O que são metas? Qual a importância delas em sua vida?

Franciane Ulaf

O que são metas

Uma meta é um ponto específico a ser alcançado no futuro, uma conquista. Veja que eu disse “específico”! Metas não são visões de um estilo de vida a ser alcançado ou um ideal de futuro ou mesmo sonhos. O maior equívoco com relação a este assunto é considerar simples desejos ou intenções como metas.

Melhorar de vida, por exemplo. Melhorar de vida não é uma meta, nem um objetivo, é um desejo, um sonho, um ideal. Quando alguém diz que quer melhorar de vida, assim como “mudar” de vida, uma série de ideias mais próximas de uma meta passam pela cabeça do indivíduo, mas ele não consegue ser claro o suficiente quando expressa seu desejo. Ele não consegue puxar essas ideias daquele mundo imaginário, abstrato e traduzi-las em texto, algo que possa ser comunicado ou pelo menos pensado de forma clara e objetiva.

A falta de clareza faz com que ele não saiba o que deve fazer para “melhorar de vida” (o que é realmente melhorar de vida pra ele?) e em seu dia a dia ele nada faz, continuando sem conseguir o que deseja, ou seja, sem obter essa melhora na vida.

Existe um debate acerca da técnica SMART de definição de metas que recomenda que metas sejam extremamente específicas, mensuráveis, alcançáveis, realistas, e com prazos determinados. Isso nem sempre é aplicável. Ao restringir demais os sonhos a pessoa pode acabar se limitando e não enxergando outras possibilidades. Podemos conversar em outro momento sobre as críticas ao método SMART. Apesar dessa polêmica e dos argumentos de que especificidade demais é prejudicial, metas não podem ser completamente soltas e desestruturadas – do contrário elas não são metas.

O central aqui é a clareza quanto ao que se quer alcançar, ou pelo menos qual o caminho que se quer seguir. É possível que ao caminhar novas informações mudem nossa opinião sobre a meta? Com certeza! Metas não devem ser entalhadas em granito! Não devemos acreditar que uma vez definidas, as metas precisam ser alcançadas ou, do contrário, fracassamos. Não podemos prever o futuro e isso inclui não só o desenrolar dos nossos planos na vida real como também nossos próprios sentimentos com relação ao que estamos perseguindo. Podemos perder interesse em um sonho que anteriormente era muito caro para nós. Acontece! Podemos desenvolver novos interesses, podemos nos envolver com novas atividades que nem imaginávamos quando começamos a trilhar um caminho em direção a um objetivo. Tudo isso é verdade, mas apesar disso não devemos tomar essa incerteza como evidência de que definir metas não funciona ou não é bom. A incerteza faz parte da vida, o ideal é a gente aprender a trabalhar com ela e não se render à ela.

Ao não definir metas não caminhamos em direção a nada, ficamos estagnados ou seguindo caminhos dispersos. A maior probabilidade é de que ao não saber para onde estamos indo continuamos só tocando a vida.

Há uma corrente popular atualmente que prega a substituição de metas por sistemas. O argumento é de que as pessoas não alcançam metas facilmente e que na maioria dos casos, não sabem nem sequer o que fazer para alcançá-las. Utilizar sistemas, portanto, colocaria as pessoas em rotinas úteis e produtivas e isso resultaria em progresso real em contraste com metas que viram sonhos de palha. Bom, se a pessoa não consegue colocar em prática os passos para atingir suas metas isso já é uma questão de falta de planejamento e possivelmente de disciplina. A culpa não é das metas! Sistemas são ótimos, eu os adoro e os utilizo diariamente. Contudo, sistemas isolados apenas robotizam rotinas que podem não estar levando a pessoa à lugar algum. É preciso ter pontos de chegada, marcos que vão sendo alcançados que nos mostrem que sim, estamos fazendo progresso; ou não, estamos só chovendo no molhado, enrolando. Esses pontos são metas (ou sub-metas) e eles podem ser extremamente úteis para nos ajudar a realizar verdadeiras reviravoltas em nossas vidas e até mesmo nos catapultar para lugares onde jamais imaginamos chegar. Sistemas sozinhos não conseguem fazer isso! Os sistemas dão suporte à disciplina e podem fazer parte de uma vida bem administrada. Mas essa vida precisa ter um direcionamento claro e esse direcionamento precisa ser um pouco mais firme e claro do que um ideal abstrato de futuro.

Eu sempre digo que a palavra-chave que justifica o planejamento, o que inclui metas, é viabilização. O planejamento e as metas viabilizam as coisas na sua vida. Nem tudo o que a gente quer fazer é uma questão de simplesmente colocar gás naquilo. Tem coisas que podem ser uma simples questão de tempo de prática. Se eu quero aprender a correr eu posso, ao invés de determinar metas mais específicas, simplesmente criar sistemas pra eu inserir uma prática de caminhada e corrida diariamente na minha vida.

Mas se o que eu quero fazer é algo mais complexo como fazer um MBA no exterior, aí nós já começamos a falar em viabilização.

Como é que eu vou viabilizar esse MBA na minha vida?

Não é uma questão de prática diária, de criar um sistema e ter disciplina pra colocar gás em cima daquilo todo dia. É um processo que envolve inúmeras peças que eu vou ter que investigar como funcionam, me preparar para prestar exames, organizar documentação, correr atrás de cartas de recomendação, estudar como eu vou tirar o tempo necessário para me ausentar durante dois anos ou mais das minhas outras responsabilidades e compromissos, planejar o custo financeiro desse MBA, planejar a logística da mudança pra outro país, visto, etc., e assim por diante. Uma meta dessas não vai se realizar de nenhuma outra forma. A pessoa não vai simplesmente sonhar com um MBA no exterior e um belo dia ela vai ver que o universo conspirou para que ela realizasse esse sonho. Sincronicidades podem até trazer a oportunidade de cursar tal programa, mas a viabilização para que isso realmente possa se tornar realidade vai exigir planejamento. O “deixa a vida me levar” não funciona em um caso desses. Tem muitas outras coisas que as pessoas sonham em fazer que precisam ser viabilizadas, que não acontecem de “forma mágica”, sincrônica, fortuita.

Eu acredito muito em sincronicidade, que tudo no universo está conectado e que a nossa energia atrai ou repele as coisas, pessoas e eventos, mas isso não deve substituir a nossa ação e essa ação se fortalece quando nós sabemos direcioná-la. A vida, de uma forma geral, pode nos levar a mudar essa direção, mas devemos aceitar isso como parte do processo, e não como um impedimento para tentar dar qualquer direção à vida.

A definição de metas é um poderoso processo para que você possa moldar seu futuro da forma como deseja. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o “destino” não afeta inesperadamente nossas vidas de forma a não podermos escolher e construir nosso futuro. Sim, eventos inesperados acontecem, claro, mas são raros. Se você experimentar construir a vida que você quer, pouco a pouco você verá que suas ações tem resultado e isto o motivará para conquistar objetivos cada vez maiores.

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