Perguntas & Respostas sobre Propósito de Vida – Parte 2

Franciane Ulaf

Propósito de vida - parte 2

Dando continuidade às perguntas e respostas sobre propósito de vida que iniciamos na semana passada, trazemos nesta semana mais perguntas respondidas sobre o tema propósito ou missão de vida:

Qual seria a melhor atitude para descobrirmos nosso propósito sem cairmos na armadilha do ego ou da felicidade?

Acredito que o ponto inicial seja a autenticidade. Ao viver de forma mais autêntica, a pessoa evita cair nas armadilhas do auto-engano, mentindo para si mesma para proteger os interesses do ego, geralmente ligados ao conforto e repúdio à dor.

A disciplina seria outro ponto a ser desenvolvido. Ao habituar-se a fazer coisas difíceis, enfrentar o desconhecido e encarar desafios por pura disciplina, a pessoa evita o mecanismo de autoproteção do ego que tenta fazê-la desistir de tudo que envolva o mínimo desconforto.

Quanto à questão da felicidade, trata-se de um assunto puramente intelectual. Uma vez que a pessoa compreenda conscientemente que a felicidade – ou “se sentir bem” – não é o objetivo da vida e que uma vida perfeita não é o fim da linha, ela passa a olhar para os lados e se torna, então, capaz de identificar coisas que antes passavam despercebidas.

Outro ponto que também envolve compreensão puramente intelectual é saber o que é um propósito de vida para que a pessoa pare de fantasiar sobre situações e condições que jamais estariam ligadas ao seu próprio propósito – como discutimos na primeira pergunta semana passada sobre a tendência de achar que o propósito é algo interessante, legal e prazeroso, como uma aventura cinematográfica. Entender o que é viver de acordo com um propósito é fundamental para conseguir identificá-lo sem cair na armadilha de tentar “adivinhar” qual o próprio propósito imaginando qual atividade seria mais interessante, estimulante e prazerosa.

O que fazer para evitar ficar tentando adivinhar qual o próprio propósito, mesmo sabendo intelectualmente que esse não é o caminho ideal?

O propósito é quase como uma extensão de nós próprios, ele se impõe naturalmente quando fazemos duas coisas: agimos de forma autêntica e não tentamos interferir no curso natural da vida por fatores egoístas.

O que você quer dizer com fatores egoístas?

Quando somos dominados pelo ego, vemos as coisas de forma tendenciosa. Se a ação à nossa frente não satisfaz a vontade do nosso ego, arrumamos desculpas, nos esquivamos e a evitamos. Por exemplo, digamos que se reconciliar com um familiar com quem nos desentendemos há muito tempo é algo que está se impondo em nosso caminho. Oportunidades para que uma reconciliação ocorra aparecem com sincronicidade, fatos interligados nos levam a encontrar a pessoa através de coincidências inexplicáveis, etc. Você, no entanto, é dominado pelo ego, ele quer o que quer e você obedece. Seu ego não quer nenhum tipo de desconforto (como passar pela dor emocional de uma reconciliação que levantará muita poeira do passado), além também do próprio orgulho, que é um subproduto do egocentrismo. É mais confortável ficar onde você está, mesmo que silenciosamente isso seja doloroso para ambas as partes. Do seu ponto de vista, porém, é mais doloroso passar pelo processo de reconciliação, então você inventa desculpas para justificar para você mesmo todas as razões pelas quais reconciliar-se com o fulano não é uma boa idéia.

E assim vai, você vai encontrando desculpas “totalmente lógicas” para se esquivar dos desafios que se impõem em seu caminho, mas adivinhe só! Esses desafios são parte de seu propósito e, ao esquivar-se, você está optando por viver uma vida ordinária.

Autenticidade é o que eu chamaria de “liberdade emocional”, ou seja, liberdade – mesmo que relativa ao próprio ego – é o ingrediente ideal de uma personalidade que segue o próprio propósito de vida e se nega a viver de forma ordinária.

Você pode deixar seus comentários e perguntas na seção de comentários abaixo (perguntas não são respondidas individualmente, se sua pergunta for selecionada, ela será respondida aqui nesta seção de perguntas e respostas).

Siga para a parte 3 deste artigo: https://guiadavida.com.br/psicologia/proposito-de-vida-parte3/

Print Friendly, PDF & Email
Compartilhe!
Cadastre-se gratuitamente no Guia da Vida e tenha acesso a nosso melhor material sobre desenvolvimento pessoal, produtividade, saúde mental e motivação:


21 comentários em “Perguntas & Respostas sobre Propósito de Vida – Parte 2”

  1. Gostaria de dizer que são muito interessantes esses artigos que nos são apresentados por Fran Christy. Gosto muito de receber e acho de extrema importância para nossa vida. Espero receber sempre.
    Obrigado… Abraço à todos.

    Responder
  2. É surpreendente a maneira como a Christy transmite suas orientação. Eu tenho aprnedido muito com esses textos, continue assim: nos ajudando a crscer!

    Responder
  3. Li o livro e acho que aprendi muito mais do que aprendi com todos os livros de auto-ajuda que li na vida.

    Sua visão é totalmente diferente do que a gente vê por aí e acho que isso faz toda a diferença. Sempre fui aquele tipo que fantasia e sonha com um futuro “mágico”, cinematográfico, como você fala e ao ler seu livro percebi que estava simplesmente desperdiçando a minha vida, fazendo coisas “temporárias” esperando que meu futuro mágico acontecesse e simplesmente não me dei conta de que o tempo está passando e eu só fico esperando.

    Comecei 2009 com uma visão diferente e já tomei atitudes para viver a vida que eu quero sem ficar esperando que alguma coisa mágica aconteça e tenho que a agradecer primeiramente a ti, Fran Christy.

    Um abraço de todo o coração,

    Amanda

    Responder
  4. Considero seu livro uma das obras que me abriu os olhos para a realidade da minha vida e agradeço por esta seção de perguntas e respostas iniciadas aqui no site. Complementa muito o conteúdo que aprendemos no livro.

    A pergunta que me ficou na cabeça foi quanto ao estilo de vida carpe diem. Ainda sou escravo do trabalho, mas sei que preciso criar condições para me livrar dele e quero muito isso, no entanto, quando não estou trabalhando não tenho muito o que fazer, sento e assisto TV, telefono para família e amigos, enfim, não tenho nada “pessoal” para fazer, a não ser que esteja envolvido em algo especial, mas essas coisas acabam sendo temporárias. Minha pergunta é com relação a este propósito, não consigo achar nada que requeira minha atenção no longo prazo, minha motivação e paixão, sou mais motivado a desafios e coisas passageiras. Sei que o ideal é não ficar tentando adivinhar meu propósito, mas não consigo evitar a mania de ficar pensando dentro dessa linha de racioncínio.

    Tenho trabalhado nas questões abordadas no livro, mas acho que falta aquela faísca dentro de mim que me guia para uma direção específica e isso me impede de descobrir meu propósito.

    Responder
  5. acho incrível esta abordagem “carpe dien” acho que depois de ter contato com estes pontos de vista, você não consegue mais ler livros covencionais que tratam desses assuntos de planejar a vida e descobrir seu propósito.

    isso tudo é tão diferente e inovador que ainda estou digerindo tudo o que estou aprendendo, mas estou apreciando imensamente a jornada!

    Responder
  6. Angela, concordo contigo, depois de ouvir este ponto de vista carpe diem, a gente não aceita mais o beabá antigo da auto-ajuda. O que eu gostaria de saber da autora é qual a origem dessa teoria, como você saiu do que já é velho conhecido na área e chegou nas conclusões que são demonstradas aqui no site.

    Obrigada,

    James

    Responder
  7. Sempre especiais…..isso é o que sinto em relção aos textos que leio de Fran Christy…recebo sempre de coração e mente aberta…me fazem muito bem….sinto-me sempre movido a fazer algo diferente em minha vida…seguir dicas tão brilhantes para um melhor viver….OBRIGADO Fran Christy.

    Responder
  8. tipo, nunca me interessei por livros e muito menos
    por escritores, mas essa me chamou atenção pelo
    modo de expressar suas idéias sobre o assunto discutido, gostei muito e pretendo me ater mais a livros e bons escritores que tem realmente algo dizer.

    alan 18 anos

    Responder
  9. Godtei muito do seu texto,tebho vivido o drama de que preciso fazer alguma coisa pela sociedade alienada mas não sei como. Gostaria de ter uma ajuda nesse sentido.Obrigada.

    Responder
  10. Olá Fran! Pela clareza de seu texto percebe-se que você tem propriedade sobre o que escreve, ou seja, que você está seguindo o seu propósito. O que compreendi é que não precisamos fazer coisas EXTERNAS fantásticas para realizarmos nosso propósito, mas sim, que ele se revelará quando nos posicionarmos naquilo que muitas vezes consideramos pequeno e sem importância, mas que nos oferece um grande aprendizado INTERNO, sendo esse um propósito muito importante para nosso desenvolvimento DE DENTRO PRA FORA.

    Responder
  11. Adoro receber as suas palavras inspiradoras, e que me fazem olhar a vida por um lado novo, sei que ainda tenho muito a aprender, mas estou a gostar muito, dai que estas mensagens me ajudem imenso na minha jornada. Obrigada e bem haja.

    Responder
  12. Confesso,que estou com receio de adquir o livro, tenho 34 anos já comprei vários livros inerentes ao assunto, pois o meu maior conflito é com relção aos meus estudos, fiz 3 anos de Direito não absolvi nada, estou agora fazendo um curso tecno de RH para ver se consigo um emprego.Me sinto a pessoa mais burra e incapaz da face da terra.

    Será que vou encontrar meu proposito neste livro?

    Responder
  13. Me parece que totos temos dificuldades em lidar com os nossos sentimentos . É possivel que o nosso ego nos domine?Quem é que tem controlhe, nós ou as nossas vontades?
    É estranho saber que o noso ego nos domina e fica satisfeito quando fazemos a sua vontade.Epa !! estou me referindo ao ego na 3º pessoa , isso é possivel? O inimigo que nos atormenta esta dentro de nós? Isso é asustedor!!

    Responder
  14. Penso que ninguém é obrigado ter amizade profunda com alguém que não respeita a sua individualidade e critica julgando sem ações, ou seja sem ter fé verdadeira. A amizade tb tem que ser provada, não é apenas de palavras, até mesmo no meio da sua parentela ou no meio profissional caso contrário não é bom se envolver com esses tipos de pessoas e problemas.
    Devemos ter cuidado com as companhias, trabalho que queremos para as nossas vidas, pois pensamos que estamos fazendo o correto, pagamos um preço alto por isso e depois ficamos frustrados. A maioria das pessoas trabalham para sobreviver e não para viver, não tem planejamento e nem um pouco de sensibilidade para com as outras pessoas. O mundo está frio e distante de Deus. Por isso não podemos perder tempo. Devemos analisar, ter prudência em tudo que queremos realizar com relação a todas as áreas de nossas vidas.Essa é a minha opinião individual.

    Responder

Deixe um comentário