organizar as atividades ou o que vai fazer. As urgências perdem o poder. A maioria delas perde o “status” de urgência quando você as ignora (ou outra pessoa resolve tomar conta delas!).

Mas o maior efeito pode ser observado em períodos mais longos. Planejamentos de 90 dias ou para quem gosta de números redondos, o “planejamento de 100 dias”, pode dar uma amostra mais realista do poder do planejamento. Em três meses bem planejados é possível fazer o que você não conseguiu fazer em dois anos!

Outra objeção muito comum é a pessoa alegar que não planeja nada e não tem problema algum para alcançar suas metas.

Essa “opinião” é baseada evidentemente na própria experiência que a pessoa tem. O problema é que isso pode ser enganoso. Já vi algumas pessoas que se enquadravam nessa categoria de “nunca planejar e não ter problemas” e observei que algumas delas simplesmente não tinham metas. Se você não tem metas, você não pode alegar que “não planeja nada e sempre alcança suas metas”! Isso também vale para quem só tem “metinhas”, coisinhas tão irrelevantes e pequenas que não oferecem problemas ou resistência. Quem só empurra a vida com a barriga não tem realmente metas, então “o que dá certo” é apenas o tocar da vida!

Também precisamos entender que o argumento não é de que sem planejamento é impossível alcançar metas. É óbvio que muita gente alcança metas sem qualquer plano, seja aos trancos e barrancos, seja por tentativa e erro, seja por sorte, seja por pura persistência ou qualquer outro motivo. A questão é que o planejamento oferece uma série de benefícios que essas pessoas acabam não tendo. A ordem sempre vence o caos. Optar pelo caos é insanidade! Ou talvez eu possa dizer que é ingenuidade. Ingênuo porque muitas pessoas têm uma ideia bobinha de que a vida vivida ao sabor da sorte é mais “gostosa” e que planejar é “chato”. Há uma visão fantasiosa de que a vida não planejada é uma aventura como um filme de Hollywood, ao passo que uma vida planejada é um porre entediante.

A realidade é justamente o contrário! A vida não é um filme Hollywoodiano. Sendo assim, os eventos não se desenrolam segundo uma narrativa lógica. Uma coisa ou outra pode acontecer por sorte ou serendipitia – e nenhum plano tem o poder de impedir com que essas coisas aconteçam! A vida real é uma sequência de eventos resultantes das nossas próprias ações (ao contrário das histórias fictícias onde as coisas simplesmente “acontecem” na vida dos personagens).

Ao não planejar, o que nos sobra é seguir a vida, dia após dia. E o que fazemos com esses dias se não temos nenhum plano? Bom, simplesmente fazemos o que fizemos no dia anterior, e no dia seguinte fazemos a mesma coisa. Fazemos o que nos pedem para fazer, fazemos o que somos obrigados a fazer, fazemos o que precisamos fazer. Que aventura deliciosa, não?! (>> inserir sarcasmo aqui!)

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Para ser capaz de viver aventuras emocionantes precisamos ser capazes de bancar essas experiências, do contrário ficamos presos no carrossel das responsabilidades. Quem sabe um bilionário tenha uma visão diferente. Ele pode bancar qualquer experiência, a qualquer momento. Mas nós temos que construir essa vida em que podemos nos dar ao luxo de fazer escolhas. Sim, dinheiro compra liberdade. Com dinheiro na mão, meu leque de experiências se amplia. Eu tenho mais oportunidades ao meu dispor. Sem dinheiro eu fico escrava das circunstâncias e das vontades e preferências de outras pessoas. Eu gosto muito de ler sobre as experiências de Steve Pavlina que parece ter encontrado um equilíbrio perfeito entre planejar, ter uma vida disciplinada e também aproveitar experiências enriquecedoras, ou simplesmente se divertir à beça. Em seu blog, ele relata sua experiência de ter ido à Disney 30 dias seguidos. Sem dinheiro e sem a liberdade que Steve criou a partir de muito planejamento e disciplina, criando as condições de trabalho perfeitas, ele jamais poderia ter feito isso.

Mas planejamento não é só sobre dinheiro. Planejamento é ferramenta para viabilizarmos nossos sonhos. Nem todos os nossos sonhos podem ser “comprados” com dinheiro ou com a liberdade que o dinheiro propicia. Muitos precisam ser construídos na realidade da vida, não no mundo abstrato da imaginação e do pensamento positivo.

Apenas desejar e sonhar com uma realidade futura não resulta em nada concreto. Se o futuro é construído em cima de ações práticas feitas um dia após o outro (não em eventos fortuitos que acontecem só de vez em quando), precisamos ter um controle sobre o que é realizado no cotidiano. Podemos até conseguir realizar as coisas sem esse controle, sem planejamento algum. Mas outra comparação interessante é o tempo que gastamos para concretizar a meta. Escrever um livro sem planejamento pode até dar certo… e levar 10 anos! Escrever um livro com planejamento pode levar alguns meses. Então o “dar certo” não é sempre a métrica, mas quanto tempo levamos para cruzar a linha de chegada. Ainda precisamos considerar que quanto mais longo é o período entre a ideia e a concretização da meta, maiores as chances de atrito (obstáculos, desistência, perda de interesse e motivação, circunstância da vida que impedem a concretização, etc.). Uma vida produtiva é uma vida em que materializamos as nossas visões, construindo um futuro que se molda à medida que vamos atingindo os marcos que vamos definindo. À medida que vamos caminhando, novas ideias vão surgindo e novas metas vão sendo definidas. Esse processo não tem fim. É uma espiral ascendente onde a cada recomeço estamos mais alto do que estávamos na etapa anterior. Esse progresso nos dá cada vez mais poder de determinar as regras da nossa própria vida, ao invés de sermos dominados pelas regras dos outros. Não é apenas uma questão de dinheiro ou de liberdade, mas também de poder pessoal. Ganhamos autoconfiança e autoestima pois vemos os resultados do nosso próprio esforço, temos provas reais de que somos realmente capazes. Sabemos que podemos materializar qualquer visão em nossas vidas porque já fizemos isso antes, sabemos o caminho das pedras. E esse caminho é pavimentado pelo planejamento!

Um equívoco comum com relação ao planejamento é que a pessoa que planeja “tenta controlar tudo”. É desse mal entendido que vem a ideia de que a pessoa que planeja é chata em contraste com a vida aventureira daquele que “deixa a vida levar”. Há uma ideia errônea de que ou você planeja tudo ou não planeja nada. E “tudo” inclui absolutamente tudo, vida pessoal, relacionamentos afetivos, família, etc.

O planejamento é uma ferramenta, não um traço de personalidade. Ele se aplica às coisas que precisam ser viabilizadas: escrever um livro, aprender algo, abrir uma empresa, levar um negócio para outro patamar, fazer uma viagem longa, e por aí vai. Coisas pontuais, coisas específicas. Não a vida inteira!

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Planejar também não engessa a pessoa, como muitos acreditam. Há uma crença de que ao planejar, as coisas precisam obrigatoriamente acontecer do jeito que foram planejadas. Esse “engessamento”, quando ocorre, vem de traços da personalidade da pessoa, não dos planos em si. A flexibilidade é necessária para que esses projetos se desenrolem com naturalidade. Agora, flexibilidade não significa ausência de planejamento! À medida que caminhamos vamos obtendo mais informações e elas podem alterar nossa visão acerca do que tínhamos em mente. Podemos decidir mudar ou ajustar os rumos, podemos até mesmo abandonar o caminho atual e definir outras metas. Tudo isso faz parte da vida.

Mas se vamos acabar desistindo da meta e seguindo outro caminho mesmo, pra que ter planejado?

Essas situações ocorrem muito raramente. A maioria das metas bem planejadas (e levadas à sério no dia a dia) acabam concretizadas sem maiores problemas. O medo de que eventualmente possamos mudar de ideia ou sermos forçados pelas circunstâncias a abandonar o barco não deve ser motivo para não planejar. Que o diga Amyr Klink!

Além disso, o aprendizado que obtemos ao percorrer o caminho de uma meta que acaba sendo abandonada ou alterada não é perdido. Aprendemos muito menos empurrando a vida com a barriga!

Lembre-se dessa regra:

Qualquer coisa que se ganhe por ter planejado, mesmo quando as metas acabam não dando certo, vale mais a pena do que viver dia após dia sem rumo, só tocando a vida e esperando que alguma coisa mágica aconteça e que um futuro maravilhoso se materialize sem que você precise construí-lo!

Então se a pergunta é “planejar vale a pena?” a resposta é:

Bom, de um lado você tem a construção da vida que você quer através de sua própria vontade e esforço. Do outro temos uma loteria em que a vida pode ou não “dar certo” ou acabar como você a idealizou. O que você prefere?

Existem inúmeras outras objeções ao planejamento que podemos discutir em futuros artigos. Mas acredito que essas aqui são as mais pertinentes e que acabam, muitas vezes, impedindo com que algumas pessoas tomem a decisão de definir metas e planejar.

 

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